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— Minha mãe? Ela vai se tornar a Octar por ser a única bruxa de alma pura? Isso não faz sentido!
— Sim... Sua mãe foi criada pela Pedra Da Vida, isso a torna pura por completo, imortal e única. Vocês já sabem dessa história. — A Octar concluiu.
— Filho, é por uma boa causa... — Minha mãe falou, se aproximando de mim.
— Não importa. É óbvio que eu quero! Imagina minha mãe sendo a dona disso tudo! — Me empolguei tanto que até levantei da cadeira.
— Jovem, mas há uma consequência. — Hayla respirou fundo novamente. — A transferência do cargo de Octar é feito aos poucos por conta da quantidade de poder. A potência é muito forte, se passassemos tudo para sua mãe de uma vez, ela não resistiria e morreria. A transformação dura no mínimo 2 meses. Não temos esse tempo.
— E então? O que vocês vão fazer? — Questionei, me sentando novamente na cadeira de pedras. Minha mãe e Hayla se entreolharam.
— Filho... é complicado... — Mamãe falou, chegando perto de mim. Ela se agachou para ficar da altura da cadeira e acariciou meu rosto. Eu estava me sentindo tenso e ansioso. Era h******l.
— Sua mãe precisará ficar em uma espécie de sono profundo. — A Octar falou, simplesmente assim. Curta e direta. — Quase que morta...
Eu não sei por quanto tempo fiquei paralisado, mas creio que tenha sido por muitos segundos. Sabe aquela sensação de sentir que por um curto período de tempo sua alma saiu do corpo? Foi exatamente isso. E de alguma forma, eu sabia que estava completamente pálido. Também não sei exatamente quando voltei para a realidade, mas tenho a impressão de que foi com minha mãe balançando meu braço e chamando por "Victor! Filho... Ei!"
— ahm... mãe... desculpa! — Eu falei, de cabeça baixa, pressionando os olhos. Antes que mamãe pudesse responder, Hayla continuou
— Crianças, todos nós estamos dependendo de vocês...
Eu arqueei as sobrancelhas, questionando.
— Mas... — Olhei para trás rapidamente, vendo Lizz chegar com Ester no colo.
— Nós somos apenas crianças... Como vamos ajudar? Isso é loucura! — Questionei, suando frio. — Eloah... Ela não irá nos ajudar se vocês não forem até ela. — A Octar explicava. — Que!? Isso não faz sentido! — Eu respondi, colocando a palma das mãos na cabeça. — Quem diabos é Eloah?
— Vocês precisarão dela para nos salvar. Ela é a chave principal. Sem ela, nada será resolvido. — Hayla respirou fundo mais uma vez. — Não cabe a mim explicar o motivo de vocês serem os únicos que podem ajudar. Mas eu vos garanto que irão descobrir... Apenas confiem em mim!
Não consegui dizer nada, apenas abracei minha mãe que chorava muito. Nem percebi, mas Gregory também nos abraçava por trás, e Ester estava assustada abraçando a perna de Lizz, que acariciava seu cabelo carinhosamente. Quando nos separamos, mamãe falou baixinho no meu ouvido: "Me espere lá fora, no Salgueiro." Eu assenti e saí, indo em direção a árvore mais bonita que já vira em toda a minha vida. Um Salgueiro azul fluorescente. Era enorme. Por um segundo me senti calmo e completamente relaxado. Andei até a ponte de madeira ao lado do Salgueiro que atravessava um rio nebuloso. Não sei ao certo quanto tempo mamãe demorou para aparecer, mas provavelmente não foi muito mais de 10 minutos. Quando ela chegou, só consegui reparar na sua beleza. Seus olhos, seu cabelo, até as sardas chamavam a atenção.
— Oh, meu amor. Como está se sentindo? — Mamãe me perguntou levantando os braços para me abraçar. Eu também a abracei.
— Eu... estou confuso... e com medo... — Tentei conter um lágrima que se formava no canto do meu olho, mas não consegui. Senti a gota escorrer até a ponta do meu nariz e logo em seguida cair. Acho que minha mãe sentiu a lágrima quando tocou em seu ombro.
— Victor... Não chore, vai tudo sair bem! — Ela afastou o meu rosto e enxugou as lágrimas, os dedos macios como algodão. Será que ainda iria sentir aquele toque em algum momento da minha vida?
— Mãe, por favor, eu não posso fazer isso. Eu nem sei cuidar de mim mesmo, imagina salvar a aldeia e o mundo! — Falei, agora deixando as lágrimas escorrerem normalmente.
— Ei, meu bem, escute. Você consegue! Eu sei que consegue. Você é um Bannison, consegue fazer qualquer coisa! — Ela sorriu, acariciando meu cabelo. Foi o primeiro sorriso dela que eu reparei naquele dia. Tentei memorizar aquela cena, não sabia quando poderia ver mamãe sorrindo novamente.
— É, eu sou um Bannison... — Tentei retribuir o sorriso, mas não sei se fui convincente o suficiente... — Tem como... recaptular o que eu vou ter que fazer? Quero acabar logo com isso.
— Claro, meu amor. A Octar irá te entregar um mapa e um amuleto. Esse amuleto servirá de cronômetro. Há uma pressão mágica dentro dele que se iguala a pressão mágica existente no meu corpo. A partir do momento que a Magia Original da Octar for passada para mim, uma névoa vai aparecer dentro do amuleto. Conforme a magia for tomando conta do meu corpo e da minha alma, a névoa do amuleto vai começar a subir, assim, quando a névoa chegar no topo do amuleto, significa que a magia me corroeu e eu estou prestes a entrar em colapso, liberando a magia pelo mundo. E é justamente por isso que precisamos de vocês, enquanto eu estiver desacordada, vocês irão atrás de uma pessoa chamada Eloah, ela é a única que pode salvar o mundo. Estamos todos nas mãos dela. — Durante a explicação, ela havia soltado meu rosto.
— Mas por que eu, Gregory e Ester? Nós m*l sabemos usar nossa magia! — Bati a mão com força na madeira da ponte.
— Um dia vocês saberão o motivo, mas no momento, apenas confiem em mim. Por favor. — Os olhos dela estavam curvados para baixo, com um ar triste. Não pude falar mais nada. Hayla, a Octar passou atrás de minha mãe, nos chamando.
Mamãe olhou nos meus olhos e perguntou:
— Está pronto? — Eu assenti, apesar de não estar nem um pouco pronto. Antes de sairmos em direção a Octar, eu perguntei a mamãe:
— Mãe... Nós ainda vamos nos encontrar?... — Estava com medo da resposta. Angústia tomou conta de mim. Sentia meus nervos tremerem e os músculos do pescoço enrijecerem.
— Meu amor... Eu te amo e tenho orgulho de ter você como meu filho, Independente de como isso tudo vai terminar. E está na hora de você voar, e ensinar seus irmãos a baterem as asas... É assim que as coisas funcionam, meu amor. Eu vou ficar bem, junto de seus outros irmãos. Flora e Peter vão ficar aqui cuidando de mim. Só quero te pedir uma única coisa: Não se esqueça de mim, nunca. Tudo bem? Eu vou estar aqui, esperando por você, mesmo que inconsciente. — Ela enxugou uma lágrima que escorria pela sua bochecha. — Vamos? Meu campeão! Nós sorrimos e de mãos dadas fomos ao encontro de Hayla.