Naya A biblioteca da mansão é o tipo de lugar em que eu nunca imaginei colocar os pés. Estantes que vão quase até o teto, cheias de livros alinhados em cores e tamanhos diferentes, uma escada de correr, tapete grosso abafando os passos, poltronas de couro que cheiram a coisa antiga e cara. Eu escolhi justamente esse lugar para fugir dos meus próprios pensamentos. Mas eles me seguiram até aqui. Um livro grosso está aberto no meu colo. Contratos matrimoniais, regimes de bens, deveres e direitos. Tento acompanhar as palavras, mas a cabeça insiste em voltar para outro tipo de “contrato”, o que fiz no escuro, deitada numa cama que ainda me parece maior que a minha própria vida. Eu me pergunto, pela milésima vez, quem é o homem que me visita todas as noites. Sei que, no papel, é Afonso

