Episódio 5

1166 Palavras
O meu peito dispara como se eu tivesse acabado de correr uma maratona. Há uma festa dentro de mim por causa daquelas palavras. Ele se afasta, dando alguns passos para trás. No terceiro passo, ele se vira e vai embora sem olhar para trás. — Pronta para sua primeira volta no carro? A mulher pergunta, colocando as chaves na ignição. — Não. Eu digo, determinada a não fazer o que esse homem quer. — Me dê o branco. — Mas... — Ele disse para eu escolher o que eu quisesse, certo? Ela acena com a cabeça. — Então me dê o branco. A mulher vai buscar as chaves do carro branco, eu as pego e entro no carro. Dirijo por várias horas pelas belas ruas desta cidade. As vistas são de tirar o fôlego. À tarde, chego em casa e estaciono o meu carro na frente para que ele possa vê-lo. Feliz, vou até onde Lino me disse que eu poderia encontrá-lo, mas me dizem que não está lá. — Para onde ele foi? — Não sei, senhorita. Tudo o que sei é que o Sr. Eduard o chamou e depois ele voltou com a sua indenização. Eduard, aquele miserável. Entro na casa e o vejo parado em uma das janelas da frente. Penso em questioná-lo sobre a demissão de Lino, mas fico hipnotizada quando ele me olha. — O quê? — O motorista... você demitiu ele? — Algum problema com isso? — Nenhum. É a sua casa, eles são os seus funcionários, você pode fazer o que quiser. — Que bom que você entende isso. Diz ele, caminhando lentamente na minha direção. — Tudo a partir daquela porta me pertence. Eu pego e descarto quando e onde eu quiser. Um nó se forma na minha garganta enquanto ele caminha ao meu redor e para atrás de mim, traça linhas nos meus ombros e enfatiza novamente: tudo, do mais simples ao mais brilhante. Endireitando-me, murmuro: nem tudo. E viro o rosto para ele, encontrando o seu olhar. — Eu não pertenço a você, Ele curva os lábios e repete: quando digo tudo, quero dizer tudo nesta casa, se mexendo ou não, me pertence. Ele diz isso e sai. Alguns passos depois, para e murmura: adoro branco, boa escolha. Suspiro e me pergunto o que ele quis dizer com "tudo, que se mexe ou não". Deixo isso de lado porque Eduard Richardson não vai me fazer sentir insegura. Preciso tirá-lo da minha cabeça, parar de pensar nele e de ansiar por ele como tenho feito esta semana. E para isso, preciso manter a minha mente ocupada. Até as aulas começarem, vou me inscrever num curso sobre algo que me apaixone. Passo a tarde inteira procurando algo que me inspire na profissão que almejo. Anoto algumas coisas para poder contatá-las mais tarde ou visitá-las. Estou fazendo isso quando minha mãe chega. Ela vem ao meu quarto para ver como estou. Digo que estou bem, mas ela é quem parece estar com uma aparência péssima. Parece que esteve chorando. Pergunto o que há de errado e ela me garante que não é nada. Ela sai, me deixando intrigada, e se tranca no quarto. Embora não abra a porta, consigo ouvi-la chorando. Bato de leve e ela pede que eu não a perturbe. Tento pensar no que poderia ter acontecido para deixá-la tão chateada. A primeira coisa que me vem à mente é que ela discutiu com o marido. Mas quando? Eduard esteve em casa a tarde toda e ela acabou de chegar. Provavelmente discutiram ao telefone. Desço para a sala de estar e encontro uma das empregadas. Pergunto onde está o Sr. Eduard e ela responde que ele está no ateliê. Então, aquela casinha devia ser o ateliê. Vou até lá. Ao passar pela piscina, hesito, pois ficar sozinha com aquele homem me deixa anestesiada e agita os meus hormônios. Parei de pensar nessas coisas e decidi ir. Fiz isso rapidamente, pois não queria me arrepender. Ao chegar, bati na porta. Estava prestes a abri-la quando ela se abriu. O homem alto não olhou para mim, apenas fitou a mansão. De repente, agarrou o meu braço e me puxou para dentro. Fechou a porta e se virou. — O que a traz aqui? Perguntou friamente, enquanto se dirigia para a sala onde estavam os quadros. Fiquei intrigada, pois ele me puxou tão abruptamente e depois se afastou como se nada tivesse acontecido. Fui até a sala e, ao chegar à porta, parei. O Sr. Richardson estava pintando. O quadro que ele estava pintando era o mesmo que eu tinha visto ontem. — Você poderia me dizer por que veio? Porque não veio para me ver pintar, não é? Ele perguntou, olhando-me com os seus olhos profundos. — Hum… é minha mãe. Ela está aqui. — E daí? Ele responde com desdém. — Ela mora aqui, não é? Ele me olha. Desvio o olhar e me concentro na pintura. A pintura retrata uma cabana no meio da floresta. Há uma jovem em uma das janelas. — Você gosta dela? Soltando o ar que prendia, olho para ele. — Quem é a mulher na janela? Ele volta o olhar para a pintura e, sem responder, continua pintando. — Minha mãe está trancada no quarto, chorando. Você sabe o que há de errado com ela? — A mulher na janela é alguém que buscava o amor e, quando pensou tê-lo encontrado, acabou prisioneira dele. Ele explica, largando as tintas, pendurando a cortina e se virando para me congelar com aquele olhar. — Respondendo à segunda pergunta, ela deve ter tido resultados ru*ins novamente. — R-resultados rui*ns? Que tipo de resultados? Gaguejo, porque já sei o que vem por aí. — Ela quer ter um filho, um filho meu e dela. Mas o tratamento não está funcionando. Ele explica, agora perto o suficiente. Engulo em seco e me afasto. — Um filho? Continuo me afastando. — Mas... mas por que ela está fazendo tratamento se pode engravidar naturalmente? Não sei quando atravessei o corredor, mas agora estou encostada na parede, ele à minha frente, uma mão apoiada na parede, a outra alcançando o meu rosto. — Ela poderia ter tido, mas depois que você nasceu, seu pai a obrigou a fazer mais de um aborto porque todos os ultrassons diziam que era uma menina, e ele queria um menino. Isso deixou o útero dela fraco, incapaz de conceber. Alguém disse a ela que poderia com tratamento, mas foi inútil. Diz ele, tão perto de mim que a sua respiração quente acaricia o meu rosto. Estou prendendo a respiração porque este homem está me roubando a vontade de... Respirar. ‍​‌‌​​‌​​​‌​​‌​​​​​​​‌​​​​‌​​​‌‌​​​‌​​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌‌‍
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