O café era pequeno, acolhedor, com mesas de madeira escura e cheiro de pão fresco misturado ao aroma intenso do expresso recém-passado. Sofia escolheu uma mesa perto da janela. O vidro embaçado refletia parte do rosto dela — um espelho discreto do que tentava esconder. Lucas chegou logo atrás, tirando o casaco e apoiando o celular sobre a mesa. O movimento simples bastou para reacender a tensão entre eles. Havia algo em como ele existia ali — no mesmo espaço — que fazia o ar se tornar denso, carregado de memórias. — Dois cafés? — perguntou o garçom, interrompendo o silêncio. — Um pra cada um — respondeu ela rapidamente, sem olhar para Lucas. Ele apenas assentiu, com aquele meio sorriso que sempre a desarmava. O garçom se afastou, e o som dos passos foi engolido pelo burburinho discreto

