Vulcano narrando Eu parei um segundo no meio da laje, o fuzil ainda quente na mão, o braço ardendo do tiro de raspão — o sangue já seco na manga da camisa, a carne latejando embaixo da pele — e a cabeça fervendo mais que a arma. O cheiro de pólvora ainda entupia o nariz, os ouvidos ainda zuniam de tanto tiro, o corpo ainda tremia de adrenalina. Eu ainda não tava acreditando. O Guilherme teve a cara de paü. A audácia. A covardia. De mexer os pauzinhos pra subir polícia no meu morro. Isso não é coisa de homem. Isso é coisa de rato. Isso é coisa de quem não tem culhão pra encarar de frente, de peito aberto, olho no olho. Rato prefere o escuro. Rato prefere as sombras. Rato morde por trás. E rato quando se sente encurralado começa a morder tudo ao redor — a parede, o fio, o que estiver na

