O som do relógio era o único ruído constante no apartamento. Sofia estava sentada no sofá, de pernas cruzadas, uma caneca de café nas mãos. A claridade da manhã se espalhava pela sala, e o ar tinha o cheiro amargo de café recém-feito misturado ao perfume dele — o mesmo que ainda estava preso no lençol da noite anterior. Lucas apareceu na cozinha, sem camisa, com o cabelo bagunçado e o olhar sonolento. A calça de moletom pendia frouxa nos quadris. Ele abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água, bebendo em silêncio, até que a voz dela o chamou. — Dormiu bem? — Não muito — respondeu, com um meio sorriso. — A cama parece pequena demais quando você se mexe tanto. Sofia ergueu uma sobrancelha. — A culpa é minha agora? — Sempre foi. — Ele deu de ombros, provocando, e ela revirou os olhos,

