CAPÍTULO 16

721 Palavras
1 - Você conseguiu! Que irado! - Ele pulava e me olhava com um olhar orgulhoso. Eu ainda estava lá, sentado na grama, no mesmo lugar, na mesma posição. O mapa agora tinha um rastro de sangue que ia do lugar que estávamos até a ilustração da cidade. Consegui. Eu tinha conseguido, agora era só seguir o rastro de sangue no mapa, que só perebi quando me levantei que era meu sangue que escorria do meu olho. Tinha usado muita força, meu olho escorria sangue, mas eu estava bem. Apenas limpei o sangue do meu rosto e guardei todas as coisas. Gregory me abraçou. - Ei, nós vamos conseguir, irmão. Eu confio na gente, eu confio em você ! - Ele me falou e consegui sentir a segurança e orgulho que transbordava dele. Não sei se aquilo me acalmou ou me deixou mais nervoso. Não podia decepcioná-los, não podia deixar Ester crescer sem ter uma mãe ao seu lado, não podia! Olhei para ele e sorri. Fomos até Ester que ainda brincava com a borboleta azul e peguei na sua mão. Ela me olhou, sorrindo e eu retribui o gesto. Então, juntos, fomos na direção que o mapa indicava. Eu estava começando a sentir uma pequena porcentagem de esperança brotar do fundo do meu peito. 2 Chegamos em um ponto da floresta em que só haviam árvores e mais árvores. Todas iguais: Altas e finas, com folhas largas e compridas no topo. Juro que se não tivesse um mapa teria me perdido. - O sol já vai se pôr - Gregory aparentava estar exausto. - Precisamos parar em algum lugar. - Você aguenta andar mais? - Perguntei, tentando parecer forte, mesmo estando tão cansado quanto ele. Ele não respondeu. - Podemos parar, então. - Falei, aliviado. - Ali! - Gregory indicava algum lugar com a mão direita. - Aquele lugar parece ser bom. Olhei, procurando esse tal lugar. Era difícil enxergar com os raios do sol refletindo no meu olho conforme o mesmo se escondia atrás das montanhas, levando consigo a claridade e deixando apenas a escuridão gelada. Achei. Eram umas 3 pedras bem grandes, que juntas formavam um ótimo abrigo para passar a noite. Bom, era melhor que nada. Corremos até lá o mais rápido que conseguimos. Uau! Não eram apenas essas 3 pedras, mas sim muitas pedras e muitos outros possíveis abrigos. E pelo menos naquela parte, as árvores finas e altas que me deixavam tonto haviam sido cortadas, era possível reconhecer alguns troncos caídos. - Isso vai ser incrível! - Gregory sorria, olhando para todas aa pedras e madeirra em volta de nós. - Vamos? Apenas sorri e assenti. Procuramos o maior "abrigo" de pedra que dava para enxergar com o restante de iluminação do sol que quase não enxergávamos mais. Ele era bem espaçoso, mas ao mesmo tempo era minúsculo. A única que conseguia ficar de pé era Ester, por ser a mais baixa. Eu e Gregory ficávamos no máximo de joelhos. Colocamos as mochilas no canto e pegamos comida. Eu peguei uma tigela com frutas para nós três. Cada um pegou uma colher e dividimos. - Ei, Ester - Gregory reclamou com a boca cheia de comida - Para. Você é a que mais está comendo e é a mais nova. Já chega, é para deixar para nós também! - Eles fez um gesto com as mãos, indicando a mim e a ele. - Para de ser chato. - Ela respondeu, com cara de brava. - Eu quero mais, Victor! Eu olhei para os dois, mas ambos me ignoraram e ficaram se encarando. - Me dá isso aqui. - Gregory agarrou a colher de Ester e tentou puxar de sua mão, mas ela segurou com força e começou a chorar. - Ei! - Gritei, quase sem enxergar eles por conta da pouca quantidade de luz. - Parem. Os dois! - Mas ela está comendo tudo, Victor! Você não está vendo isso? - Gregory me questionou, soltando a colher da minha irmã. - Ele que é chato e guloso, Victor. Bate nele! - Ester cruzou os braços me olhando. Eu tentei me segurar, mas acabei soltando uma risada. Eles me encararam e estranhamente começaram a rir também. Ester não perdeu tempo, e enquanto ríamos, ela enfiou a colher na tigela de frutas picadas e encheu a boca.
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