Se existe um instante na vida em que a gente percebe que vai morrer, é quando o destino decide repetir o mesmo desastre pela segunda vez. E o meu chegou assim: com a porta da mansão se abrindo e a Clara parada ali, linda, elegante, e com a expressão de quem acabou de ver um fantasma — o fantasma do marido falso. Os pais dela gritaram ao mesmo tempo: — Surpresa! As crianças pularam. Alice correu até ela, rodopiando com o vestido azul. Theo, sorridente, abraçou a mãe pelas pernas. E eu? Eu fiquei ali, no meio da sala, sem saber o que fazer com as mãos, o corpo e a vergonha. Mas foi só Giuliana apontar pra mim e dizer, radiante: — Olha só, Clara, seu marido nos recebeu tão bem! Que eu percebi que não tinha saída. Respirei fundo, dei um meio passo pra frente, e com um sorriso trava

