A CASA É SUA

1156 Palavras
Ana Flor Almoçamos juntos, os funcionários servem a comida dele e logo vão comer também. Ele já está se arrumando pra sair pra algum lugar, eu estou perdida nessa casa. - Vai ficar com esse quarto mesmo? - pergunta enquanto eu já decidi qual meu quarto aqui. - Sim, da pra ver bem a piscina daqui - Você sabe que todos dão né? - me olha com uma cara desconfiada. - Eu sei, mas gostei desse mesmo. - E outra coisa que tenho que perguntar a você - Pode perguntar - Você já pagou suas contas esse mês? luz, internet essas coisas? - Já pagamos algumas - As que não estiverem pagas, eu vou te mandar um numero que é da Wanessa, do meu financeiro... você encaminha pra ela, que já vão ser pagas junto com as minhas, e faça isso todos os meses. - Tá certo então - falo apenas, ele vai pagar mesmo? - Agora eu preciso ir, fica a vontade aí - fala já saindo do quarto. - Você vai demorar? - questiono e vejo ele sorrindo. - Não, chego antes do jantar - Tá bom - falo e ele sai, encosto a porta e me jogo na cama. Gente onde foi que eu me meti, esse homem não parece o mesmo soberbo que estava naquele dia do restaurante, não é possível. (...) * Oi vó * Oi minha filha * Só te liguei pra dizer que está tudo bem * Graças a Deus, estava orando pra isso, você já comeu? * Já sim vó, e comida de rico viu * Agora tá chique, já espalhei pra todo mundo * Vó pelo amor de Deus, não fica fazendo isso não, vai que dá tudo errado? * Não vai dar nada errado - minha vó espalhando que estou trabalhando e eu aqui agora deitada na cama. * Mesmo assim, não precisa ficar colocando assunto na boca das fofoqueiras. * São minhas amigas filha * Fofoqueira igual - falo rindo e ela rir também. * Ta bom, vou fofocar menos * Tá certo vo, você está bem né? * Estou sim, estou em casa sem fazer nada... não tem como está r**m. * A vida que pediu a Deus né * Com certeza, mas com o corpo coçando pra fazer alguma coisa. * Mas vai se acostumando, essa é sua nova vida * Acho que consigo me acostumar - damos risada - não quero atrapalhar você não minha filha. * Você não atrapalha não * Você trabalhando e eu aqui sem fazer nada puxando conversa. * Pode conversar vó, tem problema não * Seu primeiro dia, tem que passar boa impressão. * Tá certo então, quando eu puder eu te ligo de novo. * Tá bom minha filha, bom trabalho... e vigie dormindo aí. * Pode deixar, te amo * Te amo minha menina Desligo o telefone e fico olhando pro teto, mas logo decido explorar a casa. Desço as escadas, e a casa está silenciosa, como uma casa com tanta gente está esse silêncio absoluto. - Precisa de ajuda senhora? - eu tomo um susto e não consigo disfarçar a Berna surge do completo nada - perdão senhora, não queria lhe assustar. - Não tem problema, eu só não estava esperando ninguém aparecer, estava um completo silêncio - falo sorrindo. - Eu vi a senhora e imaginei que queria algo - Não Berna, estava só sem fazer nada, aí vim olhar um pouco a casa. - A tudo bem, vou deixar a senhora a vontade. - Não precisa me chamar de senhora - É norma - Pode me chamar de Ana, ou flor se preferir... eu que deveria chamar lá de senhora - já que ela é bem mais velha que eu, minha vó me ensinou que isso é sinônimo de respeito - não me importo com essas coisas. - Tudo bem senh... Ana, vou me policiar - diz - Você está ocupada? - Ia tomar um café da tarde, mas se precisar de alguma coisa. - Posso ir com você? - pergunto e vejo sua feição surpresa - se não puder tudo bem, não tem problema. - A senhora quer tomar café com os empregados? - Tem problema? - Não, não... vamos - vou indo atrás dele - é na casa de serviço. - Tudo bem, tava curiosa pra conhecer lá Chegamos na casa e a cozinha que tem lá é enorme, vejo que todos os funcionários estão juntos e assim que eles me veem mudam a postura, e os seguranças levantam. - Tudo bem, pode sentar - todos olham como se eu fosse um bicho, ou como se fosse dar a maior bronca possível. - A Ana veio tomar café com a gente - A Berna diz e vejo a cara de estranhamento deles. - Se não puder tudo bem - falo - Pode ficar a vontade - a Leila diz - eu fiz bolo de laranja, coisa simples - diz e vem me servir - Não precisa, eu me sirvo, vocês estão no momento de café ... a intrusa sou eu - levanto e sirvo meu pedaço de bolo. Todo mundo se serve e pego um café com leite pra acompanhar o bolo. - Vocês trabalham muito tempo aqui? - questiono. - Eu trabalho a 8 anos aqui - a Leila diz - Muito tempo. - A Berna e o João são os funcionários mais antigos, um tem 15 e outro 12 anos - a Leila é a mais comunicativa. - 15 anos é uma vida, nunca teve vontade de jogar tudo pro ar não? - pergunto rindo pra Berna. - Eu gosto de trabalhar aqui - eu sinto que ela tem um pé atrás comigo, não sei se é apenas uma impressão. - Vocês são bem novas né? - pergunto as meninas da cozinha. - Sim, temos 25 e 26 - um só responde e a outra nem na minha cara olha. - A Filipa é minha filha - A Leila diz - ela veio me ajudar aqui. - Entendi - E minha vó me trouxe, porque eu estava precisando, sabe como é né - a mesma que me respondeu ante diz - quer dizer não deve saber - Sei - falo rindo - eu bem sei - Você nasceu onde? - um dos seguranças pergunta - Eu sou do Vale Sereno - vejo a cara de surpresa deles. - Você morava naquela favela? - ele pergunta realmente surpreso, acho que todos. - Não só morava, como moro até hoje - todo mundo me olha chocado e eu acho engraçado e acabo rindo. - Realmente estou surpreso, eu tenho um tio que mora por lá. - Sério? - falo sorrindo - lá apesar de tudo é um bairro bom de morar. - Sim, eu ia bastante a uns 25 anos atrás, quando era criança... que claramente você não era nascida ainda. - Não mesmo, tenho 21 só - comento rindo.
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