Dois

1504 Palavras
sem revisão Maison encheu os pulmões de ar quando parou de correr e tomou um longo gole de água. A corrida foi longa o suficiente para esfriar a cabeça e parar de pensar nela. Dez anos deveriam ser o suficiente para esquecê-la, mas ela ainda estava viva em suas memórias mais secretas. Aquilo era ridículo, quase perdeu tudo por alguém que nunca o amou de verdade e apenas o usou como um objeto s****l para animá-la em seus momentos de tédio. Ele foi tão t**o em se apaixonar por alguém acima dele, na época, infelizmente, Maison era fácilmente influenciável e se deixou influenciar por sentimentos tolos e banais. Nunca esquecerá as palavras cruéis que Angie lhe disse quando pensou que ela o escolheria, sim, ele chegou a acreditar que seria escolhido por Angie, a pessoa que sempre se importou com status social e dinheiro, quão i****a foi ao entregar seu coração a mulher que o destruiu em pedaços quando deixou claro que ele nunca chegaria aos pés de Dare, que ela nunca trocaria o namorado rico. Aquilo provocou um forte gatilho de inferioridade que tudo o que fez foi assentir e deixá-la ir, a dor que sentiu foi excruciante. Contudo, o que poderia fazer? Quem era ele perto do incrível Dare. Não, nunca odiou o seu melhor amigo pela vida abastada, Dare sempre o tratou como um igual, mesmo com a amizade estremecida por quase longos dez anos. Seu amigo o perdoou quando se libertou dela e se permitiu amar quem realmente merecia, a mãe do seu filho. Ao menos um deles conseguiu se livrar daquele maldito sentimento que era como um câncer que vem o destruindo lentamente muito antes dela ter tirado a própria vida. Por muito pouco a amizade deles quase não resistiu a esse câncer... Ele e Dare se conhecem desde a infância, sua mãe era empregada doméstica de uma família rica que morava há duas casas da família de Dare. Ele passou a fazer pequenas tarefas para a família quando completou certa idade, uma dessas tarefas era levar Hulk, o labrador da família para passear pela vizinhança. Sorriu ao lembrar da primeira vez que viu Angie, era impossível não fazê-lo, ela era uma garotinha linda de cabelos acobreados e olhos verdes que lembravam duas esmeraldas, brincava na frente de uma mansão com outro garoto que se igualava a ela na beleza. Não falou com eles, sabia que seria esculachado se ousasse se aproximar de pessoas tão acima dele. Até o dia que Dare saiu para passear com seu São Bernardo, no mesmo horário que ele, passou a fazer isso todos os dias, sempre que ele passava na frente da mansão dele. Dare o acompanhava sem dizer uma única palavra até que um dia, num momento bem aleatório, disse "Que tal uma corrida? Quem vencer vai limpar a caca de ambos os cachorros", eles tinham de 12 a 13 anos na época, ainda eram crianças e se aventuraram, Hulk ganhou do "cão", sim, Dare era tão criativo que colocou o nome do cachorro de "cão". Maison sorriu com as lembranças de um passado distante, Dare e ele se tornaram amigos, unha e carne, a única vez que entraram em conflito foi por causa de Angie. Cometeu o erro de se apaixonar pela namorada do seu melhor amigo e ter se envolvido com ela. Não culpava Angie por esse envolvimento, culpava unicamente a si por acreditar que uma mulher como ela poderia se apaixonar por um pobretão que vendia o almoço para comprar a janta como ele. Estava feliz por Luna e Dare finalmente terem se acertado, que juntos construirão o seu felizes para sempre (alguém tinha que ser feliz naquele meio), tinham tudo para que isso desse certo, até mesmo um pequeno garoto esperto que adora extorquir ele e os outros membros da banda. O garotinho era a cópia perfeita de Dare, mas com a inteligência melhorada da mãe. Era o filho da Millenium, o pequeno trouxe alegria para eles e acendeu uma chama no seu coração outrora endurecido pela perda do seu amor, um amor que nunca foi seu realmente. O desejo de construir uma família se tornou grande, o problema era que não conseguia se imaginar fazer isso com outra pessoa além daquela que não estava mais entre eles. Sim, Maison sabia que aquilo era um absurdo. Ele era louco e precisava de ajuda, por causa de seus sentimentos doentios conseguiu machucar até Lori, uma mulher incrível que passou os últimos meses tentando chegar até ele, mas Maison a desprezou e aconteceu o que aconteceu com ela, agora, Lori se foi para longe sem lhe dar a chance de pedir perdão por nunca ter deixado claro que eles nunca aconteceriam, ainda não conseguia se perdoar por não ter feito uma maldita ligação para dizer a ela que não iria ao seu encontro, aquele pequeno gesto poderia ter evitado a merda que se sucedeu e Lori não teria ido embora e nem o estaria o evitando a qualquer custo. Maison voltou a correr, agora, até ao carro onde o motorista estava a sua espera... Maison entrou no apartamento pela porta da cozinha, onde encontrou o caos total, era uma bagunça generalizada. Só precisava entender como as coisas chegaram naquele ponto. "Tio Maison!" Mini Dare gritou empolgado segurando… pão com carne e molho de tomate? A boca do garoto comilão estava toda suja de molho. "Cadê a Francis?" Perguntou preocupado que a mulher tenha fugido assustada com aquele caos. "Foi embora assim que o dia raiou" Stuart respondeu todo meninão "Mini Dare, vai querer bastante calda de chocolate nos Brownies?" Perguntou ao garotinho que acabara de receber torradas com geleia de morango das mãos de Billie. "Sim, com muita calda" Arthur respondeu comendo vorazmente o restante do sanduíche. "Que p***a "tá" acontecendo aqui?!" Maison perguntou indo até Arthur e tirando as torradas de suas mãos. "Tio Maison, o senhor falou palavrão!" O garoto chamou sua atenção. Falar palavrão era proibido naquela casa, ele xingou mentalmente. "Assim como comer de forma descontrolada. Sua mãe vai arrancar nossas bolas e te deixar de castigo por um mês se você parar no hospital porque comeu demais" Maison o lembrou, depois se voltou para os amigos que estavam fingindo demência ao lembrar de que Arthur sempre passava m*l quando comia além do que o seu corpo pequeno podia aguentar. O garoto fez careta, ele sabia muito as consequências de sua gula. "É melhor ir numa farmácia atrás de remédios só por garantia, não quero levar outro esporro da Luna, dessa vez eu vou no mínimo ficar com um olho roxo" Kevin disse ao lembrar que há uns meses vacilou ao entregar nas mãos da criança gulosa um pote de sorvete, acreditando que ele não tomaria tudo, mas Arthur tomou e parou no hospital com os pais desesperados de preocupação. "Tio Maison, podemos chegar a um acordo pra que isso não chegue aos ouvidos da mamãe?" O garoto perguntou com uma carinha toda fofa. Deus tenha misericórdia deles porque o pirralho iria fazê-los de gato e sapato. "Que tipo de acordo você tem em mente?" Billie, baixista da banda e melhor amigo da mãe de Arthur, perguntou ansioso pela resposta do pequeno adulto. "Deixo me levarem para andar de skate no parque e me usarem para atrair as moças sem cobrar nada" o garoto com toda a certeza conhecia os tios, mais especificamente Kevin e Stuart. Já Billie e Maison eram outra história, não era tão fácil enrolá-los assim. "Também deixo vocês me ensinarem a tocar algum instrumento" Arthur acrescentou a oferta. Bom, talvez, só talvez o garoto tenha conseguido comprar os quatro com a última oferta, eles eram loucos para ensinar os ossos do ofício para o filho da banda. "Hum, não sei se isso vale as broncas da sua mãe" Billie disse pegando uma torrada com geleia e comendo. "Pensei que me amassem ao ponto de não precisar fazer nada por vocês" Arthur apelou para a chantagem emocional. "Também pensamos que nos amava ao ponto de não extorquir a gente" Billie revidou. Ele era o que sabia lidar melhor com a esperteza do garoto. Arthur revirou os olhos e bufou, estava começando a ficar sem argumentos. "Tios, posso comer só um brownie? Ainda tô com fome." O garoto apelou para os olhos pidões desistindo de negociar com os quatros homens. Os amigos trocaram olhares significativos. Como poderiam resistir aqueles olhos verdes tristonhos? "Sem negociações, acho que um pedaço de brownie sem calda, tá bom. Assim não corremos o risco de sermos alvos da fúria da Luna" Kevin se manifestou "Mas esse Brownie tem um preço e esse preço é andar de bicicleta por uma hora no parque" o baterista da banda não perdia a chance de usar a criança para atrair o sexo oposto. Maison balançou a cabeça de um lado para o outro, de quem foi a ideia de deixar uma criança com altas habilidades nas mãos de quatro idiotas que pensavam com a cabeça errada? Ah, é mesmo. A ideia foi dele!
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