Meu dia foi de mau à pior, não precisa recapitular sobre os acontecimentos da minha manhã. E a tarde foi ocupada por uma reunião com meus funcionários, relembrando o termo de confiabilidade e que não podiam deixar vazar nada que acontece dentro da empresa.
Quando me envolvi naquele problema de agressão, tinha pessoas que não trabalhavam diretamente para a C.P.Entertainment, eram da equipe do fotógrafo. Por isso virou uma bola de neve tão grande, e hoje vou ter que participar dessa palhaçada de namoro falso.
Nunca namorei, acho irritante demais ter alguém no meu pé, me cobrando as coisas, já basta minhas irmãs fazendo isso. Ainda mais um homem fazendo isso.
Tá bem que Evan Scott é gostoso, eu tenho olhos, e sou acostumada avaliar modelos minha vida toda.
Quando vou admitir isso? Nunca.
Homens são cafajestes. Já ouvi uma vez um homem justificando sua falta de caráter, dizendo que está no DNA deles trair. Ou que não é traição quando não envolve sentimentos.
Exatamente por esse ego todo que gosto de infernizar a vida deles, tenho um ímã pra atrair homem cafajeste e dou à eles o mesmo tratamento que eles dão para as mulheres.
Engraçado que aí eles ficam ofendidinhos.
Termino de pesar meu batom vermelho, fiquei de sair com Kity, preciso de uma bebida para esquecer esse dia estressante. A tela do meu celular se ilumina, aparecendo o nome da Susu.
Não lembro quando foi a última vez que Susan me ligou. Para a gente conversar nos eventos ou reuniões é apenas o necessário.
Angel: Oi.
Susan: Oi.
Angel: O que você quer?
Susan: O David sumiu, ele saiu e não voltou para casa.
Angel: E o que eu tenho haver com isso?
Susan: Já mandei o procurar e ninguém encontrou.
Angel: Por acaso tenho cara de detetive particular? Se você não sabe do seu marido, eu vou saber.
Susan: A gente brigou, e ele saiu transtornado.
Angel: Quem sabe seja o destino te livrando daquele traste, aproveita e reza para ele nunca mais voltar.
Susan: Para de falar desse jeito... David pode ter sido sequestrado.
Angel: Pagaria para os sequestradores ficarem com ele, já que seria um grande sacrifício para eles.
Susan: David é teu cunhado, meu marido... você não tem nem um pouco de consideração comigo? Somos irmãs.
Dou um longo suspiro, já irritada com essa conversa.
Angel: Porque me ligou, Susan?
Susan: Você conhece todos os donos de boates da cidade, podia ver se encontrava o David... ele costuma beber quando está nervoso.
Angel: Você nunca me liga, Susan... e quando liga é para ser babá de macho.
Susan: Amo meu marido... estou desesperada.
Angel: Devia se amar primeiro, porque daqui a pouco não passa mais nas portas.
Susan: A culpa não é dele.
Angel: Nunca é... ele sempre cai por acidente numa b****a*.
O outro lado da linha fica em silêncio. Se eu não achar aquele desgraçado, daqui a pouco vai ter outro escândalo envolvendo o nome da família.
Angel: Vou ver o que consigo fazer.
Encerro a ligação.
Mando uma mensagem para Kity cancelando nossa saída. Eu devo ter muitos pecados para pagar, pra ter que procurar meu cunhado pulador de cerca.
Faço algumas ligações, demoro mais ou menos uma hora para encontrar a criatura. E ainda tenho que mover toda a minha beleza até a boate, porque o embuste está com uma conta astronômica, e sem nenhum dinheiro para pagar. Também tenho que dar um jeito de tirar ele dali, sem que nenhum paparazzi veja.
O ponto positivo é que ele não está numa boate onde costumo frequentar, assim será mais difícil de alguém o reconhecer. Converso com o dono, pago a conta, e peço ajuda para o levar até o carro que está do lado de fora esperando. Vou até a boate da área vip, preciso de um drink.
Lembro que estou dirigindo, estão peço um drink sem álcool, ser pega dirigindo embriagada não está nos meus planos. Podia voltar no carro junto com David, mas prefiro ficar sem beber do que olhar para a cara dele.
— Angel... — Uma voz rouca diz meu nome de maneira sensual*.
Evan Scott.
Ele sorri de um jeito pervertido, seus olhos avaliam meu corpo, começando dos meus saltos da Prada, subindo pelas minhas pernas, demora mais na minha b***a* e s***s*, para parar no meu rosto. Quando foca nos meus lábios seu sorriso aumenta. Se pudesse ler seus pensamentos agora, tenho certeza que estariam cheios de sacanagens.
— Desculpa... eu te conheço?— Ele murcha na mesma hora.
O amigo que estava ao seu lado solta uma gargalhada.
Claro que lembro dele, mas está sendo bem mais divertido quebrar a masculinidade frágil dele.
— Devia se lembrar do rosto do seu futuro namorado.— Posso sentir uma ponta de ressentimento na voz dele.
— Ah sim...— Finjo me lembrar.— O policial... Peço desculpas, minha memória é péssima.— O barman me entrega o drink, tomo um gole, voltando meu olhar para Evan. Dessa vez eu o avalio, igual faço com os modelos.— Se fosse bonito me lembraria... sempre me lembro de caras dos caras bonitos.
Se antes tinha quebrado seu ego, agora termino de estilhaçar.
— Eu sou bonito.— A voz dele está mais irritada.
— Olha... você é no máximo, sendo muito generosa, um sete.
Ele morde o canto da boca mais irritado ainda. O amigo ao seu lado tenta controlar o acesso de riso mas não consegue.
— Faço muito sucesso com as mulheres.— Evan encurta a distância entre nós.
— Não leve para o lado pessoal, tenho padrões muito altos.
— Em alguns dias vai estar estampados em todos os jornais que somos namorados.— Ele diz isso como se tivesse ganhado uma batalha.
Mas quem ganha a guerra sou eu.
— Espero que pelo menos seu p*u seja grande... só com um grande motivo para acreditar que me interessei em você.
O homem do seu lado cospe a bebida que tinha na boca. Os olhos azuis de Evan queimam de raiva. Com certeza esse aí nunca levou um fora na vida.
O dono da boate acena para mim, avisando que já conseguiu tirar meu cunhado.
— Tenho que ir. Até amanhã, senhor policial.
Deixo Evan ali, lidando com sua própria raiva.
Quando chego no estacionamento ainda consigo ver David sendo arrastado para dentro do carro.
Um dos grande incentivo para nunca querer namorar, é assistir o casamento desastroso de Susan.
Quando colocam ele dentro do carro e vão para a casa da minha irmã. Entro no meu carro, vejo que tem mensagem da Diana, dizendo que precisa conversar comigo.
Tudo que precisava para terminar o dia, uma reunião chata.
Como o dia já foi uma merda*, dirijo até a casa dela. Quando adentro a sala, encontro Diana com uma garrafa de vinho vazia e outra pela metade.
— Diz que encontrou o David?— Sua voz diz que se encontra embriagada.
Estranho a ausência da Susan.
— Encontrei, já deve ter chegado em casa.— Pego a taça de sua mão.— Cadê a Susu?
Bebo o resto do líquido vermelho, voltando a encher a taça.
— Ela não vem.
— Achei que fosse uma reunião das irmãs.
— Estou exausta, Angel...— Diana se ajeita no sofá, seus olhos estão inchados.— Estou fazendo de tudo para manter o legado do pai.
Meu pai só cometeu um erro em toda sua vida, teve três filhas mulheres.
— O conselho de diretores está tramando algo?
— Chegou nos ouvidos dele o que Susan fez, eles não querem que ela volte para o departamento jurídico. Se mais algum escândalo envolvendo as puladas de cerca de David acontecer, não sei se vou conseguir abafar. Tenho certeza que vão pagar uma fortuna para publicar qualquer escândalo que envolva o nome da família.
— Tudo para conseguir a presidência.— Suspiro.
— Tudo que faço é pela memória do pai.— Diana sabia fazer uma chantagem emocional como ninguém.
Não sei se existia laços de amor entre mim e minhas irmãs, mas haviam os laços do dever.
— Não vou me meter em mais confusões, não precisa dessa cena toda.— Levanto.
— Não é cena.
— Diana, pensa que não sei que Susan não fez o acordo decente com aquele verme por que queria me ver no fundo do poço.
Diana arregala os olhos.
— Não faça essas acusações para sua irmã.
— Já resolvemos casos bem piores com dinheiro, e quer mesmo que acredite que um pedófilo* tenha um caráter tão forte para não aceitar dinheiro.— Ela nem consegue negar.— Vou deixar esse assunto quieto, não é como se fosse novidade que a Susan me odeia. E também... já tem problemas demais nas suas costas, Diana.
— Angel...
— Chega de bebida senão amanhã vai estar de ressaca, irmã.
Quando estava saindo pela porta uma lágrima solitária escorre. Ainda doía saber que minha irmã me odiava tão intensamente assim.
As irmãs Cipriano tem o dedo podre pra homem mesmo.