POV DE EASTON.
Chego em casa e a primeira coisa que faço é ir para o quarto. Ao entrar, encontro várias sacolas de presente na cama. Ergo uma sobrancelha ao vê-la tirar algumas roupinhas bem pequenas.
— O que é tudo isso?
Eu pergunto com um sorriso largo.
— São roupinhas para o nosso filho.
— Filho? Você está louca? De que filho você está falando? Pauso por um instante, estreitando os olhos enquanto ela diz isso.
— O filho da Brigitte será nosso. Ergo as duas sobrancelhas, perplexa com a incoerência do que ela está dizendo. — Querido. Ela se levanta, aproximando-se de mim. — A Brigitte é muito jovem, tem muitos sonhos de se tornar uma estrela de TV, e com um filho, ela não poderá realizar isso...
— Certo, e... é por isso que você acha que ela vai te dar o filho dela?
— Claro. Mulheres jovens dessa idade, principalmente hoje em dia, só querem se divertir; ser mãe é a última coisa em que pensam."Tenho certeza de que Brigitte, vendo que não tem ajuda de ninguém, virá nos procurar, e aí proporemos que ela nos dê o filho.
— E o que te faz pensar que ela não terá apoio de ninguém? Encaro-a, como se tentasse ler os seus pensamentos. — Essa criança tem pai, não tem? Ela tem até mãe. Você... você não seria capaz de abandonar a sua filha a essa altura, seria? Ela permanece em silêncio.
Como ela não responde, inclino a cabeça. Não consigo acreditar que essa mulher seja tão cr*uel com a própria filha. Mas o que se pode esperar, se ela a abandonou por seis anos, sem ligar, sem mandar cartas, nada? Ela nem sequer foi capaz de lhe dar um presente de aniversário. Barbara é definitivamente uma megera que não merece ser mãe. Há um motivo para Deus tê-la punido, impedindo-a de engravidar novamente.
— Ninguém me ajudou quando me tornei mãe.
— Agora eu entendo por que você é esse tipo de mãe.
Sigo em direção ao banheiro, ela me segue e diz: — O pai dela não me deixou trazê-la. Ele a tirou de mim.
— É mesmo? E todos os milhões que você gastou com roupas e vaidades, não poderiam ter sido usados para tê-la de volta? Ela agarra o meu braço.
— Você sabe que o seu avô me manteve prisioneira, que me obrigou a ficar com ele.
— Não sei disso, porque eu não estava aqui naquele ano. Além disso, não acho que você estivesse aqui contra a sua vontade, porque você até viajou. Ou você se esqueceu de onde nos conhecemos?
Os seus olhos se arregalam em espanto, e ela pergunta: desde quando você se lembra de coisas do passado? Você recuperou a memória?
— Desde agora. Digo, olhando-a friamente. — Lembro-me perfeitamente bem de que não foi o meu avô não caiu. Fui eu quem caiu.
— Vocês caíram juntos, só que você resistiu ao impacto, e ele não. Ela se afasta a cada passo que dou. — Eduard, lembro-lhe que tenho provas... se algo me acontecer, essa pessoa entregará as evidências.
Essa é a única razão pela qual estou deixando você viver. Digo a mim mesmo. — Se você diz que caímos juntos, que provas você tem? O vídeo mostra a gente lutando quando ele tentou me jogar do terraço perto da piscina. O que você está dizendo que me incrimina?
— Você não caiu ao mesmo tempo. Você o empurrou e depois pulou.
— NÃO MINTA, SUA VA*DIA! Lembro-me perfeitamente do meu avô em pé no terraço enquanto eu caía. Ela continua se afastando até encostar as costas na porta do vestiário.
— Não chegue perto de mim!
— Você o matou. Você assassinou o meu avô porque ele já tinha descoberto, porque ele te pegou fazendo se*xo com o neto dele na própria casa, e você sabia que depois disso ele te jogaria na rua e arruinaria a sua carreira. Quando você viu que eu não morri, que eu ainda estava vivo, você decidiu me incriminar para ficar com todos os milhões. Mas você não contava com o fato de que o vovô tinha deixado tudo para mim, e que, apesar do nosso afastamento, ele não tinha mudado o testamento em relação a mim.
É por isso que, quando você descobriu que eu estava acordado, você recorreu à chantagem, sabendo que não podia usar nada sem a minha permissão. Foi isso que te fez casar comigo, o m*aldito dinheiro. E você diz que me ama, mas a verdade é que você nem se ama, Barbara.
— Eu te amo, Eduard. É verdade que, a princípio, eu queria incriminá-lo pela morte do seu avô e me aproveitei da sua amnésia, mas com o tempo, isso mudou. O meu amor por você se fortaleceu...
Ela tenta me tocar, mas eu seguro as suas mãos no ar e digo friamente:
— Bem, eu não te amo, Barbara. Jamais em toda a minha vida eu amaria a assassina do meu avô e a mulher que me chantageia há anos. Eu a empurro. A única coisa que me liga a você é aquela m*aldita prova! Agora você entende por que não posso dizer que te amo, porque não sinto absolutamente nada por você.
— Eduard, não diga coisas assim, meu amor...
— Não me toque. Digo, olhando para ela com desprezo. — Lembre-se, a única maneira de você me ter foi através de mentiras. Embora eu possa dizer que aproveito cada momento que passamos juntos, você não é como ela.
— Com ela? Qual ela? Eu sorrio m*aliciosamente, o que a enfurece. — Qual delas?! Você está me traindo? Responda! Quem é essa va*dia?
— Você nunca vai saber, Barbara. Apenas se contente em saber que ela é dez vezes melhor que você.
Dou um toque na testa dela com o indicador e me afasto, com os olhos fixos nela. Assim que cruzo a soleira, viro-me e saio pela porta.
— Eduard! Vou encontrar aquela va*dia e matá-la!
Entro no carro e saio de casa. Enquanto dirijo, ligo para Bri, mas a idi*ota continua rejeitando as minhas ligações. — Atende, droga!
Paro de ligar para ela e ligo para o motorista. Ele atende imediatamente, dizendo que estão no aeroporto. O que dia*bos Bri está fazendo no aeroporto?
Piso fundo no acelerador porque preciso falar com ela, explicar o que vai acontecer se ela ficar perto de Barbara. Ela precisa ir para bem longe de nós para poder ter nosso filho.
Saio do carro, deixando-o em frente ao aeroporto. Entro e procuro por ela. Quando vejo o motorista, me aproximo. No instante em que dou dois passos, a vejo correr em direção a um homem e pular em cima dele. Ele a segura pelas nádegas e isso faz as minhas veias pulsarem, mas a raiva se transforma em dor quando eles se beijam.