O celular vibra no banco do passageiro. Atendo no viva-voz. — Olá, querido. — Olá, mãe. A sua voz soa animada, como sempre. — Eu e as meninas estamos organizando um evento para arrecadar fundos para um abrigo e promover a adoção de cães e gatos. Você quer ser voluntário? — Voluntário de que tipo? Perguntei com cautela. — Porque se você vai me colocar para me fantasiar de cachorro, aviso que eu lato muito m*al. Ela ri com vontade, o que me arranca um sorriso automático. — Nada de fantasias. Precisamos de homens bonitos. — Mamãe, você está usando o seu próprio filho como isca? — Claro. Que tipo de mãe eu seria se não fizesse isso? Não consigo evitar rir. O carinho que ela coloca em cada palavra me desarma. — Isso soa como favoritismo, mas eu aceito. Quando é? — No próximo sábado

