CAPÍTULO 6 – NO ESCURO DA PRIMEIRA VEZ

1955 Palavras
Naya O quarto está quase completamente escuro, só um fiapo de luz escapa pela fresta da janela, desenhando uma linha fina no chão de madeira. A mansão inteira parece sentir o que vai acontecer comigo. A venda está nas minhas mãos. O tecido é macio, mas meus dedos a apertam como se fosse algo muito mais pesado. — “Durante a noite, você deverá usar uma venda.” A voz de Enrico ecoa na minha memória. A regra. O contrato. O acordo que eu aceitei sem ler as letras invisíveis. Respiro fundo. — Você consegue, Naya — falo pra mim mesma. — É só mais uma coisa que você precisa fazer. Levanto a venda até o rosto. Minhas mãos tremem. Não sei se é medo, vergonha ou a sensação de estar atravessando uma porta da qual não tem volta. Talvez seja tudo isso junto. Prendo o elástico atrás da cabeça. O mundo some. Tudo que sobra é o som do meu coração. Alto demais. Descompassado. Sento na beira da cama, sem saber se devo deitar, ficar de pé, falar alguma coisa. O silêncio é tão denso que eu quase consigo tocá-lo. Então, finalmente, ouço. A maçaneta gira. A porta se abre devagar, com um clique suave. Passos entram no quarto. Firmes, lentos, seguros. Não é o andar desengonçado de alguém bêbado. É o som de alguém que sabe exatamente onde está e o que veio fazer. Meu corpo inteiro fica alerta. Eu não enxergo nada, mas sinto. Sinto um cheiro amadeirado, discreto, extremamente masculino. Um perfume caro, marcante, que gruda no ar. Não tem nenhum traço de álcool. Nenhum cheiro de noitada, cigarro ou suor de festa. — “Não é como eu imaginava.” Eu tinha criado na cabeça a imagem de um homem desleixado, cheirando a bebida, rindo alto e tropeçando em tudo. Mas o que entra no meu quarto é… diferente. Ele não fala. Por longos segundos, tudo que existe entre nós é o som da respiração dele e a minha, falhando. Sinto um arrepio subir pela nuca. — Você está com medo? — a voz vem, baixa, rouca, mais grave do que eu esperava. Engulo em seco. — Eu… não sei — respondo, sincera. Eu estou com medo, sim. Mas também estou curiosa, tensa, confusa. É como se meu corpo estivesse dividido entre vontade de fugir e vontade de entender quem é o homem que divide o sobrenome comigo. Os passos se aproximam mais. O colchão afunda levemente ao meu lado. Eu prendo o ar. Um segundo depois, sinto. Os dedos dele roçando de leve o meu braço, num toque cuidadoso, sem pressa. A pele dele é quente. O toque é firme, mas não apertado. Ele não me puxa. Não me força. Só encosta, como se estivesse pedindo permissão sem usar palavras. Meu ombro relaxa um pouco. — Está tremendo — ele observa, perto demais. A voz parece vibrar no meu ouvido. — Eu nunca… — começo, mas a frase morre. Ele espera. Não me apressa. — Eu nunca estive nessa situação — digo, finalmente, num fio de voz. — Casada com alguém que não conheço. No escuro. Com uma venda. Ele solta um som baixo, quase um suspiro. — Eu sei — responde. — Não vou machucar você. — sussurra. — Se quiser parar, é só falar. Uma palavra e eu saio. Meu estômago revira. Eu acredito nele. — Como eu disse… nunca fiz isso assim — confesso, voz falhando. — Casada com um desconhecido. No escuro. Cega. Ele se inclina. O hálito quente bate na minha boca. — Eu sei. Sinto a mão dele subir do meu braço para meu rosto, com cuidado, como se eu fosse feita de vidro. O polegar roça minha bochecha, afastando um fio de cabelo. Meu corpo reage sem eu querer. Um calor estranho se espalha pelo peito, descendo pela barriga. Ele se inclina mais perto. O perfume fica mais forte. O ar fica mais pesado. Quando a boca dele toca a minha, não é como eu temia. Não é bruto, nem ansioso. Não é o beijo de alguém que quer só descarregar desejo. É um beijo… profundo. Lento no começo, como se ele estivesse estudando o formato da minha boca, o ritmo da minha respiração, os limites que eu consigo aguentar. Meu coração dispara. Por um segundo, meu corpo trava. Tenho vontade de recuar, de tirar a venda, de ver o rosto dele. Mas tem algo no jeito como ele me segura, uma das mãos na minha nuca, a outra pousada de leve na minha cintura, que não me deixa entrar em pânico. É firme, mas ao mesmo tempo… cuidadoso. Eu me pego respondendo. Abro um pouco mais a boca, deixo que o beijo aprofunde, que o calor cresça. Sinto a língua dele roçar a minha, num movimento que é mais convite do que invasão. Um arrepio corre pelas minhas costas. Eu gemo baixo na boca dele. Sem querer. Meu corpo trai. Ele aprofunda o beijo, chupando minha língua, mordendo meu lábio inferior até doer gostoso. Minha intimidadë aperta sozinha, já molhando a calcinhä fina. Sem tirar a boca da minha, ele me deita na cama. O peso dele vem por cima, mas não esmaga. Os joelhos dele abrem minhas pernas devagar. Sinto o volume duro da calça roçando na minha coxa. É grosso. Latejando. — Pørra… — ele rosna baixinho quando a mão dele desce e encontra minha intimidadë por cima da calcinha. — Já está encharcada. Meu rosto queima de vergonha. Mas eu não n**o. Ele esfrega dois dedos por cima do tecido, sentindo o calor, o molhado que já escorreu. Sem desgrudar totalmente dos lábios dele, eu falo, num sussurro entrecortado: — Eu não conheço você. Ele respira fundo contra minha boca. — Conhece mais do que imagina — responde, baixo. A frase me deixa confusa, mas não há tempo para perguntas. O beijo volta, mais intenso. Uma das mãos dele sobe pelas minhas costas, desenhando a linha da minha coluna por cima do tecido da camisola, fazendo meu corpo arquear num pedido que eu nunca aprendi a fazer em voz alta. É como se cada toque fosse uma pergunta, e cada vez que eu não recuo, ele entende como um “sim”. — Linda pra caralhø — sussurra, com a voz rouca. Ele tira a minha camisola pela cabeça. O ar frio bate nos meus peitøs. Mamiløs duros, arrepiados. Ele baixa a boca e chupa um com força. Língua girando, dentes raspando. Eu arqueio as costas, gemendo alto agora. A outra mão aperta o outro peitø, apertando o bico entre os dedos. Desce beijando minha barriga, lambendo o umbigo. Quando chega na calcinhä, ele arranca com os dentes, puxando pra baixo. Eu levanto o quadril pra ajudar. A calcinhä sai molhada, grudada em mim. Ele abre minhas pernas mais. Sinto o olhar dele queimando entre minhas coxas mesmo vendada. E então a boca dele desce. Língua quente, larga, lambendo toda a extensão da minha intimidadë. De baixo pra cima, devagar, depois rápido. Ele chupa meu ponto inchado, sugando, vibrando a língua. Dois dedos grossos entram em mim devagar, abrindo, esticando. Eu estou apertada demais. Ele geme contra minha carne quando sente. — Tão apertadinha… virgem mesmo. Eu agarro o lençol, quadril se mexendo sozinho contra a boca dele. O som molhado, obscenø, enche o quarto. Ele føde com os dedos enquanto suga, até minhas pernas tremerem e eu gøzar pela primeira vez, forte, rápido, gemendo o nome que eu nem sei direito. Ele sobe de novo, beijando minha boca com gosto do meu próprio prazer. Eu nunca fui tocada assim. Meu corpo está nervoso, tenso, mas a cada carícia, algo se solta, se entrega um pouco. Ele me beija o pescoço com uma paciência que mexe com partes de mim que eu nem sabia que existiam. Desce devagar, sobe de novo, encontra minha boca outra vez como se precisasse daquele contato para se orientar. Em nenhum momento ele parece fora de controle. A intensidade está toda ali, mas não vem em forma de pressa. Vem em forma de foco. É como se, por alguns minutos, nada mais existisse no mundo além de mim e da forma como eu respiro embaixo dele. Eu sinto medo, sim. Sinto vergonha, sinto insegurança. Mas também sinto outra coisa que nunca tinha sentido assim: ser desejada. Não como uma obrigação, não como uma troca fria. Mas como se, ali, no escuro, eu fosse a única coisa que ele quisesse tocar. Ouço o zíper. O barulho da calça caindo. Sinto o peso dele voltar. O paü quente, grosso, pesado, bate contra minha coxa. Cabeça larga, latejando, já babando pré-gozø. Ele esfrega a cabeça na minha entrada, espalhando o molhado. Uma, duas, três vezes. Depois empurra. A cabeça entra. Eu arquejo, dor queimando. — Calma… respira — ele rosna, parando. Testa encostada na minha. Ele empurra mais. Centímetro por centímetro. Meu corpo resiste, apertando. Ele geme rouco, xingando baixo. — Pørra, Naya… está me esmagando. Quando ele entra inteiro, eu sinto ele latejando dentro de mim. Fundo. Cheio. Doendo. Lágrimas escorrem por baixo da venda. Ele fica parado, só respirando pesado, beijando meu pescoço, meu queixo, minha boca. — Está doendo? — Tá… mas não para. Ele começa a mexer. Devagar no começo. Sai quase tudo, entra de novo. O som molhado, carne contra carne, ecoa. Cada estocada dói um pouco menos. O prazer começa a subir, quente, grosso. Ele acelera. Quadril batendo contra o meu. Pele suada colando. O paü dele roça num ponto dentro de mim que me faz ver estrelas mesmo vendada. Eu cravo as unhas nas costas dele, pernas enroscadas na cintura dele. — Mais forte… — peço, voz quebrada. Ele obedece. Føde mais fundo, mais rápido. A cama bate na parede. Ele rosna no meu ouvido, xingando, gemendo meu nome. — Estou quase… pørra… Eu gozø de novo, apertando ele, pulsando. Ele dá mais três estocadas brutas e gøza dentro de mim, quente, grosso, jorrando fundo. Sinto cada jato. Ele treme, geme rouco, enterra o rosto no meu pescoço. Ficamos assim um tempo. Suados. Ofegantes. O paü dele ainda dentro de mim, amolecendo devagar. O sêmën dele começa a escorrer quando ele sai, quente, escorrendo pela minha bünda. Ele beija minha testa, minha venda. Ajeita o tecido com cuidado. Ele fica ali por alguns segundos, ainda comigo, sem dizer nada. Minha cabeça encosta no peito dele, escuto o coração dele batendo forte, quase tão acelerado quanto o meu. Por um instante, a mansão inteira desaparece. Minha vida anterior desaparece. O contrato, o dinheiro, o medo, tudo some. Resta só aquela sensação intensa, quase impossível de descrever, de ter sido… escolhida. Eu não sei quanto tempo passa até que ele se afaste devagar. Sinto o colchão se mexer, o peso dele saindo de perto. O ar frio encosta na pele quente. Ele ajeita a venda, certificando-se de que meus olhos continuam cobertos. O gesto, por algum motivo, é quase carinhoso. — Levante-se quando eu sair e tome um banho. Durma em seguida — ele diz, por fim. A voz está um pouco mais rouca, carregada de algo que ele tenta esconder. — Amanhã você tem um dia cheio. Tenho vontade de perguntar muitas coisas. De perguntar se algum dia vou poder olhar nos olhos dele. Mas minha boca não obedece. Os passos se afastam. A porta se abre. Ele sai. Quando finalmente crio coragem para tirar a venda, o quarto já está claro, e eu estou sozinha. Olho o espaço vazio ao meu lado, sinto o lençol ainda levemente quente, o perfume dele preso no travesseiro. Eu não vi o rosto do meu marido. Mas, pela primeira vez na vida, me sinto dolorida, assustada… e, ao mesmo tempo, estranhamente viva.
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