Thales Narrando O rádio chiou no meio da resenha. Chiou daquele jeito que não chia à toa. Chiou com estática, chiou com desespero, chiou com aquela urgência que faz o sangue gelar na hora. A voz veio atravessada, gritada, atropelando palavra, com tiro de fundo: — Invadiram a Rocinha! Os homi tão subindo com tudo! Eu nem pensei. Não teve tempo de pensar. Não teve tempo de pesar. O corpo já levantou antes da cabeça processar. Nem terminei o gole da cerveja que tava na minha mão, a garrafa gelada ainda pingando nos meus dedo. Nem olhei pra cara de ninguém. — Segura as contas aí, Pólvora! — falei já levantando, jogando a garrafa no balde de lixo. — Fogaréu, segura essa p***a que eu já volto! Não deixa ninguém passar do limite! Já tava pegando a chave da moto no bolso da calça quando três

