Capítulo 2 - Turbulência alcoólica

1413 Palavras
O aeroporto fervilhava ao redor delas enquanto as garotas cambaleavam, ainda sofrendo com a ressaca que gritava mais alto que os anúncios de embarque, enquanto voltavam para casa, em Londres. A família de Zara realmente se superou desta vez, comprando passagens de classe executiva para as garotas como presente de aniversário. As garotas não estavam reclamando, ansiosas por uma boa dose de bebidas e as comemorações finais no avião. Aurora caminhava ao lado de Zara, Isla, Alina e Liv, segurando um latte gelado com três doses de café expresso que só fez efeito pela metade. Seus rostos ainda mostravam os efeitos das bebidas e aventuras da noite anterior, mas elas estavam se saindo bem, conversando, rindo e já planejando quantas bebidas mais poderiam tomar antes do embarque. Na verdade, Liv já estava dando um gole em sua mimosa, com os olhos brilhando como se estivesse de férias por tempo indeterminado. --------------------------------------------------------------------- As horas passaram num turbilhão de bolhas, risos e histórias aleatórias enquanto as garotas bebiam mais um pouco no avião. O cérebro de Aurora estava agradavelmente confuso, e ela estava eufórica, numa mistura de exaustão e empolgação. Em algum momento entre a terceira e a quarta rodada de bebidas, ela percebeu que precisava ir ao banheiro. "Vou ao banheiro, já volto!" anunciou Aurora, levantando-se cambaleante da poltrona. Sua personalidade ousada e extrovertida estava a todo vapor, mas seu senso de direção também estava claramente de férias. Em vez de virar à esquerda em direção aos banheiros da classe executiva, ela foi para a direita, passando pela cortina que dividia as seções. Primeira classe. Ela piscou, o ambiente luxuoso brilhando levemente em sua visão turva. E sentado lá, como uma espécie de deus grego, estava ele. Sr. Sério. Sua presença era magnética, seus olhos escuros fixos em um laptop, os dedos deslizando pelas teclas sem esforço. Seu coração disparou, chocado e emocionado ao mesmo tempo. O universo realmente não conseguia mantê-los separados. Sua ousadia, ainda um pouco embriagada, tomou conta, e ela caminhou até o apoio de braço perto dele, planejando sentar-se ali casualmente. Mas o mundo girou, e em vez de se acomodar graciosamente ao lado dele, ela acabou caindo direto em seu colo. A mão dele foi para sua cintura, amparando-a com uma delicadeza surpreendente. "Cuidado, princesa", disse ele, com a voz baixa e suave, o suficiente para fazê-la corar ainda mais. "Ops", ela riu, com as bochechas em chamas. "Não acredito que seja você, Sr. Sério." "Ainda bêbada, vejo." E com isso, a mente de Aurora começou a tagarelar sem parar. "Eu não estou bêbada", disse ela, cambaleando levemente enquanto se movia para sentar ao lado dele, só que calculou m*l a altura do apoio de braço e praticamente deslizou de volta para o colo dele. Ela olhou para ele novamente, com os olhos arregalados e as bochechas rosadas. "Tá bom... talvez só um pouquinho." Ele não sorriu, claro que não. Mas havia algo no leve tremor no canto da boca que indicava que ele estava se divertindo. Muito se divertindo. "É aniversário da Zara, então, obviamente, tomamos mimosas no café da manhã", explicou ela com seriedade. "E aí a Alina pediu champanhe e a Zara insistiu em tequila e agora eu estou aqui... o que eu não planejei, aliás, então eu não estaria bêbada se não fosse por elas... talvez", ela franziu a testa, as sobrancelhas se contraindo enquanto pensava em como tinha ido parar ali. Lucian não disse nada, mas aqueles olhos azuis percorreram o rosto dela como se ele estivesse memorizando cada pequena expressão que ela fazia. Aurora se inclinou para frente, semicerrando os olhos como se o estivesse inspecionando. "Como seus olhos são tão azuis? Eles não são de verdade, né?" Isso lhe arrancou um suspiro quase inaudível. Não chegou a ser uma risada. Mas quase. Ela aceitou. Ela continuou, as palavras jorrando como champanhe de uma garrafa agitada demais. "Aliás, tenho um emprego h******l lá em casa. Sou garçonete num lugarzinho h******l que cheira a óleo de fritura e a gente velha esnobe. E às vezes penso em desistir, mas aí lembro que gosto de comida. Às vezes. E também de gorjetas. Ah, e preciso do dinheiro, não sou rica, sabe?" Lucian não a interrompeu. Não disse nada. Apenas a encarou, um braço ainda delicadamente apoiado em sua lombar, como se estivesse pronto para ampará-la caso a gravidade resolvesse se comportar m*l. De repente, ela olhou por cima do ombro dele, o leve farfalhar da cortina chamando sua atenção, e seu coração deu um salto. "Ai, não", sussurrou ela, os olhos pousando em quatro rostos muito familiares espiando pela fresta. "Minhas meninas." Isla, Liv, Alina e Zara observavam através da pequena a******a na cortina, com expressões que variavam de confusas a totalmente indiferentes. Zara, a aniversariante do dia, ergueu uma sobrancelha e tomou um gole de champanhe. Liv apenas balançou a cabeça lentamente, como se fosse exatamente o que esperava de Aurora. Alina murmurou algo como "meu Deus", e Isla apertou os lábios para conter o riso. Aurora sorriu e acenou dramaticamente como uma princesa bêbada em um desfile. Foi então que a aeromoça apareceu com postura rígida, coque impecável e voz tensa. "Senhora", disse ela secamente, entrando em cena como uma nuvem de tempestade indesejada. "Ei! Você não pode ficar nesta seção. Terá que retornar ao seu assento na classe executiva." Ela a encarou mortalmente, olhando-a de cima a baixo com uma sobrancelha arqueada. Aurora imediatamente se encolheu, piscando para ela e engolindo em seco, nervosa. "Ah." "Desculpe, eu não queria..." Ela olhou para o Sr. Sério, o coração acelerado porque a presença dele a fazia se sentir segura e selvagem ao mesmo tempo. "Ela vai ficar", disse a voz grave e profunda ao seu lado. Lucian nem sequer desviou o olhar do rosto de Aurora o tempo todo, mas o tom de sua voz fez a atendente congelar como se uma bomba tivesse caído sobre ela. Seus olhos alternaram entre Aurora e ele, a compreensão surgindo. "Claro, senhor", disse ela com um sorriso forçado, recuando rapidamente como se tivesse sido dispensada pela realeza. As sobrancelhas de Aurora se ergueram. "Você acabou de... despachá-la?" Lucian voltou para o laptop sem responder, já acostumado demais com as travessuras da garota sem nome, para ele, e agindo como se sua declaração não tivesse acabado de colocar uma mulher adulta em modo de luta ou fuga. Literalmente. Aurora, completamente impressionada, encostou-se nele novamente. "Você sempre consegue o que quer? Como assim…?" Lucian finalmente olhou para ela novamente. "Quando importa." E isso a fez calar por uns três segundos. Então, "Você acha que as flores têm sentimentos?" Ele piscou uma vez, inclinando a cabeça sutilmente. "Tipo, eu sempre me pergunto se as rosas são divas ou se são incompreendidas. Eu gosto mais de peônias, sinceramente. Elas são mais fofinhas. Mas, pensando bem, você já viu tulipas?" Elas são tão lindas, definitivamente os meus favoritos, mas me sinto m*l por deixar os outros de fora...” Ela franziu a testa. Lucian apenas a olhou. Ela podia sentir a leve pulsação do peito dele sob a mão, onde a havia apoiado sem pensar. O coração dele batia firme. Completamente calmo. Ao contrário do dela, que parecia estar dando um tango completo nas costelas. Ela bocejou no meio da fala, piscando lentamente, e então encostou a cabeça levemente no peito dele. "Você está quentinho", murmurou, com a voz ficando mais suave. Lucian olhou para ela. Aurora ainda estava falando. Mais ou menos. "Não acredito que você está neste avião." Você é como... uma piadinha estranha do destino." Ele não respondeu. Não em voz alta. Mas isso não significava que discordasse. Mas, à medida que a respiração dela se acalmava e sua cabeça se aconchegava mais perto, ele a ajeitou um pouco, envolvendo-a com um braço para acalmá-la. Ela não se mexeu. Não se moveu. Apenas se deixou ser abraçada. Ele olhou para frente por um longo momento, em silêncio. Então, com um último olhar para a cortina onde suas amigas haviam desaparecido e para o laptop aberto à sua frente, ele suspirou, não de frustração, mas com algo mais próximo de uma satisfação relutante. Talvez seu jato particular quebrado fosse a melhor coisa que lhe acontecera naquele dia. Porque, enquanto Aurora sonhava baixinho, sem saber que estava sendo embalada por um dos maiores bilionários do mundo, Lucian, CEO de mais empresas do que qualquer um se importava em contar, um homem que raramente abria mão do controle... agora? Ele a soltou.
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