Estava prestes a sair quando ele me parou sutilmente pelo braço. — Aprenda este mandamento. Ele se inclinou e sussurrou, a sua voz roçando o meu ouvido. — Não cobiçarás os bens do teu próximo. Ele se afastou, me encarando fixamente com um leve sorriso no rosto.
Incapaz de dizer uma palavra, pois não tinha outra alternativa, já que estava infringindo esse mandamento, virei-me e saí correndo daquela casa.
Já na metade do caminho, olhei para trás e o vi parado em uma das janelas, com o olhar fixo em mim. Suspirei, deixando o nó na garganta se dissipar, e entrei na mansão. Estava prestes a subir as escadas quando minha mãe chegou.
— Querida, como foi?
Estou nervosa. O momento que passei com aquele homem me deixou arrepiada. Tentei esconder o meu nervosismo da minha mãe, mas foi impossível, porque Eduard apareceu.
Eles se cumprimentam com palavras carinhosas, até mesmo demonstrações de afeto, o que faz algo dentro de mim se quebrar, e eu não sei por que dia*bos me sinto assim.
Deixando o nó na garganta baixar, afasto-me deles, subo as escadas e vou para o meu quarto. Lá, fico andando de um lado para o outro, batucando os dedos, tentando descobrir como me livrar desse sentimento que aquele homem evoca em mim.
Vejo o laptop na minha cama, vou até ele, abro e começo a conversar com minhas amigas, até mesmo com Gean.
— Adivinha, linda?
— Só me conta, não consigo adivinhar sem ver o seu rosto.
— Tá bom. Convenci meu pai a me deixar me mudar, e adivinha?
— Você vem para São Francisco?
Espero ansiosamente pela resposta dele, e quando ele confirma que vem, grito como uma louca. Acho que finalmente terei alguém em quem confiar e poderei parar de ter pensamentos impuros sobre o marido da minha mãe.
Isso vai acontecer daqui a alguns meses. Até lá, preciso começar a sair, conhecer mais pessoas aqui para ter com quem conversar, porque até o Gean chegar, vou enlouquecer trancada aqui dentro.
Naquela noite, quando desci para jantar, só minha mãe estava na sala de jantar. Fiquei grata por aquele homem não estar lá, porque agora eu podia ter uma conversa de verdade com ela.
— Não quero passar os meus dias trancada. Quero começar a me inscrever nas universidades.
— Não tenho tempo para te levar.
— Eu consigo fazer isso sozinha. Não é nenhum mistério.
— Você quer dinheiro?
— Não. Eu tenho as minhas economias. Afinal, William Mitchell não era um pai ru*im. Ele sempre pagou os meus estudos, me alimentou e até me dava uma mesada semanal, que eu guardava. — Vou comprar um carro...
— Você não precisa comprar um. Ouvi aquela voz e o meu corpo se enrijeceu. — Há muitos em casa. Você pode até pedir ao motorista para te levar aonde quiser.
— Agradeço, mas insisto em comprar o meu carro.
— E você sabe dirigir? Ele pergunta, e sem olhar para ele, eu assinto. Graças ao Gean, eu aprendi. Até tirei a minha carteira de motorista. — Ótimo, então vamos buscar seu carro amanhã.
— Vamos?
— Sim. Nós três. Ele diz, sorrindo para minha mãe. Ao pegar a mão dela, ele a beija e olha para mim. — Ou você não quer que seus pais estejam com você?
— Você não é meu pai. Eu digo, e um leve sorriso aparece no canto da boca dele.
— Querida...
— Bem, eu poderia ser... se você quiser, é claro.
Não respondo. Me concentro em terminar a minha refeição. Quero fugir desta sala de jantar, me trancar no meu quarto e não vê-lo. Droga, por que de repente tenho que me esconder?
No dia seguinte, levanto-me depois das nove da manhã, tomo um banho e me arrumo para sair. Tomo café da manhã e saio. O motorista se oferece para me levar, pois tem ordens para me levar até a concessionária para comprar o carro.
Entro sem dizer uma palavra. No caminho para a concessionária, tenho uma conversa agradável com o motorista. Acho que se ele tivesse me buscado no aeroporto, já teríamos feito amizade. Mas nunca é tarde para começar uma amizade.
Saio do carro com um grande sorriso para ele. Ao entrar na concessionária, dou de cara com aquela figura alta. O que ele está fazendo aqui? Por que veio?
— É ela, atenda-a bem.
Ele diz à funcionária que se aproxima. A mulher sorri gentilmente e me convida a entrar. Caminho ao lado dela, com os olhos fixos no homem que nos segue.
— O Sr. Richardson nos pediu os carros mais exclusivos do mercado, e estes são eles. A senhora pode escolher o que preferir.
— Não é o Sr. Richardson que vai comprar, sou eu. E quero um carro mais barato.
— O carro já está pago, senhorita. Diz ela com um largo sorriso.
Peço que me deixe a sós com ele. Depois me arrependo, porque os momentos a sós com esse homem se tornam tão intensos.
— Não quero que o senhor pague pelo meu carro, Sr. Richardson, eu mesma posso pagar...
Ele se aproxima, me deixando atordoada com o perfume que exala. — Quero dar um presente de boas-vindas à minha querida enteada. Vejo o movimento dos seus lábios, que se movem sensualmente. Ele está tão perto que parece que vai me beijar. O meu estômago se revira, como se borboletas o estivessem carregando nas suas asas. — E não há discussão. Ele se vira e faz um sinal para a mulher que nos atendeu. — Traga o vermelho para ela, é a cor favorita dela.
Minha cor favorita? Como ele sabe que é minha cor favorita?
Estou prestes a repreendê-lo, mas ele se afasta para atender uma ligação. Ele está falando turco, uma língua que não entendo, então não consigo entender o que ele está dizendo.
Ele cai na gargalhada e me olha, o olhar se tornando mais sério. Quando desliga, guarda o celular em um dos bolsos, junto com as mãos. — Estou indo embora e quero ver aquele carro em casa esta tarde. Não é um pedido, é uma ordem.
Abro a boca para responder, dizendo que ele não é ninguém para me dar ordens, mas ele cobre os meus lábios com o dedo indicador, enviando um choque elétrico pela minha espinha. — Você fica linda quando está quieta.