A luz da manhã entrava devagar pelas cortinas, pintando o quarto em tons dourados e suaves. Sofia acordou com o som distante da chuva fina, ainda presente desde a noite anterior, e por um instante acreditou que sonhava. O lençol ao seu lado estava amassado, mas vazio. Por reflexo, o coração dela apertou. Era sempre assim — o vazio ao lado era o primeiro lembrete do que já viveram: promessas, fugas, ausências. Sentou-se na cama, passou a mão pelos cabelos e respirou fundo. Mas, antes que o medo tomasse forma, o cheiro de café recém-passado invadiu o ar. Sofia franziu o cenho. Lucas? Vestiu o robe que estava na cadeira e foi até a sala, os pés descalços contra o piso frio. Quando virou o corredor, parou. Lucas estava na cozinha. Vestia uma camiseta simples e mexia distraidamente uma pan

