Debaixo da Chuva

1222 Palavras

A chuva começou como quem avisa, devagar. Pingos tímidos no vidro da janela, depois o vento, depois o trovão — e em poucos minutos o céu desabou. Eu estava parado no meio da sala, o desenho do Theo ainda na mão, olhando pro traço colorido e torto que ele tinha feito. Aquelas palavras miúdas, escritas com tanto carinho, pareciam gritar dentro de mim: “Volta logo.” Não dava pra ignorar. Não dava mais pra fingir que era tarde demais. Peguei o casaco, as chaves, e saí. Sem guarda-chuva. Sem pensar. Só fui. A rua era um borrão de luzes e água. Cada passo fazia o sapato encharcar mais, mas eu nem ligava. O vento cortava o rosto, o cabelo grudava na testa, a roupa pesava — e nada disso importava. Porque o coração… esse pesava muito mais. Eu só tinha um pensamento martelando: precis

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