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— Meninos, estou muito orgulhosa de vocês, e acredito no potencial de cada um. Bom, não preciso explicar mais nada, Jocelyn já fez isso por mim. Gostaria de explicar o motivo de vocês serem os únicos que podem salvar a todos, mas acho que será melhor vocês entenderem com o passar dos dias, ou meses, ou anos, quem sabe. Bem, queridos, peguem isso — A Octar nos entregou 3 mochilas, uma para cada. — Aí dentro tem tudo de que vão precisar... Foi um prazer conhecê-los, meus pequenos. Olharei vocês do Pós-mundo... — A velhinha respirou fundo.
— Por que está dizendo isso, senhora? Vai viver muito ainda! — Lizz falou, tentando trazer energias positivas. Só depois percebi que não reparei quando ela chegou perto da gente, mas não dei importância.
—Oh, não, querida — Octar gargalhou — Eu sei das coisas, não estarei presente por muito tempo. Ela falou de uma forma super tranquila sobre a morte. Era bizarro. Um barulho surgiu. Vinha lá de cima, da aldeia.
— É melhor vocês irem logo. Temos muita coisa para resolver. — Octar falou, tossindo.
Como faço para saber quando minha mãe se tornar a Octar e apagar? Só vou saber pelo amuleto? — Pensei.
— Olhe para o céu, pequenino. Você verá um clarão. Será nesse momento. — A velhinha respondeu. Ela tinha feito aquele lance de ler a mente de novo. Se eu não estivesse pensando em vários problemas teria achado isso incrível.
Era o momento... Hora de partir. Olhei para mamãe, ela me olhava como se fosse um adeus. Era h******l. Olhei para o lado e só nesse momento percebi que Gregory e Ester estavam chorando. Eu fui até mamãe e a abracei uma última vez pelos próximos dias. Estava aconchegante e quentinho, não queria sair de lá nunca mais.
"Eu te amo, e sempre te amarei, meu campeão." — Mamãe falou baixinho no meu ouvido. Eu olhei para ela uma última vez e tentei guardar aquela imagem na minha memória.
Sem demorar, peguei Ester no colo, olhei para Gregory, fazendo um sinal com os olhos e saímos, os três juntos indo até a saída que estranhamente eu sabia onde ficava. Octar tinha feito um feitiço de localização, provavelmente.
Seguimos sem olhar para trás. Seria menos doloroso se eu apenas fosse em frente.
— Como você sabe para onde estamos indo? — Gregory me perguntou, ainda com voz de choro.
— Não sei. Eu só sei... — Respondi, com um nó na garganta. Chegamos em um arco gigante. Parecia um imenso portão de quartzo.
— É aqui. — Afirmei.
— Só precisamos passar? — Gregory olhava para cima, focando no ponto mais alto do arco de quartzo.
— Eu acho... acho que sim. — Respondi sem ter certeza. Peguei na mão de Gregory e encostei o pescoço de Ester no meu ombro e passamos pelo portão. Uma barreira invisível se movimentou quando passamos, mas não nos impediu de atravessar. Só era um pouco densa. Respirei fundo, olhei para a frente, ergui a cabeça e segui indo em direção às montanhas que ocupavam a nossa visão. Não sabia ao certo o que estava fazendo.