Um

1801 Palavras
sem revisão "A dor a dilacerava, sua vontade era de correr para a sua mãe e contar que seu pai havia feito de novo. Quando ele terminava, se inclinava sobre ela e dizia " É o nosso segredinho". Ela sabia o que aquilo significava "Não conte para a sua mãe se não quiser se machucar". Depois que ele saiu, com o corpo machucado e a alma destruída, afundou o rosto no travesseiro e chorou, porque sabia que ninguém acreditaria nela" Nick acordou sobressaltada, fazia mais de um ano que não tinha pesadelos com o monstro, aquele era o seu record. Levou a mão esquerda a boca e a direita ao coração, como se aquilo fosse capaz de abafar o choro e amenizar a dor que sentia no peito sempre que lembrava do homem que a destruiu até não restar nada, apenas a dor e as marcas que pareciam nunca cicatrizarem. Ela se odiava e odiava Evellyn, a mulher era culpada por ainda se permitir passar por isso, fazia anos que descobriu tudo e mesmo assim permaneceu ao lado dele, ainda levou a pequena para o mesmo teto que o inimigo, ainda buscava entender o porque sua mãe não permitiu que aqueles remédios a matassem e acabassem de vez com aquele sofrimento? Porque ela insistiu em levar aquilo adiante? Nick sabia o porquê, também sabia que no lugar dela teria feito o mesmo. Mas ainda sim, era muito difícil conviver com aquilo, com aquelas lembranças. Já haviam passados dez anos e somente em alguns meses passou a se sentir um pouco livre. Ela cometeu um erro e esse erro refletiu em pessoas que prometeu não atrapalhar mais a vida. "Mãe, a senhora está bem?" Cindy perguntou a porta do seu quarto agarrada ao seu pelúcia do Minion. Ela olhou para o relógio digital da mesa ao lado da cama, ainda eram 4:00 h da manhã. "Estou sim, querida" Nick respondeu e sentiu aquela pequena repulsa apertar o seu coração, contudo ela a reprimiu quando a pequena de apenas 9 anos respondeu. "Sonhei com o papai" a menina disse chorosa e aquela frase foi o suficiente para lembrá-la de que a pequena era mais uma vítima daquele homem, ela precisava lembrar constantemente que ao contrário do que ele dizia, Nick e Cindy não eram culpadas e sim as vítimas. Cindy sempre soube que havia um limite entre elas. Mesmo Nick não sendo a mãe mais carinhosa do mundo, ainda assim fazia o possível para ser o que a garota precisava. Havia passado muito tempo longe após não suportar mais conviver no mesmo ambiente que aquele homem. Existe, claro, toda uma história envolvida sobre como Cindy foi parar justamente na família Cross. Inicialmente, quando decidiu dar a pequena para a adoção, Evellyn garantiu que encontraria uma boa família para a menina que na época era apenas um bebê inocente. Era tudo o que Nicole desejava pois m*l conseguia olhar para a garotinha, mesmo sabendo que era apenas mais uma vítima das circunstâncias na qual Nick se encontrava na época. Ela se afastou para o lado, levantando o cobertor, sorriu ao dizer: "Pode dormir ao meu lado se estiver com medo." A menina assentiu, indo até ela, deitou ao seu lado e a abraçou, descansando a cabecinha em seu peito. "Quando a mamãe vem morar com a gente?" A pequena perguntou sentindo falta da mulher que sempre lhe dava um beijo de boa noite e cantava uma canção para dormir. "Depois que resolver tudo para que ninguém possa te tirar de nós" Nick respondeu. Apesar das críticas duras que fazia a mulher, sabia que ela estava fazendo o possível para consegui a liberdade delas, das três. Isso fez o seu coração apertar ao lembrar que Evellyn estava tão desesperada para consegui a libertação do monstro que recorreu até a Luna, a pessoa que jurou que não iria mais incomodar e deixá-la viver sua vida em paz. Nick queria muito cumprir essa promessa mesmo sabendo que constantemente, seu caminho e o de Luna estavam fadados a se cruzar. Era algo que não conseguia evitar, tinha bons sentimentos por ela, mesmo sabendo que a outra mulher não sentia o mesmo, apesar de tudo, via Luna como a sua única amiga pois mesmo com toda história que as envolvia, com tudo que ela já havia feito para a outra, Luna e ela sempre estavam ajudando uma a outra quando mais precisavam. Nick não conseguiu mais dormir, diferente de Cindy que adormeceu rapidamente… Desde que Nick fugiu para a Flórida com Cindy, estava procurando emprego, até que recentemente conseguiu uma vaga em uma escola particular para dar aulas na pré-escola. Foi logo depois que voltou de Nova Iorque, no seu aniversário, o dia que chorava a sua morte e comemorava o seu renascimento. Dar aula era algo que Nicole mais amava, contudo, nunca ficava muito tempo no mesmo emprego e nem no mesmo lugar, essa regra foi criada quando Luna a descobriu há alguns anos e isso foi o que a fez perceber que não importa todas as mudanças que fez, sempre haveria alguém que a reconheceria. Gostava de trabalhar com crianças pois são doces, leais e felizes. Também ensinava o que um adulto não poderia fazer com elas, como ela ensinou a Cindy e graças a isso, conseguiram evitar que o pior acontecesse. Quando seu último aluno foi entregue a mãe em segurança, ela começou a arrumar as coisas para ir para casa encontrar Cindy estava estudando temporariamente em casa pois não poderiam correr o risco daquele homem encontrá-la e tanto Evellyn quanto Nick sabiam que o maldito tinha poder para isso. Estava no carro quando lembrou de ligar o celular, se surpreendeu ao ver diversas chamadas perdidas e várias mensagens. Duas delas a fizeram dar partida no carro, com o intuito de chegar o mais rápido possível. Seu coração estava acelerado que nem o veículo que dirigia. Precisava chegar a tempo… Não chegou, Magnólia, a babá da sua pequena estava na porta da casa aos prantos, ajoelhada e quando viu Nick, seu choro se tornou alto e agudo. Começou a pedir perdão por não ter conseguido evitar que levassem sua filha embora. "Não tive como evitar, Sinto muito, sinto muito. Eles tinham um mandado judicial." A mulher disse. Nick sentiu seu estômago revirar ao ponto de vomitar tudo o que comeu aquela manhã na grama. Aquilo era um pesadelo, um grande e terrível pesadelo. Voltou para o carro, pegou o celular que esqueceu no banco do passageiro. Ligou para Evellyn na esperança de que ela estivesse lá para acalmar Cindy mas a mulher não atendeu. Entrou no Google e pesquisou Evellyn Cross com o intuito de descobrir onde ela estava naquele momento, provavelmente em algum evento beneficente. Tentava manter a calma com os exercícios que aprendeu no decorrer dos anos sempre que estava à beira de um ataque de pânico. Tudo desmoronou quando leu as notícias relacionadas ao nome de Evellyn, aquele pesadelo virou um filme de terror. Suas mãos tremiam, sua respiração começou a acelerar com força e os seus batimentos cardíacos entraram um ritmo que a fariam com toda a certeza ter um infarto. Evellyn sofreu um acidente de carro, isso ocorreu no início da manhã. Era muita coincidência que isso tenha ocorrido justamente no dia que Cindy foi levada. Nicole tentava manter a mente em ordem, contudo suas emoções estavam conseguindo sobrepor qualquer tentativa de ordem. Entretanto, ela não poderia desmoronar junto com tudo, precisava se manter firme mesmo que a vontade de se deitar na grama em posição fetal fosse forte. Indo contra tudo o que jurou a si mesma, havia uma única pessoa que poderia ajudá-la e com toda a certeza pediria perdão de joelhos por não conseguir manter sua promessa. "Senhora? Está tendo uma crise?" Nick escutou alguém falar distante. Aquilo era um verdadeiro pesadelo! Ela havia falhado mais uma vez. Sentiu algo em ser colocado em sua boca, era pequeno. "Engula e beba um pouco d'água" a voz pediu. Nick que estava tentando reagir e não tinha tido sucesso decidiu seguir a voz e assim o fez. Levou um tempo para que o remédio fizesse efeito, mas assim que tudo se normalizou, ela finalmente conseguiu pensar sem sentir que estava se afogando em um rio de desespero e pânico. "Obrigada" disse a Magnólia. "Preciso ir para o aeroporto, pode me ajudar a arrumar uma mala e encontrar todos os meus documentos e os de Cindy?" Ela perguntou à mulher que acabou de salvá-la de uma crise. Magnólia assentiu e as duas correram para dentro da casa pois não poderiam mais perder tempo… Nicole conseguiu um voo apenas pela madrugada. Foram mais de duas horas dentro do avião apenas com seus pensamentos que só pioraram sua situação. Estava sendo difícil se manter racional, tanto que não pensou muito ao pegar um táxi e dar o endereço que deu, começou a surtar quando as ligações que estava fazendo não foram atendidas. Passou a mandar mensagens freneticamente quando o trânsito começou a parar, Nova Iorque não tinha horário para engarrafamento, aquilo a deixava ainda mais ansiosa, à beira do desespero… Depois de pagar o taxista, desceu e deu graças aos céus pela chave do portão ainda não ter sido trocada. Ela não roubou, foi Lori que lhe deu uma cópia para casos de emergência. Voltou a ligar enquanto subia as escadas arrastando sua mala apressadamente. Estava quase chegando à porta do apartamento quando sua ligação finalmente foi atendida. "Luna, eles levaram a Cindy" Nick disse aos prantos. "A Evelyn, ela ... Sofreu um acidente, está em todos os jornais e …" "Calma, onde você está? Vou encontrar você" Luna perguntou, o tom de sua voz mudou depois de ouvi-la. Sem pensar muito apertou a campainha, lembrando somente depois que o apartamento estava vazio e ela não tinha a chave, teria que esperar até Luna ir ao seu encontro. "Merda" xingou por lembrar que a cópia da chave da porta ficou em casa. "Eu estou na porta do seu apartamento, acabei de apertar a campainha esquecendo que não tem ninguém. Pode vir…" Nick parou quando a porta foi aberta revelando um homem de cabelo liso e n***o acima da nuca, os olhos verdes assustados que mais pareciam duas esmeraldas e o semblante surpreso. Aquele pesadelo parecia estar longe do fim, ele não poderia, não iria, ela mudou muito nos últimos anos, estava de lente, acima do peso e com um corte de cabelo que no passado jamais adotaria, o mesmo vale para a cor. Mas porque, porque o olhar dele sobre ela parece ao contrário do que quer acreditar? "Angie?" Ele sussurrou sem acreditar no que estava vendo diante de si. E como se ainda não pudesse acreditar no que seus olhos estavam lhe mostrando, tornou a falar, agora um pouco mais alto. "Angie?"
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR