Quebrando

1515 Palavras

O som da porta ainda ecoava na minha cabeça. Aquele rangido metálico... o tipo de som que rasga o ar e corta qualquer ilusão de controle. Fiquei parado, olhando pro vazio, o gosto do beijo da Leila ainda preso nos lábios, mas o coração já afundando no estômago. A Leila ainda estava ali, parada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. — O que foi? — ela perguntou, a voz trêmula. Eu não respondi. Porque eu sabia. Sabia sem precisar ver. O instinto gritou antes mesmo da razão. Clara. Ela tava ali. Tinha visto. Tinha visto tudo. O som dos saltos ecoou uma vez, depois mais nada. O silêncio tomou conta da loja — aquele tipo de silêncio que pesa, que gruda no peito, que dá vontade de gritar. — Beto? — Leila me chamou, confusa. — O que foi isso? Mas eu não ouvi direito.

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