Kate.
Não era ressaca.
Era pânico.
Sento na minha mesa e pego o celular.
EU: Quem fez isso?
Não tenho o nome completo deles salvo. Só iniciais. Nunca usamos nomes em mensagens.
Três minutos depois:
S: Estamos trabalhando nisso. Foi uma surpresa para nós também.
Meu estômago se contrai.
EU: Ele já fez alguma coisa sobre isso?
Sergei sabe exatamente de quem estou falando.
S: Não. Ele está investigando.
Claro que está.
Oliver. Se ele descobrir que fui eu…
EU: Ele vai descobrir que fui eu. E então?
Ele demora alguns segundos para responder.
S: Venha até nós se estiver em perigo.
Eu sabia que ele diria isso. Sei que posso contar com eles.
Mas meu instinto grita outro nome.
Oliver.
Mesmo sendo eu quem causei tudo isso.
Mesmo sabendo que ele deveria me odiar.
EU: Obrigada.
Não há mais nada a dizer.
Deixo o celular sobre a mesa e encaro a tela do computador, onde meu próprio nome ainda brilha no topo da página.
O que diabos eu faço agora?
Ainda sinto como se houvesse uma sombra me seguindo. Depois de ser observada por aqueles três homens, a sensação ficou ainda mais ameaçadora. Antes, era apenas a impressão de estar sendo vigiada — algo que me assustou o suficiente para ir até Oliver pedir ajuda. Agora é diferente. Não consigo explicar por quê. É pura intuição.
É como se essa presença invisível estivesse se aproximando cada vez mais.
Já faz três dias desde que os artigos vazaram, e, toda vez que saio de casa ou do trabalho, sinto um arrepio percorrer minha espinha, algo que não tem nada a ver com o clima. É como se algo estivesse apenas à espreita… observando-me… esperando o momento certo para atacar.
Ontem à noite vi Sergei e Anton e contei a eles sobre isso. Eles não ficaram satisfeitos. Disseram que eu deveria ter contado imediatamente. Agora eles se revezam para me proteger pessoalmente.
Um sedã preto está exatamente onde Anton disse que estaria.
Tenho evitado o metrô ultimamente. Os custos aumentam, mas tenho usado Uber ou inDrive O sedã fica na esquina onde encontro meu motorista. Anton e Sergei organizaram tudo para que pudessem me ver desde o momento em que saio até entrar no carro, e então me seguem até o destino.
Estou completamente despreparada para ver Oliver sair do sedã preto, ajustando o paletó com movimentos calmos e precisos.
Fico parada por um instante, olhando para ele tempo demais. Não sei como ele faz isso, mas sempre consegue me encontrar quando estou prestes a perder o equilíbrio. Ele me puxa para perto antes que eu escorregue na calçada, e minha bochecha se apoia contra o seu peito.
Ele hesita por um segundo antes de envolver os braços ao meu redor.
— Obrigada — consigo sussurrar com dificuldade.
— Você está bem agora, pequena espiã.
Mas não estou. Estou muito longe de estar bem.
Quando dou um passo para trás e encontro seu olhar, as minhas barreiras se rompem.
Lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto soluço. Aqueles poucos segundos em que ele me segurou foram o único alívio que tive desde a noite em que ele saiu do meu apartamento, irritado e magoado. Agora acabou. Volto a estar sozinha.
Isso significa que terei de descobrir tudo sem Oliver, porque fiz mais do que apenas ouvir algumas conversas.
— Kate?
Faz apenas quatro dias que não o vejo, amo quando ele chama por mim, mas parece uma eternidade que não o vejo.
Solto outro soluço, minha garganta queimando. Não sei para onde olhar. O único lugar onde desejo buscar consolo é justamente o lugar onde não posso ir.
— Kate, vamos conversar. Aconteceu alguma coisa hoje?
Concordo com a cabeça, mesmo sem saber exatamente qual emoção estou sentindo.
Ouço uma buzina e levanto o olhar, percebendo que é meu motorista do Uber.
— Tenho que ir, Oliver. É o carro que eu pedi.
— Não.
Ele olha por cima do ombro.
— Jake, resolve isso.
Vejo um homem que não conheço sair do banco do motorista do sedã. Ele caminha até o carro de aplicativo e estende uma única nota. O vento faz o papel balançar antes de revelar o valor: cem dólares.
O motorista praticamente arranca a nota da mão de Jake.
— Ele não precisava pagar pela minha corrida. Isso não está certo — digo.
— Ele não vai.
— Mas…
— Kate, vamos.
Ele agarra meu braço logo acima do cotovelo e me puxa para frente até chegarmos à porta aberta do carro.
Por um breve momento, tenho certeza de que Oliver nunca me machucaria fisicamente. Ainda assim, o pânico cresce dentro de mim.
Antes que eu possa reagir, ele se vira e me beija.
Minha resposta é imediata.
Preciso disso mais do que da próxima respiração.
Preciso sentir que consigo sobreviver a mais um dia.
O medo se dissolve.
Não sinto medo agora. Apenas desejo — desejo ser cuidada, desejada, protegida.
O frio da rua parece desaparecer quando ele me envolve, como se pudesse ser o dia mais quente e ensolarado do verão.
— Papai — murmuro sem pensar, e então congelo.
Oliver não perde o ritmo.
— Isso mesmo, minha boa menina.
— Oliver, eu…
— Entre no carro. Vamos para minha casa no Brooklyn. Conversaremos quando chegarmos. Não é lugar para discutir isso aqui. Já ficamos parados tempo demais.
Meu olhar percorre o ambiente, tentando encontrar qualquer coisa fora do comum.
— Pequena, você não veria isso agora. Precisamos ir — ele diz.
Deixo que ele me guie para dentro do carro antes de entrar atrás de mim e fechar a porta.
O veículo m*l se afasta do meio-fio quando lembro da última vez que estive sozinha com ele em um carro. Então sentei em seu colo.
Não acho que isso vá acontecer de novo. Ele sabe disso. Tenho quase certeza.
É por isso que está aqui.
É por isso que precisamos conversar.
Olho pela janela enquanto as lágrimas continuam a cair silenciosamente. Tento não fazer barulho, fingindo apenas observar os pedestres na rua.
Sinto o cinto afrouxar e, antes que perceba, suas mãos estão ao meu redor, levantando-me para seu colo. Ele me acomoda contra o peito, segurando minha cabeça.
— Você vai me contar a verdade, Kate. Toda ela. Vou puni-la, e você não vai gostar, embora, depois, nós dois possamos nos sentir melhor quando terminar. Então seguiremos em frente.
Não quero lutar contra isso.
Tenho alguma familiaridade com b**m. Seja o que ele pretende fazer provavelmente não é muito diferente das práticas que já conheço dos clubes que frequentávamos.
Sei que ele pertence a um.
Nunca tive um relacionamento de Submissão, e dificilmente posso dizer que estamos em um agora.
Mas já fui submissa antes.
Já tive um namorado quando morava em Boston. Não era romântico, mas também não era algo que eu tivesse dificuldade em abandonar quando consegui o emprego aqui. Inscrevi-me porque sabia que era livre para sair quando quisesse.
Se Oliver diz que nós dois nos sentiremos melhor depois, então ele acredita que eu posso liberar minha culpa e que ele será capaz de me perdoar.
Apenas uma dessas coisas parece possível.
Duvido que qualquer uma delas aconteça.
Por enquanto, inclino-me contra ele e continuo chorando.
Sua mão esquerda segura minha cintura enquanto a direita acaricia meu cabelo.
Quando ele beija minha testa, soluço novamente.
— Por que você está sendo gentil?
— Isso faz parte da punição?
Ele fica tenso.
— O quê?
— Não. Por que acha isso?
Engulo em seco.
— Porque, se você sabe o suficiente para acreditar que eu mereço punição, não consigo entender como pode me mostrar um pingo de afeição. Parece… manipulação. Como se estivesse me fazendo acreditar que se importa comigo apenas para me destruir depois.
O silêncio dentro do carro pesa como uma promessa não dita.
O motor do veículo continua seu caminho pelas ruas da cidade, enquanto eu espero sua resposta — temendo que, desta vez, a verdade possa ser pior que qualquer punição.