Ayla achou graça ao mesmo tempo, em que sentiu o coração pesar, no passado achou que quando aquele momento chegasse, Marco estaria com eles para aconselhar o filho. Sorriu apesar da dor aguda que a atingiu.
- Uma garota se apaixona por um homem quando ele tem aquilo que falta nela. Assim como o seu pai tinha tudo o que faltava em mim. Você é bonito, inteligente e gentil, qualquer garota teria muita sorte se tivesse o seu coração.
- E como eu descubro o que falta na garota que eu quero?
Ayla respirou um pouco mais fundo antes de responder o que realmente acreditava.
- Não descobre, as vezes nem a gente sabe o que falta na gente.
O clima sereno foi quebrado pelo barulho da confusão que ao longe, apesar do cansaço, a israelense assumiu uma postura protetora, puxou os filhos para dentro da casa de Elijah e se abaixou de frente para Eva.
- Fica com o seu irmão, ouviu? Obedece ele
Saiu, mas assim que chegou à porta, gritou para o filho.
- Joshuá cuida dela e não sai!
Ayla saiu e encontrou uma cena assustadora, Elijah estava em cima do homem que antes estava sem camisa e agora estava vestido com próprio sangue.
Ela correu até eles e gritou, os outros peões não tentaram impedir o patrão, tinham regras e sabiam que Elijah se perderia na própria raiva.
- ELIJAH!
A voz de Ayla entrou pelos ouvidos de Elijah como um torpedo, sentiu medo de que ela o visse como um bárbaro, parou e o peão que até aquele momento estava levando a pior, aproveitou para puxar uma faca e cravar no braço do patrão.
Os amigos o seguraram e tiraram o homem de perto de Elijah, a israelense se ajoelhou ao lado dele, a terra que o vento trazia se misturou ao sangue, ele teria tirado a faca e seguido o peão, tinha contas a acertar e aquele corte não era nada perto do que estava acostumado, mas amou ver a preocupação de Ayla, o jeito como ela o olhava fez com que a raiva se desfizesse.
Chegou a dar um sorriso arteiro antes de brincar.
- Acho que gosta de sangue, está sempre cuidando de mim.
- O que foi isso, Elijah, o que a gente fez? Está nervoso com alguma coisa que o Joshuá falou? A gente pode ir embora, só me deixa dar um banho nas crianças.
Elijah percebeu que a israelense não tinha entendido o que estava acontecendo, nem mesmo ele planejava que as coisas chegassem tão longe.
- Eu adoro vocês, linda! Gostei do Joshuá muito antes de saber que ele era o seu filho.
Conheceu Ayla no rancho, ela estava a trabalho, a contadora da segunda organização mais poderosa do mundo, pensar em uma mulher naquela função era quase impensável, mas quando a viu, achou que tudo fazia sentido, ela combinava com o poder que tinha, não era uma mulher comum, ao menos não a seus olhos.
- Vem, eu cuido de você e aí me explica o que aconteceu.
Elijah não pretendia falar, mas aceitou o convite e se levantou, fingiu uma tontura só para que ela o segurasse.
- Você está bem?
Perguntou para ele e antes da resposta gritou por ajuda para um dos funcionários do rancho, mas foi interrompida.
Elijah endireitou a postura, retirou a pequena faca que tinha ficado cravada em seu músculo, jogou a lâmina no chão e pressionou a ferida, falou com a voz forte com o homem que se aproximou.
- Estou bem, soldado. Vote para o seu posto!
Ayla percebeu a mudança de postura e resolveu brincar também, ficou claro que Elijah estava se aproveitando da situação.
- Acho melhor que ele te carregue, se desmaiar não vou conseguir te segurar.
- Estou bem, linda. Vem, precisa descansar e eu mandei colher nêsperas para você.
Com ela a voz foi suave, uma suavidade que ele não tinha, não lhe pertencia, cresceu na máfia, aprendeu a lidar com a dor, a ser duro e ignorar os sentimentos, quando teve idade e dinheiro o bastante para fazer as próprias escolhas se refugiou em um rancho, encontrou prαzer na vida rústica daquele lugar, em carregar peso, domar cavalos, montar touros em rodeios e cuidar dos potros.
Gostava de lidar com aqueles homens, mesmo que nem sempre concordassem, agora se arrependia da liberdade que ele mesmo havia dado.