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Endereços, fotos, um mapa em branco... Como isso poderá nos ajudar a encontrar Eloah? - pensei, e o mapa começou a tremer. Uma névoa envolveu o mapa em branco, e as coisas começaram a surgir nele. Uma floresta. Aquela floresta. Uma cidade.
- Uau! - Gregory falou, surpreso. - Você que fez isso? Pelo visto está aprendendo alguma coisa, maninho. - Riu com deboche.
- Acho que sim... - Respondi, sem emoção.
Olhamos para todos os cantos do mapa que se formava. Ester parecia muito empolgada e curiosa.
- Aqui! - Gregory falou, apontando para um ponto do mapa. - Olha isso.
Havia um símbolo que brilhava no mapa, ele era idêntico ao amuleto que a Octar nos entregou.
- É aqui que estamos. - Afirmei, apontando para o mesmo ponto que Gregory. - O mapa rastrea o amuleto que a Octar me deu, ou seja, onde o símbolo do amuleto estiver no mapa, é onde estamos!
- Então, se nós perdermos o amuleto... - Ele me olhou, preocupado.
- O mapa se torna inútil para nós... - Completei.
Ester nos olhava, provavelmente sem entender nada. Ela parecia estar bem, mas os olhos tristes entregavam o medo e a saudade da mamãe.
Eu ainda não tinha entendido o motivo de nós três termos sido escolhidos para essa missão, não faz sentido algum!
- Então, já sabemos como usar o mapa. Agora vamos para os endereços e fotos... - Continuei, com calafrios e medo de sermos encontrados pelos vampiros.
- Cada foto deve ser do dono de cada endereço. - Gregory falou, coçando o braço que estava com algumas picadas de mosquitos. - Faz sentido.
- Não... - Analisei. - Há mais endereços que fotos.
- Então, o que significa? Vamos descobrir rápido, eu não aguento mais esse mosquitos desgraçados! - Ele reclamou dando tapas nos próprios braços e pernas.
- Isso que dá não tomar banho. - Falei para descontrair.
Ele me olhou com um sorriso debochado - Nossa, você é super engraçado, irmão.
Eu ri, mas continuei falando - Talvez as fotos sejam de pessoas que precisamos encontrar para chegarmos até Eloah.
- Talvez. - Meu irmão concordou, agora coçando a cabeça e sacudindo o cabelo. - Por que esses mosquitos não perturbam vocês também? Que m***a!
- Foco! Deixe os pobres mosquitinhos brincarem em você. - Dei uma risada e me voltei para os endereços. - Feitiços de rastremento, É isso!
- O que? - Ele me olhou, confuso.
- Podemos usar as fotos e o mapa para encontrarmos essas pessoas com um feitiço de rastreamento. - Eram 3 fotos, cada uma com um homem diferente. O primeiro parecia ter uns 40 anos e tinha uma barba escura; O segundo tinha aproximadamente 20 anos e o topete loiro chamava a atenção, e o último devia ser um idoso de uns 70 anos. - O que me diz?
- E você sabe fazer isso? - Ele perguntou, como se eu fosse completamente incapaz de um feitiço assim.
- Eu fiz uma vez, a professora me ajudou, talvez eu consiga com a ajuda dos livros de magia que a Octar nos deu.
- Então faz logo - Gregory disse, jogando as fotos para mais perto de mim. - Esse lugar me dá arrepios.
Olhei para trás e vi Ester brincando com uma borboleta que voava em volta dela e de vez em quando pousava nas ondas de seus cabelos que agora estavam dourados com a luz do sol refletindo.
Abri uma das mochilas, mas lá só estavam as espadas e algumas comidas, então fui para outra e lá estavam os livros de magia. Só nesse momento percebi que alguém havia colocado um livro de fantasia que eu estava lendo na biblioteca da aldeia. Provavelmente fora mamãe, ela sabia o quanto eu estava empolgado com essa história.
Eu estava na parte que a mocinha chegava no reino que o seu amado vivia. Mas ela era uma simpes humana, então o amor era p******o, por isso ela bebeu a poção mágica e se matou, se jogando no oceano. Mas voltou a vida como um ser mágico.
Queria muito saber o resto da história, e mamãe guardou o livro na mochila para que eu tivesse uma forma de distração nessa missão.
Espelhei todos os livros de magia pela grma. Gregory me encarava. Peguei um com o título: "MAGIAS SIMPLES. 2° ANO. ". Pensei que o feitiço de rastreamento poderia estar lá, pois foi ensinado no segundo ano. Eu estava certo, foi bem fácil encontrar o feitiço na metade do livro.
Li várias e várias vezes, até estar completamente gravado em minha mente. O sol já estava centralizado no meio do céu, devia ser 12:00h.
Coloquei o mapa na minha frente e segurei a foto do homem que aparentava ter uns 40 anos, era áspera e suja. Fechei os olhos e me concentrei.
Tentei invadir minha própria mente e suas barreiras, tentei agarrar a magia e o poder com meus longos e magros braços, tentei me misturar com a magia, fazer de nós um só. Eu tentei ir além do universo, além da magia, além do possível e além do impossível, senti minha alma desgrudar do meu corpo, arrancando cada nervo e músculo, cada osso e cada gota de sangue. Senti meu corpo secar e evaporar, até nascer um vácuo escuro e eterno, senti a névoa, a magia, o cheiro e o gosto. Eu não era nada, mas ao mesmo tempo era tudo, era o vácuo e era cada molécula de ar, cada pedaço do universo se remexia dentro de mim. Uma sensação de prazer percorreu tudo, a luz tomou conta da minha mente e da escuridão. Abri os olhos com Gregory rindo e comemorando enquanto olhava pro mapa.