A primeira coisa que Mara sentiu foi o som. Um bip constante, ritmado, cortando o silêncio como um lembrete de que a morte ainda não havia vencido. Abriu os olhos devagar, a luz branca do hospital a cegando por um instante. O ar tinha cheiro de antisséptico e solidão. Tentou se mover, mas o corpo não respondeu — preso por fios, curativos e tubos que pareciam raízes fincadas em sua carne. O teto era liso, imóvel. A consciência voltava aos poucos, como pedaços de vidro sendo recolhidos após uma explosão. E junto dela, as vozes. — Ela acordou. — Chame o médico. — Cuidado, ainda está fraca. Mara piscou, tentando entender onde estava. Mas o nome Mara ainda não existia ali. Naquele momento, ela era apenas uma sombra tentando lembrar quem havia sido. --- Horas depois, o médico entr

