Pré-visualização gratuita Onde tudo começou
Era mais um dia de aula, pelo menos já era final de ano e logo estariam de férias, longe de todas aquelas pessoas ignorantes e chatas do ensino médio. Esse era o pensamento de Allya, que estava no segundo ano do colegial.
Allya Clifford tinha 16 anos, era uma jovem n***a, com cabelos afro e lábios carnudos. Isso fazia com que algumas pessoas tirassem sarro com ela, por ser uma das únicas garotas negras do colégio particular. Ela se vestiu como qualquer outra jovem, com roupas “descoladas”, cabelos sempre arrumados e era bem inteligente, diferente de muitas pessoas de sua classe. O que fazia ela se destacar entre os demais, logo tendo mais olhares sobre ela.
Clifford era uma garota extremamente tímida, e tinha apenas duas amigas com quem ela conversava e confiava tudo naquela cidade nova. Afinal, ela tinha se mudado no final do ano anterior, por causa do trabalho do seu pai. Isso era desgastante, já que quando ela começava a criar alguma amizade, lá estava ela se mudando novamente de escola, de cidade, de estado e até mesmo de país.
Era por esse e outros motivos que ela não via o momento de se formar e poder tomar suas próprias decisões, e não ficar mudando de lugar todos os anos com seu pai. Allya era filha mais velha, tinha um irmão caçula que se chamava Akin, e a via como uma super heroína, por aguentar tudo que passava na escola e ainda continuar com um sorriso no rosto.
Mais um dia de aula, mais um dia que ela teria que aguentar Alícia Monroe, a fatídica jovem que todos tinham olhares. Seja os garotos ou até mesmo algumas garotas, afinal ela tinha muito dinheiro e era simpática com todos. Menos com Allya Clifford, com quem ela tinha uma implicância enorme.
Alícia não podia ver Allya nos corredores, que sempre queria fazer alguma brincadeira ou algo que irritava a garota, sempre querendo chamar sua atenção a propósito de apenas brincar com sua timidez. Esse tipo de brincadeira irritava Clifford, pois sabia que depois de tudo aquilo, ela iria embora sem precisar passar com as piadas e comentários maldosos que era direcionado para ela nos corredores.
Tudo estava seguindo os conformes naquele dia, Alícia tinha irritado Allya nas primeiras horas da manhã, a aula chata de matemática parecia demorar mais do que o normal, alguns professores paparicando Allya pelas boas notas nas provas e testes surpresas.
O que os alunos mais queriam naquele dia, era o sinal do intervalo e logo ele soou. Calmamente, Allya juntou suas coisas e saiu da sala, encontrando com Megan e Olívia no corredor. Meg e Liv, como eram conhecidas, estavam conversando sobre como Alícia estava bonita naquele dia e como elas ficam derretidas pelos amigos que andavam com ela. Afinal, eles eram do time do colégio, populares e bonitos. O verdadeiro clichê de filmes de romance da Netflix.
- Bom dia Lya. - Liv e Meg comentaram sorridente em uníssono ao ver sua amiga se aproximando
- Bom dia meninas. Sobre o que estão falando. - Allya perguntou abrindo seu armário, que era do lado onde Meg estava
- Ahn, nada de mais. - Liv comentou despretensiosamente ao ver Alícia passando pelo corredor onde elas estavam
- Bom dia meninas, bom dia Allya. - A voz de Alícia preencheu o corredor que só tinha as três ali
Uma piscadela dada pelos meninos atrás da Monroe fez com que Meg e Liv suspirarem.
- Meu deus, essa garota não vai me deixar em paz nunca? - Allya resmungou fechando seu armário e colocando a cabeça nele
- Ai Lya, ela parece gostar de você. Ela só não sabe demonstrar isso. - Meg respondeu a amiga arrumando sua mochila nas costas
- Gostar de mim? Essa garota é insuportável, vive me irritando e tirando sarro de mim. Até me trancar no auditório sozinha ela já me trancou. Eu não sei porque diabos ela ainda fica me irritando. - Allya parecia furiosa com as amigas
- Ei, calma aí. Não queremos brigar, estávamos brincando. - Liv disse levantando suas mãos em sinal de rendição
- Me desculpe, meninas, eu não queria ter explodido com vocês. Vamos comer? - Allya perguntou abraçando as amigas e caminhando até o refeitório
Estava cheio como de comum, então as três caminharam até uma mesa que estava praticamente vazia, já que as últimas pessoas que restavam ali já estavam terminando de comer e saindo do local.
De um lado do refeitório, estava Alícia, junto de seus amigos e um grupo de meninas que estavam sendo completamente exibidas para eles, com a intenção de conseguir algo deles, mas Monroe não gostava daquele tipo de garota oferecida, que daria qualquer coisa só para ficar com alguém “popular”.
Enquanto balançava a cabeça concordando com o que as jovens ali diziam, ela nem sequer prestava atenção em nenhuma palavra, só conseguia olhar para Allya que estava a algumas mesas de distância, conversando com suas amigas e nem sequer olhando para ela ali. Isso intrigava Alícia, de o porque ela não ser como as outras, que se jogava para ela e tentava conseguir um “oi” a todo custo.
Ao ver que Allya se sentou de costas para a mesa que ela tava, Alícia tomou coragem e se levantou, deixando as meninas com nomes parecidos conversando sozinhas. Caminhando até a mesa onde as três amigas estavam, Liv e Meg sussurraram algo para Allya, que continuou comendo sem olhar para trás.
- Bom dia meninas. Bom dia moça díficil. - Alícia disse se sentando ao lado de Clifford
As amigas de Allya logo responderam, recebendo um olhar da garota como se pudesse dizer "traíras" só com os olhos.
- Ela não fala ou ela está apenas me ignorando mesmo? - Alícia perguntou olhando para as meninas em sua frente
- Estou te ignorando.
- Olha só, eu pensei que o gato tinha comido a sua língua. O por que você não fala comigo? - Monroe perguntou se sentando de lado no banco, ficando de frente para Clifford que mastigava calmamente um pedaço de fruta
- Por que você vive me perturbando? Sério, qual seu problema comigo? - era perceptível que a garota estava ficando irritada com aquela proximidade
- Meu único problema com você, é não ter atenção. Você me ignora nos corredores como se eu fosse ninguém, é por isso que eu chamo sua atenção. - Alícia comentou olhando para ela
Nesse momento, diversos olhares no refeitório eram para as duas ali, “conversando” pela primeira vez desde o início do ano. Megan e Olivia estavam em choque ao ver sua amiga tão próxima de alguém que tira a paz dela
- Eu te ignoro, porque talvez você não seja tão especial assim. Já parou para pensar nisso? - Allya disse olhando nos olhos de Alícia pela primeira vez
A morena abriu a boca diversas vezes, mas nenhuma palavra ou som era emitido. Então, junto com Allya, Meg e Liv se levantaram e seguiram a amiga para fora do refeitório.
Aquele dia tinha sido a primeira vez que Allya Clifford tinha tomado coragem de falar o que ela queria, olhando nos olhos de Alícia. m*l sabia ela que depois daquele dia, tudo mudaria. Não se sabe se iria para pior ou para melhor, mas ela esperava que houvesse uma mudança depois daquilo no refeitório.
Naquele dia, Alícia foi para casa mais cedo. Como Allya sabia? Todos estavam comentando que ela foi embora depois da cena no refeitório, que ela não parecia nada bem e outros diziam que tinha visto ela chorar.
Allya achava que aquilo era exagero, já que ela só tinha dito que não endeusava Alícia como os outros. De uma forma um pouco mais dura, mas nada além disso. Ela não queria ter feito m*l para ela, até mesmo pensou em pedir seu número para alguém e mandar uma mensagem para saber como ela estava, mas se sentiu muito i****a quando estava indo executar seu plano. Então, deu meia volta e foi para casa, seguindo a sua rotina nada animada.
Limpar a casa, ajudar o irmão com os deveres da escola, fazer as coisas do colégio e depois ler. Essa era a rotina que ela tinha durante toda a semana. Enquanto lia um livro novo que tinha ganhado de sua mãe no aniversário de 16 anos.
Seus pais não faziam ideia do que sua filha passava na escola, só sabia que era difícil para ela em algumas questões. Se soubessem que os alunos pegavam no pé dela, iriam querer trocar ela de escola novamente e ela perderia suas amigas mais uma vez. Então, ela mantinha segredo de tudo que poderia afastar ela de Meg e Liv.
Enquanto folheava o livro, sem ao menos estar lendo com atenção, Lya se pegou pensando em Alícia, se ela estava bem e se estava realmente magoada com o que ela disse naquela manhã. Ela não gostava de saber que tinha deixado alguém m*l, então aquilo a preocupava, mas não tinha o que fazer, a não ser esperar para ver como ela estaria no dia seguinte.
No meio desses pensamentos e outros, Allya dormiu profundamente, acordando apenas para o despertador que tocava em cima da sua cômoda do lado da cama. Resmungando por ter dormido de m*l jeito, ela se arrastou até onde o barulho irritante vinha, desligando-o e tomando coragem de ir para o banho.
Depois de ter tomado banho, ter se vestido e separado o material, ela desceu para tomar café com seus pais. Ou melhor, com sua mãe e seu irmão, pois seu pai tinha compromisso naquela manhã e precisou sair cedo, nem se despedindo direito. Depois de sair de casa, Clifford caminhou até a escola sozinha como de costume, cantarolando baixinho uma música qualquer enquanto contava os passos de casa até a escola.
Estava entediada, então caminhou um pouco mais rápido para chegar a tempo de conversar com Meg e Liv antes da aula. Seu plano deu certo, as três estavam conversando perto da entrada, quando viram o carro de Alícia estacionar em uma das vagas de aluno, saindo ela de lá totalmente diferente dos outros dias.
Com o cabelo preso, moletom e com um grandes olheiras, Alícia saiu do seu carro praticamente irreconhecível, atraindo olhares estranhos para ela. Que ao invés de ombros altos e postura ereta,tinha os ombros para dentro e cabeça baixa.
- Droga! Acho que exagerei ontem. - Allya comentou ao ver a morena passar por elas e nem sequer cumprimentar as meninas como era o habitual
- Acha que ela está assim por que tomou um fora seu? - Meg perguntou sentindo Monroe com os olhos para dentro do colégio
- Não acho que seja só por isso, mas sinto que tenho uma parcela de culpa quanto a isso. - Allya comentou antes de ouvirem o sinal soar
A semana foi como naquele dia, sem irritações de Alícia, sem suas brincadeiras sem sentido ou suas provocações. Isso estava deixando Allya um tanto quanto aliviada, mas em partes deixava ela extremamente alerta, pois sabia que algo estava errado.
Alícia não parecia bem, algumas conversas diziam que ela sempre ia para o vestiário chorar depois das aulas e nem os amigos dela sabiam o que estava acontecendo, pois ela não queria falar sobre.
Na segunda semana que Allya já estava até mesmo sentindo falta de Alícia, ela resolveu ir procurá-la no vestiário como diziam, depois da aula. Assim que o sinal bateu, Clifford caminhou até o ginásio e viu Alícia entrando no vestiário, então ela se prontificou em conferir se não tinha mais ninguém ali ao entrar e se sentar dentro de uma das cabines.
Enquanto Alícia chorava baixinho, Allya entrou com todo cuidado possível e fechou a porta do vestiário, assim elas teriam mais liberdade para conversarem, isso se Monroe estivesse disposta a conversar.
- Alícia? - a voz doce e delicada de Allya saiu, fazendo os olhos vermelhos de Monroe se levantarem
- Quem está aí? Quero ficar sozinha, vai embora. - Alícia disse ainda fungando
- Sou eu, Allya. E eu não vou sair daqui, até você me dizer o que diabos está acontecendo. - sua voz era firme, mostrando que ela estava determinada com a sua escolha e não mudaria fácil
A porta do banheiro continuou fechada por mais alguns minutos, logo depois se abriu calmamente, atraindo os olhares de Allya, que sentia algo estranho ao ver que o rosto de Alícia estava vermelho e inchado. A única coisa que ela conseguiu fazer naquele momento, foi puxar a morena para um abraço, envolvendo seus corpos e deixando com que Alícia chorasse ainda mais do que antes.
Elas ficaram ali, sem dizer nada, Alícia sentia o carinho em suas costas, feito pela ponta dos dedos de Allya que parecia temerosa com aquela proximidade. Até que as luzes do ginásio e do banheiro se apagaram. Ótimo, agora elas estavam trancadas no escuro, sem celular e sem o que fazer.
Allya parecia desesperada, sua respiração estava ficando ofegante e seu coração estava ficando disparado, ao perceber que ela estava tendo uma crise. Alícia abraçou seu corpo com toda força que podia, tentando acalmá-la e dizendo que tudo ia ficar bem.
O que Alícia não sabia, era que ela tinha claustrofobia e pavor de escuro, e os dois juntos eram o ingrediente perfeito para uma crise. Com o corpo ainda com espasmos da crise, Allya se sentou no chão, ainda tendo seu corpo abraçado por Alícia, que se sentou ao seu lado, puxando-a para perto e ainda mantendo o abraço até ela se acalmar por completo.
O silêncio reinava ali, ambas estavam com vergonha de ter demonstrado sua fraqueza para a outra, ainda mais naquela situação em que elas se encontravam.
- Alícia? - a voz ainda trêmula de Allya chamou a morena, que resmungou em resposta. - Me desculpa por aquele dia, eu não queria te deixar m*l.
- Está tudo bem meu amor. Não se preocupa ok? - Os dedos frios de Alícia passou no rosto de Allya ainda no escuro, era como se ela soubesse cada detalhe de seu rosto para acariciar
- E-eu não… - Allya tentava dizer, mas o nervosismo não deixava com que ela formulasse uma frase
- Shiii… Só estamos nós duas aqui, não se preocupa. - Monroe comentou ainda acariciando o rosto de Allya e sem perceber, seus rostos foram se aproximando e logo um beijo calmo e desajeitado aconteceu
O corpo de Allya estava ficando quente com aquela proximidade, ela não sabia o que sentir com os lábios de Alícia tocando o seu. Aquilo parecia não ter fim, e talvez ela não quisesse que aquilo tivesse fim, mas infelizmente aconteceu, pois a luz voltou e a voz de Meg e Liv soaram perto da porta, o que fez com que Allya pulasse para longe de Alícia.
- O que… - Alícia ia dizer, mas foi interrompida pela voz de Meg que entrava no vestiário
- Meu deus, ainda bem que vocês estão bem. - Liv disse colocando a mão sobre o peito
- E-estou bem. Estamos bem. - Allya disse encostada na parede, tentando recuperar o fôlego pelo beijo e pelo susto de ter ouvido as suas amigas tão perto
- Obrigada. Eu preciso ir, obrigada por ter vindo me ver, Allya. - Monroe disse pegando sua mochila e saindo do vestiário, sem ao mesmo olhar para trás
- O que aconteceu aqui? - Meg perguntou confusa ao ver aquela cena
- Nada, só vamos embora. Por favor. - foi tudo que Allya disse antes de pegar sua mochila e também sair do vestiário sem dizer nada
Depois daquele dia, Alícia praticamente não falou e nem sequer olhou para Allya, ela não sabia o que tinha feito de errado, já que foi a própria Alícia que tinha iniciado o maldito beijo naquele vestiário escuro.
Clifford tentou ignorar que aquele gelo que estava recebendo de Alícia, não tinha afetado ela e deixado-a m*l. Afinal, ela não sabia o porque estava sendo ignorada e nem sequer se era culpa dela aquilo estar acontecendo.
Os meses passaram, a presença de Alícia estava sendo poucas na escola, alguma coisa grave tinha acontecido, mas ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo, já que nem ao menos os amigos dela faziam ideia do que houve na vida dela.
A angústia crescia dentro do peito de Allya, que queria ir até a casa de Alícia (mesmo não sabendo o endereço), apenas para saber se ela precisa de alguma coisa, nem que seja de um abraço e uma palavra de conforto, mas ela sentia que seria invasivo da sua parte de ir atrás dela, pois sentia que se ela não contou nem para os amigos, é porque ela não quer que ninguém saiba.
As semanas de aula estavam no fim, Alícia aparecia para fazer as provas e depois ia para casa, um responsável pela escola sempre levava todas as atividades e deveres em sua casa após a aula, assim ela não perderia o que estava sendo passado, mesmo sendo os últimos dias.
O último dia de aula tinha chegado, mesmo feliz pois ficaria longe de todos aqueles abutres por alguns dias, Allya continuava preocupada com a falta de Alícia até mesmo no último dia de aula, para pegar suas notas e despedir de alguns amigos. Aquilo era estranho, muito estranho, mas Allya não sabia o que fazer para tirar aquele sentimento r**m, de que alguma coisa estava prestes a acontecer.
Ela até mesmo pensou em seguir o funcionário da escola que estava indo até a casa de Alícia para levar suas notas, assim saberia se ela estava bem ou se poderia fazer algo para que ela ficasse bem, mas seu plano tinha ido por água abaixo, pois seu pai ligou e disse que precisava dela em casa com certa urgência. Então, ela foi direto para casa, ainda pensando em como ia saber se Alícia estava bem.
30 minutos depois, Allya estava na porta de sua casa, procurando a chave para abri-la, mas não foi preciso, pois seu pai a abriu logo em seguida. Até parecia que estava observando ela se aproximar. Colocando a mochila perto da porta, Allya seguiu seu pai para a cozinha sem dizer e nem ouvir nenhuma palavra. Aquilo estava deixando a jovem tensa, pois ela não sabia o que estava acontecendo
- Alguém pode me dizer o que está acontecendo? - Allya perguntou ao ver sua mãe encaixotando algumas coisas
- Oi filha, nem vi você chegar. Eu preciso que você suba e arrume suas malas, pegue tudo que é seu e que você precise com certa urgência. Temos que viajar, seu pai foi transferido novamente essa manhã e precisamos estar em Nevada amanhã. - a Sra. Clifford disse para sua filha sem ao menos desviar o olhar do que estava fazendo
- De novo? Mamãe, mas não ficamos aqui nem um ano. E minhas amigas? Eu não vou ter tempo de me despedir delas, isso não é justo. - Allya resmungou ao receber a notícia por sua mãe
Aysha Clifford era uma mulher de meia idade, de pele retinta, usava os cabelos com tranças e normalmente, alguma faixa ou algo para fazer um penteado. Naquele início de tarde ela estava com um lenço, que cobria boa parte dos seus cabelos. Ela parou o que estava fazendo e olhou profundamente para Allya, entendo o olhar triste da filha. Afinal, ela sabia que sua filha não conseguia manter nenhuma amizade daquela forma, e que ter amigos era importante para sua filha, principalmente naquela idade.
- Eu sei meu amor, eu não queria que fosse assim, mas você sabe como é o emprego do seu pai e é isso que mantém as contas da casa. Eu sinto muito por isso, espero que consiga mandar uma mensagem pelo menos para as suas amigas. - Aysha disse vendo os olhos da filha encherem de lágrimas que estavam prestes a cair
- Deixa para lá. É sempre a mesma coisa mesmo, não sei como não me acostumei. - Allya disse deixando a primeira lágrima rolar, secando-a rapidamente e subindo as escadas que daria ao seu quarto
- Allya Clifford. - o senhor Clifford, Odara Clifford chamou a filha com a sua voz grave
- Deixa ela amor, ela só está chateada e precisa de um tempo. - Aysha disse se aproximando do marido, acariciando seu ombro para acalmá-lo
- Eu não queria que fosse assim. - Odara disse olhando para a esposa
- Eu sei querido, mas ela vai superar, ok? - a Sra. Clifford disse antes de voltar para a cozinha para organizar as coisas
Já no quarto, Allya estava chorando intensamente enquanto guardava tudo dentro de suas malas. Era a terceira vez em menos de um ano. Ela não gostava nem um pouco de sempre ser a garota nova, de todas as escolas que passava. Além de não poder se despedir das suas amigas corretamente, Allya ainda tinha a magoa de não poder saber o que tinha acontecido com Alícia, que afastou ela da escola por semanas, até mesmo meses.
Depois de arrumar as suas coisas, ainda chorando, Allya se deitou na sua cama e acabou adormecendo. Sendo acordada horas depois por sua mãe, que estava praticamente arrumada para sair, disse para ela tomar banho e se trocar pois dentro de 1 hora, o táxi chegaria para levá-los ao aeroporto.
Ainda sonolenta, Allya Clifford caminhou até o banheiro e tomou um banho rápido, mais para tirar aquela sensação de cansaço e tristeza do seu corpo, depois caminhou novamente até seu quarto, onde se vestiu com roupas de frio e desceu para a sala. Suas malas já estavam juntas com as outras, que pertenciam ao seu pai, sua mãe e seu irmão, que dormia no sofá da sala.
- As outras coisas, o que vão fazer? - Allya perguntou aos seus pais
- Afinal, a casa estava cheia de quadros e outras coisas que pertenciam a família, mas eles estavam levando apenas o essencial, que era roupas e pertences.
- Seu pai vai vir buscar junto de algumas pessoas da empresa dele. Não se preocupe. - Aysha comentou agasalhando Akin que dormia no sofá
- Eu posso vir com você, papai? - Allya perguntou com entusiasmo, afinal seria a chance perfeita para ela ao menos despedir de suas amigas
- Infelizmente não, filha, eu vou a trabalho e não tem como trazer você. Eu sinto muito, mas prometo tentar trazer você aqui para ver suas amigas, ok? - Odara disse abraçando sua filha de lado, que apenas concordou com um sorriso triste no rosto
O táxi chegou e Odara foi levar as malas para o carro, Allya seguiu sua mãe para dentro do carro com Akin nos braços, já que o pequeno dormia profundamente.
Saindo daquela rua, Allya sentia uma enorme vontade de chorar, pois ela sabia que tudo que tinha conquistado até ali, estaria ficando para trás como tudo nos últimos anos.
Allya tinha uma pequena esperança de que pelo menos daquela vez seria diferente, mas ainda sim, ela estava triste por deixar Meg e Liv, estava triste até mesmo por não ter mais Alícia Monroe tirando sua paciência todas as manhãs. Por algum motivo, depois do beijo no banheiro, Allya começou a pensar mais na morena, parecia até algum tipo de paixão. Até seria se ela não tivesse tanta raiva de tudo que Alícia tinha feito para ela desde o primeiro dia do ano, mesmo com tudo isso, ela ainda sentiria saudade dela.
O caminho até o aeroporto era longo, então ela acabou dormindo encostada em sua mãe, acordando apenas com o vento frio que entrou pela janela quando seu pai abriu a porta para pegar seu irmão que ainda dormia tranquilamente. Os quatro foram para o balcão de check-in, depois era apenas esperar o horário e aviso do vôo que eles pegariam.
Quando a voz característica do aeroporto soou, informando o portão de embarque, Allya ajeitou a mochila em suas costas, respirou fundo e seguiu seus pais até o portão que separava ela de tudo que tinha conquistado até ali. Ela precisava ser forte, pois infelizmente não tinha o que fazer, aquilo já deveria ser levado como costume, já que não era a primeira vez que ela estava indo embora.
Mas por algum motivo, daquela vez era diferente, era como se ela tivesse se afastado do seu lar, de onde deixava ela bem. Dentro do avião, Allya ouviu atentamente as recomendações e informações da comissária, colocando depois a cabeça no vidro e olhando tudo ao redor, antes do avião decolar e deixar tudo para trás.
Não tinha dado 15 minutos e Allya dormia profundamente, afinal, ela estava cansada e já estava tarde. Enquanto Allya dormia dentro do avião, Alícia estava rolando na cama, ela não conseguia dormir, como se ela estivesse perdendo algo muito importante, mas não sabia o porquê daquela sensação r**m que não deixava ela dormir.
Alícia Monroe saiu da sua cama, caminhou pela casa, comeu alguma coisa na cozinha e decidiu colocar algum filme para assistir, enquanto tentava dormir, mas parecia impossível. Depois de praticamente 1h20 depois, Monroe conseguiu cochilar e nesse pequeno cochilo, ela acabou vendo Allya, como se ela pedisse ajuda ou algo do tipo.
Aquilo não fazia nenhum sentido, afinal, elas não tinham nenhuma proximidade e o porquê ela estaria pedindo ajuda? Isso deixou Alícia com certo receio, deixando ela desesperada para saber se ela estava bem. Era madrugada e ela nem sequer sabia o endereço de Allya, teria que tentar descobrir se estava tudo bem no outro dia.
Então, o dia amanheceu, Allya já estava em Nevada. Ela e sua família, tinham parado para tomar café em uma cafeteria bem conhecida por lá, enquanto isso, Alícia tentava conseguir o endereço de Allya a todo e qualquer custo. Era como se sua vida dependesse daquilo, era como se ela precisasse daquilo para ter certeza que estava tudo bem.
Allya esperava uma resposta de Meg e Liv, para quem ela mandou mensagem informando sobre a sua mudança surpresa, mas para a má sorte de Clifford, as duas não gostaram da noticia e por algum motivo, resolveram bloquear o número de Allya, assim não poderiam mais receber nenhuma mensagem dela.
Tudo era uma grande merda. Tudo aquilo estava tão fora do lugar, como se tudo estivesse de ponta a cabeça, mas infelizmente, aquela seria a nova vida de Allya Clifford e de Alícia Monroe. Ambas preocupadas uma com a outra, mas sem notícias ou informações que poderiam acalmar aqueles corações jovens e um tanto quanto despedaçados, por diversos motivos.