Capítulo 1

1884 Palavras
❝Todos os acontecimentos desse livro se passam 1 ano após os eventos de Inside-me! ❞ • ────── ✺ ────── • Mikaella Fanning Abro meus olhos assim que meu relógio de pulso alarma, já eram quase 5:00 horas da manhã. Lentamente começo a me levantar, passando as mãos em meu rosto enquanto sinto os raios do sol fraco banhar meu corpo. Caminho até o banheiro para fazer minhas higienes, mas faço uma longa pausa no espelho. Olhando-me e vendo quão exausta pareço! Algo que é totalmente verdade! São tantas responsabilidades, tantas coisas que preciso estar ciente que dormir até parece ser algo engraçado. Não sei qual a última vez que pude fazer isso tranquilamente, e quando estava chegando bem perto as lembranças sempre rondam minha mente. Tirando qualquer respício de sossego e me lembrando quem eu realmente sou! Há muito tempo o passado não vinha até mim, eu sempre tento não pensar nele para de certa forma não sofrer com a dor de minhas perdas. Mas essa noite acontecera! As memórias de minha infância, de quão turbulenta ela fora e como tudo se intensificou com a partida de minha mãe! As memórias de como meu pai foi mudando, como se empenhou em me treinar para quando partisse. Algo que há um ano aconteceu! E daquele dia em diante, eu sabia precisar me manter firme para o que estava por vim! Respiro fundo fechando os meus olhos, tentando de todo modo não focar na data de hoje e no que tem por trás dela. Não quero pensar em datas comemorativas, não tenho muito o que comemorar e de qualquer modo sou só eu. Mesmo que hoje seja meu aniversário de 18 anos, será apenas mais um dia comum no conceito das minhas atividades. A de ser a líder que os Balcãs precisa! • ────── ✺ ────── • PLIM Meu telefone toca na mesa ao lado da cama, termino de fechar os botões de minha camisa social enquanto caminho até lá. Uma calça preta, saltos meios altos e um casaco de pele era o que complementava. Balanço meus cabelos um pouco molhados enquanto atendo a ligação: — Sim? — Os carros já estão prontos, bom dia! — reconheço a voz de Zyan, o chefe de minha segurança. — Ótimo, já irei descer! Encerro a ligação logo em seguida, termino de pegar minha bolsa de viagem e saio do quarto. Sigo pelo grande corredor e logo que apareço na escadaria um dos seguranças pega ela de minha mão, os outros me aguardam bem próximo da porta principal. Respiro bem fundo quando antes de sair, vejo-me parada olhando no grande retrato de minha família. Onde estávamos todos felizes e juntos, algo que não voltará a acontecer nunca mais! — Feliz aniversário! — olho por cima do meu ombro, Rosalyn se aproxima — Achei que não fosse sair tão cedo, estava preparando um café especial! Dou um leve sorriso e a abraço. — Tenho que resolver algumas coisas na Bulgária, não devo demorar mais que alguns dias. — me afasto um pouco — Por isso estou indo bem cedo! — Eu entendo. — ela coloca uma mecha de seu cabelo atrás da orelha — Mas hoje é um dia especial, eu pensava que... — É mais um dia comum Rosalyn. — a interrompo — Preciso ir, quanto mais rápido for mais rápido retorno! Ela não volta a falar mais, apenas me dá outro abraço de despedida. Começo a me afastar e sair da mansão, os seguranças estão em seus lugares e armados enquanto me aguardavam. Vejo Zyan conversando com o subchefe, passando as ordens estratégicas que tomaremos durante toda essa maldita viagem. Mentiria se dissesse querer estar indo até esse outro país, principalmente hoje. Mas desde que tudo despencou sob mim, mantenho em mente um dos ensinamentos de meu pai: As obrigações da máfia não podem ser adiadas, uma guerra pode se iniciar por muito menos. Lembre-se, acima de tudo e todos. Vem as suas tarefas como líder! — Tudo pronto? — paro em frente aos dois, que rapidamente me encaram e concordam com as cabeças. — A reunião começará a noite, bem próximo do horário que chegaremos! — Mateo, meu subchefe afirma. — As armas e estrada daqui até lá foram vistoriadas, temos uma rota segura e uma de fuga caso precise. — Zyan completa. — Ótimo! — vou até o carro e entro, todos os outros fazem o mesmo. Começamos a nos afastar da mansão, algumas pessoas estavam enfileiradas nos observando partir. Respiro fundo e abro um compartimento do carro, pegando duas pistolas e colocando-as por dentro de minhas roupas. Será uma longa viagem, mas o que já fico me preparando mentalmente é lidar com o conselho. Homens que se dominam superiores a tudo e todos, inclusive a mim pelo fato de ser é uma mulher! Nos primeiros meses quase acertei uma bala na cabeça de cada um deles, mas isso sim, seria um crime grave dentro dos Balcãs. Mesmo após a morte do antigo líder da Albânia não é o momento de criar uma guerra entre nós, não quando estamos conseguindo erguer a nação após tudo! — A propósito. — ouço a voz de Zyan sussurrando ao meu lado — Feliz aniversário! Não viro meu rosto para olhá-lo, apenas me mantenho concentrada em manipular os revólveres em minhas mãos. A maioria dos antigos seguranças foram mortos no antigo confronto, porém Zyan e Mateo já eram treinados para assumir o esquadrão. Meu pai havia realmente pensado em tudo. Acostumei-me a conviver rodeada de homens, mas com o tempo notara os olhares de alguns em minha direção. Zyan é um deles! Embora mostre sempre respeito como os outros, sinto que não me olha como antes. Não mais! Plovdiv - Bulgária — Eu te ajudo! — Zyan me oferece uma mão para descer do veículo. — Obrigada! Olho ao redor, nossos veículos estão em frente a um luxuoso hotel da cidade pequena. O que ninguém desse local sabe é que por trás disso, ele esconde muitos segredos em seu interior. Funcionando também como uma das principais sedes do conselho, reunindo vários dos principais membros, capos e líderes da sérvia! — Bem-vinda! — um conselheiro anuncia, nos olhando pelo corredor enquanto seguimos até as salas secretas. Paro na entrada da porta respirando fundo, mantendo meus olhos firmes e meu queixo erguido. Então abro-as, os homens sentados ao redor da grande mesa me olha no mesmo segundo. Logo se levantam esperando que eu entre! Caminho acompanhada de mais alguns dos meus até a grande poltrona da ponta, o silêncio reina deixando que apenas os cliques de meus saltos ecoem! — Senhorita Fanning, esperávamos sua maravilhosa presença! — um dos conselheiros anuncia, os outros seguem em silêncio — Discutíamos um bom assunto. — É mesmo? — pergunto, eles acenam positivamente. — Soubemos que está resolvendo os assuntos muito bem na Sérvia, alguns até comemoram a vitória grandiosa da nação Balcã! Respiro fundo enquanto o encaro, em pé ao meu redor meus seguranças seguem atentos naquela conversa. — Porém... ainda é um tanto peculiar pensar na Sérvia totalmente nas mãos de uma garota! — o homem ao seu lado anuncia, no mesmo segundo pego a garrafa de bebida em cima da mesa e sirvo uma dose em meu copo. — Não quero ofendê-la, muito menos a vontade de seu falecido pai... — Cale-se. — o interrompo, o homem engole as palavras no mesmo instante — Estou cansada de me dizerem o que acham ou não! Bebo o líquido em um único gole, todos desviam os olhares e baixam suas cabeças. — Eu tenho uma obrigação, e estou cumprindo ela desde que meu pai morreu na guerra de vocês! — cuspo aquelas palavras enquanto coloco o copo de volta a mesa. — Nossa guerra? — um dos membros voltam a falar — Desculpe, mas ela já existia a muitos anos. E o sacrifício de seu pai não foi em vão! — Não, não foi! — rebato — Então poupem-me de suas opiniões machistas, eu estou na liderança e é assim que vai ser! — Desculpe Senhorita Fanning, ninguém aqui tem intenção de ofendê-la. Desvio meus olhos e respiro fundo. — Contudo... — o mesmo homem de antes volta a falar — Temos que analisar que existe apenas você, sem irmãos, família... nada além de você! — Sim, é isso! — outro concorda. Franzi meu cenho enquanto analiso suas palavras. — Os albaneses irão anunciar seu líder, nossos informantes disseram que logo isso acontecerá. — ele faz uma pausa acendendo um cigarro — Se esse for tão parecido com o antigo, podemos garantir que não existe momento para repensar. Deve casar-se em breve, e só assim manterá o nome dos Fanning vivo! Meu maxilar se trincou só de ouvir aquilo, uma raiva subia por meu corpo enquanto o encarava. — Temos muitos homens para escolher, alguns que estão mais que preparados para ocupar o lugar ao seu lado! PAH Bato minhas mãos em cima da mesa, ele arregala os olhos. Ergo-me da minha poltrona e meus homens se aproximam um pouco. — Ouça-me bem, você ou qualquer outro nessa sala que pensam que estão em posição de me falar tal coisa estão completamente errados! — respiro fundo — Estamos prontos para qualquer um que tente se por no nosso caminho, isso inclui esse homem que assumirá o cartel albanês. Quanto a mim, sei me cuidar perfeitamente sozinha! Eles apenas ficam em silêncio, volto a me sentar na poltrona. O silêncio paira sobre um longo momento, então quando voltam a falar discutem outros assuntos evitando toda a discussão anterior. Mantenho-me em silêncio, segurando aquele copo de bebidas e apenas tomando as decisões finais. As aceitando ou não! • ────── ✺ ────── • Quando tudo se encerra seguimos em direção aos nossos carros, mas mentiria se dissesse que não fiquei com as palavras daquele conselheiro em minha mente. Elas se repetiam e me atormentam, lembrando-me o obvio. Que se esse futuro líder da Albânia decidir prosseguir com a guerra que nossas fronteiras já enfrentam, e por um acaso eu caia em um dos confrontos... o meu sobrenome morrerá comigo, e os Balcãs estariam a mercê de um novo líder ditado pelo próprio conselho! Respiro pesadamente me aproximando da porta aberta do carro, então antes de entrar olho para Zyan e digo: — Entregue-me as chaves! — estendo uma mão, ele olha com o cenho franzido. — Vamos juntos para o nosso local seguro, senhorita! — rebate. — Só preciso passar em um local antes. — respondo indo até o local do motorista. O homem que estava nele rapidamente desce e se afasta, mas antes que eu assumisse o local sinto uma mão segurar meu antebraço. Paro e olho dela até o rosto de Zyan! — Não acho uma boa ideia, aqui é uma cidade pequena mas ainda assim... Puxo meu braço, então subo e coloco a chave para ligar o veículo. — Sei me cuidar, encontrarei todos no local seguro! Era nítida a reprovação em meio as minhas palavras, mas não espero muito e ligo o carro. Acelero pelas ruas seguindo pelo lado sul, em direção daquele local qual um dia meu pai havia me levado uma única vez na infância. Um local qual eu poderia pensar em tudo, e colocar meus pensamentos em seu devido lugar!
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