O Que o Silêncio Não Dizia

1120 Palavras

O som da chuva batendo contra os vidros do apartamento parecia um lamento — contínuo, abafado, e ainda assim impossível de ignorar. Sofia estava sentada no chão da sala, envolta em um cobertor cinza, observando a cidade lá fora com os olhos fixos, como se procurasse algo no meio da neblina que cobria os prédios. O silêncio era tão espesso que podia ser cortado. Desde a última vez que o vira — desde aquele toque que misturou raiva, culpa e desejo — ela não fora mais a mesma. Havia tentado fingir normalidade: saíra com as amigas, trabalhara até tarde, evitara olhar o celular. Mas o corpo não esquecia. O cheiro dele ainda estava na pele dela, mesmo após dias. E a lembrança do olhar — aquele olhar ferido e faminto — a perseguia nos sonhos e nas horas mortas da madrugada. Naquela noite, porém

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