Capítulo 2

1399 Palavras
• ────── ✺ ────── • Isaac Vaskur Pela janela do avião verifico que estamos prestes a aterrizar, os homens ao meu redor seguram as armas calculando as balas e colocando alguns pentes reservas nos seus coldres. Apago o cigarro no cinzeiro e analiso as mensagens que sobem a tela do notebook, o momento estava chegando. Eu tinha ciência disso! Fui preparado para tudo isso, calcular, manipular, matar, torturar. Mas cada vez mais que a hora se aproximava, mais eu sabia que uma nação clamaria por vingança! Há um ano eles caíram, perderam seu antigo líder. Sempre ouvi falar dele, de como era insano e com desejos demoníacos por meninas e meninos. Um doente? Não. Mas um demônio que caminhou por muito tempo entre nós, com toda certeza! Seus desejos sombrios foram sua ruína, algo que eu. Isaac Vaskur, não permitiria ser a minha! Meu desejo? Matar, vingar e torturar lentamente até que aquele maldito sobrenome esteja enterrado. Eles não são melhores que nós, nunca foram. Tanto que a guerra entre nossas nações já persiste há gerações. Ninguém nunca deu o braço a torcer, nunca quis se render, e tenho certeza de que isso não acontecerá agora! Contudo, ainda falta a minha nomeação. E quando aquele posto for assumido a caçada se iniciará! — Senhor. — um dos seguranças se aproxima, o olho pelo canto de meus olhos — O nosso contato enviou informações! Desliza uma folha de papel pela mesa, pego-a e começo a ler. — Quanto tempo até chegarmos? — digo olhando aquela folha. — Depois que aterrizarmos, 20 minutos! — responde. Concordo com a cabeça e volto a olhar a tela do meu notebook, minha razão de vir até esse país era apenas resolver pendências com nosso negociador. Um que parecia estar se rendendo aos sérvios, desde a morte de nosso antigo líder ele resolveu não nos responder mais. Sua única função era tentar evitar uma guerra ainda maior, mas tanto eu quanto meus homens sabem que ele não tem feito seus deveres corretamente. E agora alguém precisava pagar! Esse será um grande início, e pretendo levar a cabeça de alguém para começar a mostrar que muita coisa irá mudar no meu cartel! — Responda e mande-o mantê-lo vivo. — ordeno, meu segurança assentiu — Ao menos ele ficará até chegarmos! Bulgária Nossos carros seguem em alta velocidade pelas ruas da cidade de Plovdiv, mantenho um olhar frio enquanto miro mentalmente o que farei com o maldito assim que por minhas mãos nele. Apenas os cliques das armas se engatilhando são ouvidos, fecho meus olhos enquanto lembro dos ensinamentos que me foram passados. Sem piedade, sem receio, sem sentimentos Isaac. Nunca se esqueça de quem e o que você é! — Eu não me esquecerei. — digo a mim mesmo, tirando a adaga de minha cintura e passado levemente nas costas de minhas mãos. — Chegamos senhor! — um dos homens anuncia, abro meus olhos e percebo que já passamos dos portões da luxuosa mansão do traidor. Nossos carros passam pelo local e as pessoas que ali trabalham recuam, quando paramos em frente a entrada a porta principal está aberta, um dos meus seguranças desce os degraus vindo na nossa direção. Desço e o encaro friamente, sentindo o sangue escorrer em minha mão por um instante. — Onde ele está? — pergunto o encarando. — Amarrado, na sala. — responde, ia passar por ele quando volta a falar — Senhor, o que faremos com os outros? Acena para além de mim, olho por cima de meu ombro vendo meus seguranças impedindo que as pessoas fujam pelos portões. — Matem todos! — digo desviando meu olhar, sem esperar mais palavra e caminhando até a entrada. PO PO PO PO PO PO PO PO PO PO PO Os disparos ecoam, o cheiro de pólvora vem logo em seguida. Sigo um longo e extenso rastro de sangue que está no chão. As coisas na estão todas reviradas, e quando chego na sala principal a cena que vejo me faz rir friamente. — UH... — ouço seu gemido de dor, suspenso pelos pulsos e sangrando como um porco abatido. — Boa tarde! — digo caminhando até ele, meus seguranças nos rodeiam enquanto limpam suas mãos. — Ora o que temos aqui, um traidor em seu estado correto! — Eu... — luta para falar — Eu nunca trai vocês... por que estão fazendo isso? Dou um sorriso frio enquanto ergo as mangas de minha camiseta. — Nunca traiu? — paro diante dele — E desde quando está fazendo acordos com os malditos sérvios? — Eu... eles... — gagueja, me fazendo trincar o maxilar — Eu tentava encontrar um modo para nossas nações... Nem o espero terminar e dou um forte soco em seu rosto, sua cabeça é lançada com força para trás. Seu nariz que já sangrava, agora estava totalmente torto e quebrado. Seguro firme em seu cabelo o fazendo me olhar novamente. — Está se sentando com os inimigos, negociando informações. E acreditou mesmo que isso ficaria impune? — dou outro soco, ele cospe sangue — Quem assumiu o cartel fui eu, e não permito traições! Ele se debate, vendo que a adaga em minha mão começava lentamente de seu rosto. Seu desespero me nutria, sua tentativa de falar agora não eram válidas, não quando seu maxilar deslocado balança sem o permitir falar mais nada. Aproximo aquele objeto de um de seus olhos, deixando bem perto quando sussurro: — Vou tirar um a um deles, ficará no escuro enquanto começarei a desmembrá-lo lentamente. — ele se desespera — Você será o bom exemplo do que acontece, quando não se escolhe o lado certo dessa guerra! Dou um sorriso frio, vendo que saciarei meu demônio interior. — AHHHH... — seu grito ecoa, enquanto a adaga perfura um olho e em seguida o outro — AHHH! Limpo minhas mãos no pano que estava dentro do meu carro, ao redor inúmeros corpos caídos cobrem o jardim da grande mansão. Os veículos começam a se mover em direção da saída, deixando apenas alguns dos meus no local para verificar se encontram informações sobre o que e com quem exatamente esse maldito porco havia falo. — Devemos seguir para o local onde ficará até voltarmos para a Sérvia? — meu motorista pergunta, guardo aquela adaga já limpa em minha cintura e o respondo: — Preciso de um maldito banho, vamos até lá. — ele assentiu me encarando pelo retrovisor. Eu estava focado em tirar as gotas do sangue daquele maldito de mim, porém, não tinha planos de ficar enterrado lá. Eu já estava aqui, nessa cidade de merda. E teria que procurar algum meio de me distrair, com uma diversão noturna. Ou quem sabe ceifando a vida de mais algum que queira entrar em meu caminho! • ────── ✺ ────── • Entre alguns morros e montanhas, ao sul da cidade tinha uma breve vista das ondas se chocando nas altas rochas marítimas. O céu estava quase dando espaço a uma noite fria e solitária, foi quando entre uns olhares que avistei algo que me atraiu. No alto da colina, próximo da estrada vazia e distante das cidades. Uma mulher estava sentada sob o capô de um carro importado, seus longos cabelos voam, o sol reflete exatamente naquele lugar. Prendendo-me a olhar mais ainda, ela tinha os olhos para o horizonte, um cigarro queima entre seus dedos, e quando passamos bem na pista atrás de onde está ela olha por cima do seu ombro! Estreito meu olhar enquanto recebo o seu em nossas direções, contudo diferente do que eu poderia pensar ela simplesmente desviou os olhos. Como se a quantidade dos nossos carros em momento algum tivessem lhe impressionado ou assustado! Nos afastamos, mas não antes de mais uma vez eu poder ver seu rosto. Um que soprava longe a fumaça enquanto olhava aquele pôr do sol no horizonte, um de despreocupação e beleza genuína. Quem é essa mulher? Minha mente sopra a pergunta, mas apenas desvio meus olhos e foco no motivo de estar aqui. Mesmo que eu queira uma distração, uma que me intrigasse tanto como me vejo agora só me alerta de uma coisa Problema! E a menos que eu possa resolver ceifando sua vida, não me atreveria a me envolver. Respiro fundo, trazendo em minha mente o único local que penso em ir e que essa merda de país pequeno tem: um cassino!
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