Capítulo 04

1090 Palavras
Pânico. Acordei com o som pesado da batida na porta, minha cabeça ainda lenta tentando se ajustar a luz fraca que entrava pela janela. Nem precisei perguntar quem era, só o meu pai acorda alguém assim, como se o mundo estivesse desabando. - Levanta, Gabriel. Já tá na hora. - A voz dele atravesso a porta, firma e sem paciência. Passei a mão pelo rosto e me levantei, o corpo ainda pesado, as marcas do sono ainda frescas na mente. Não tinha muito tempo pra pensar. Fui para o banheiro e tomei um banho gelado para despertar de uma vez, sai enrolado em uma toalha e em seguida vesti uma camiseta qualquer e desci as escadas, encontrando meu pai já na cozinha, tomando um café preto e amargo, do jeito que ele gostava. Minha mãe, Bruna, já tava de pé, preparando o café da manhã. - Bom dia, mãe. - Falei, me sentando na mesa. - Bom dia, meu amor. Dormiu bem? - ela perguntou, sorrindo, mas eu só dei de ombros. - Vamos, Gabriel. Tem muita coisa pra fazer hoje. - Meu pai interrompeu, pegando uma fatia de pão e jogando no meu prato. Comi rápido, sem trocar muitas palavras. O silêncio entre nós parecia gritar mais alto do que qualquer conversa. Sabia que o dia de hoje ia ser diferente. Era o começo do que meu pai tanto falava. Depois de comer, saímos. O sol ainda estava começando a subir, iluminando as ruas estreitas e os becos que eu conhecia tão bem. Andamos até a sala onde meu pai costumava ficar, uma espécie de escritório improvisado, onde ele lidava com tudo relacionado ao morro. - Entra. - Ele disse, apontando para a cadeira na frente da mesa. Fechei a porta atrás de mim e me sentei, sentindo a pressão no ar. Meu pai se sentou do outro lado, cruzando os braços e me olhando com aquela expressão séria que ele sempre usava quando as coisas eram realmente importantes. - Hoje você vai aprender o que significa ser o dono dessa p***a toda. - Ele começou, sem rodeios. - Ser o líder aqui não é só sobre curtir a vida, festa e mulher. Isso aqui é responsabilidade. Tudo que acontece aqui passa por você. Cada decisão, cada problema, cada vida... tudo depende do que você fizer ou deixar de fazer.Fiquei em silêncio, absorvendo cada palavra. Eu já sabia que meu pai não era só um cara qualquer. Ele tinha o respeito de todo mundo, e não era só por medo. Ele sabia como cuidar de tudo, como manter a paz e a ordem. E agora ele queria que eu fosse o próximo a carregar esse fardo.- Tá vendo esse mapa? - Ele apontou para uma grande folha aberta na mesa, com o desenho da favela, ruas e becos detalhados. - Isso aqui é o coração do nosso negócio. Saber cada canto, cada ponto de venda, cada aliado e cada inimigo. Não tem como você ser um líder sem conhecer cada detalhe do que acontece aqui.Ele começou a me mostrar como as coisas funcionavam. Os contatos, os pontos de venda, as negociações. Tudo era muito mais complexo do que eu imaginava. Eu sempre via a parte divertida, a parte que eu queria: o dinheiro, as festas, o poder. Mas agora, vendo o trabalho pesado por trás disso, comecei a entender que ser "Dono do Morro" era muito mais do que apenas mandar e desmandar.- Todo mundo aqui depende de mim, e quando eu não puder mais, eles vão depender de você. - Ele disse, olhando nos meus olhos. - Cê não tem escolha, Gabriel. Já passou da hora de você entender isso.Fiquei ali, escutando, absorvendo tudo. As palavras dele eram pesadas, mas reais. Eu sabia que, querendo ou não, aquele era o meu destino. Mas, enquanto ele falava, eu não conseguia parar de pensar na Thamires, na vida que eu queria levar, e em como tudo isso parecia estar fugindo do meu controle. Quando ele finalmente terminou, me deixou com uma última instrução. - Amanhã, você vai comigo. Vou te mostrar como as coisas realmente funcionam aqui. E aí, vamos ver se você tá pronto. Ele me entregou um Iphone na caixa e uma Pistola, coloquei ela na cintura e então ele me deu as costas e falou algo no rádio, me virei para sair da sala até que meu pai se colocou na minha frente e me entregou um radio, olhei para ele e peguei. - Fica atento, já passei pra geral que o Pânico ta de volta, e que agora quem ta no comando é você. - Ficamos nos olhando e ele bateu a mão no meu ombro. - É bom ter você de volta. Sai da sala dele sem falar nada, coloquei o radio na cintura e fui andando pelo morro até chegar na quadra, já tinham alguns menor jogando bola, sentei olhando eles, até que percebi alguém sentar a meu lado. Olhei e era Camila, e c*****o, como ela ta gata, cheia de tatuagem pelo corpo, morena e com uma boca, p***a. - Não acreditei quando me falaram que você estava de volta. - Ela abriu os braços e nos abraçamos, ela beijou o canto da minha boca, então olhei para ela de baixo para cima. - Você tá muito gato GG. - Que isso Cami, você que ta uma gostosa, tomou o que? - Falei rindo com ela que colocou a mão em meu peito e alisou até a barriga. - Eu senti saudade. - Ela disse encostando o lábio na minha orelha e começou a sussurrar. - Eu tava louca pra ter aquele replay gostoso com você. - Mais tarde tem baile no morro, sobe lá no camarote. - Falei passando os dedos no pescoço dela e descendo pelo braço, senti ela se arrepiar e sorri. - Cade aquele seu namorado? - O Lucas? - Quando ela falou o nome comecei a rir. - Qual foi GG, até você? - Você eu até entendo ver algo naquele merda, mas a Thamires? - Quando falei ela se levantou e fechou a cara. - Você continua o mesmo i****a pelo jeito né. - Ela cruzou os braços e eu ainda rindo me levantei colocando a caixa do celular no bolso. - Sou i****a e você aqui tentando conseguir algo? Poxa Cami, achei que ia rolar. - Passei o dedo no queixo dela e encostei nossos lábios. - GG. - Ela sussurrou e segurou na minha corrente a puxando, nossos lábios se encontraram e então nos beijamos.
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