Miguel narrando Eu tinha acabado de me afastar da mesa quando alguns aliados se aproximaram. Conversa normal de evento. Copos na mão, risadas contidas, aquele clima de quem mede cada palavra mesmo fingindo descontração. Falaram de território, de alinhamento, de como o evento estava “bem organizado”. Eu concordava com a cabeça, automático. Até o assunto mudar. — As filhas do Eduardo sempre foram bonitas — um deles comentou, dando um gole no uísque. — Mas hoje… estão chamando atenção. Não respondi. Outro riu. — Principalmente a de preto. — Fez um gesto com a cabeça na direção dela. — Aquela ali tá linda demais. Meu maxilar travou. — Acho que vou lá conversar com ela — ele continuou, rindo. — Mulher assim gosta de atenção. Não deu tempo de pensar. Não deu tempo de medir. Meu corpo

