O sol ainda não tinha subido direito quando Guto estacionou a moto perto da praia. O vento batia forte, trazendo aquele cheiro de maresia misturado com o de fritura dos quiosques que começavam a abrir. Ele tirou o capacete, passou a mão pelos cabelos e respirou fundo. Era assim que ele gostava de começar alguns dias: longe do morro, longe do barulho dos rádios chiando, longe das vozes pedindo ordem, resposta, direção. Lá em cima, todo mundo o conhecia como Guto — o primo do Chacal, o braço direito, o cara que resolvia tudo. Mas ali, de chinelo, camiseta e bermuda, ele era só Gustavo. A areia ainda estava fria. Ele sentou perto da beira, deixando as ondas molharem os pés. O mar tinha aquele som que parecia limpar a cabeça. Era o único barulho que não pesava. Guto pegou o cigarro do b

