Capitulo 4

606 Palavras
Kian Saí da cabana e o ar frio bateu no meu rosto como um tapa. Eu precisava de ar. Precisava entender o que tinha acabado de ouvir dentro daquela casa. Milagre. Ela me chamou de milagre. Como se eu não tivesse sido concebido para matar e sim para trazer a salvação... Onde essa menina foi criada? Parei no meio do meu pátio, virei-me para Dalton e perguntei, direto: — Eu pensei que eu tivesse problemas, mas essa menina tem bem mais que eu. Qual é a história, como assim ela acha que e a virgem Maria? Dalton suspirou, passou a mão pelo rosto cansado. Parecia um homem que carregava o peso do mundo nas costas. — Não sei muito da história dela, Kian. Só o que a Trisha me contou. Hannah cresceu em uma seita religiosa chamada Dawn of Freedom Ranch Divine. Convenceram ela de que era a escolhida pelo divino, que carregaria o salvador da humanidade. — Ele fez uma pausa, o olhar sombrio. — E eu acho que venderam ela para o Projeto Quimera. Ela não sabe de nada da vida fora da seita. Ahh merda, eu sabia que ela tinha que ter um defeito, ninguém e perfeito. Linda, gostosa com olhos lindos e olhar frágil e muito gostosa... Hendrick, que estava encostado, soltou uma gargalhada estridente que ecoou pela floresta interrompendo os meus pensamentos. — Então além de ter um filho sem nunca ter trepado com a mulher — ele limpou uma lágrima de tanto rir — A mulher acha que o p*u dele é divino! Eu rosnei. Hendrick deu um passo para trás, mas ainda sorria. Dalton ignorou a piada i****a do outro homem e continuou: — A boa notícia é que ela veio de um lugar simples. Sem tecnologia, sem confortos modernos. Ela não vai estranhar o seu estilo de vida aqui. —Hendrick, ainda se recuperando da risada, acrescentou: — O lado bom é que ela não vai reclamar da falta de conforto quando ela acha que vaso sanitário é a invenção do século. Dessa vez, eu não rosnei. A minha mão se moveu rápido e dei um tapa na nuca de Hendrick, forte o suficiente para fazê-lo cambalear e calar a boca. Ele levou a mão à nuca, finalmente sério. — Isso dói— disse ele — E para doer, e se você não se calar eu vou quebrar o seu nariz... de novo. Hendrick se calou. Dalton balançou a cabeça, mas não interferiu. Ele tirou do bolso um celular preto e me entregou. — Fica com isso. Se algo estranho acontecer, você liga. Eu volto em alguns dias para ver como vocês estão, e para dar detalhes da movimentação do projeto Quimera. Peguei o aparelho, sentindo o peso frio do plástico na minha mão. Tecnologia. Algo que eu aprendi a odiar tanto quanto amava. Guardei-o no bolso da jaqueta. — Ok, qualquer coisa eu ligo. Ele não esperou resposta. Virou-se e caminhou em direção ao helicópter. Hendrick o seguiu, ainda massageando a nuca, mas sem graça. O rotor começou a girar, o barulho ensurdecedor cortou o ar, e em poucos minutos a máquina se elevou e sumiu no horizonte cinzento. Fiquei ali por um longo momento, sentindo o vento frio no rosto, ouvindo apenas o silêncio da floresta. Depois, virei-me e voltei para a cabana. Ao abrir a porta, encontrei Hannah deitada na cama. Ela estava com o bebê nos braços, os dois enrolados em uma das mantas de lã que eu mesmo havia tecido. Seus olhos estavam fechados, mas não dormia. Eu podia ver pelos movimentos leves dos seus dedos acariciando a cabeça do pequeno. Continua...
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR