capítulo 19

1340 Palavras
Marina estava sentada na borda da piscina, os pés mergulhados na água, o vestido leve balançando com a brisa. Os cabelos presos de qualquer jeito deixavam alguns fios soltos dançando sobre o rosto. Ela ainda não o tinha visto. Erick parou. Por um segundo inteiro, pensou em recuar. Dar meia-volta. Fingir que nunca subira ali. Mas alguma coisa dentro dele — talvez cansaço demais para fugir, talvez vontade demais para negar — o fez dar um passo à frente. O som ecoou suave pelo piso molhado. — perdida em pensamentos? Marina virou-se. O susto foi imediato. — Erick! Ele manteve as mãos nos bolsos, tentando parecer mais neutro do que realmente estava. — Eu… — a surpresa escapou antes que pudesse disfarçar. — peço desculpas. Não quis incomodar. Boa noite. — murmurou ele, já começando a se afastar. — Fica. — a palavra saiu antes que ela pensasse. Erick parou e olhou por sobre o ombro. Marina engoliu seco. — Eu já estava de saída… Ele se virou por completo. — O hotel é seu. — respondeu, naquele tom sereno que só a irritava mais. — Isso não tem nada a ver. — Tem certeza? — perguntou, sem elevar a voz, mas com uma franqueza que mudou o ar entre eles. Ela estreitou os olhos. — Precisa insistir? — Você que está insistindo. Marina soltou um suspiro curto. — É sério? Você é sempre assim? Impassível… e rabugento? — E você? — ele rebateu, aproximando-se alguns passos até parar diante dela. — Sempre imprevisível? Uma hora me trata bem… outra como se eu fosse um incômodo. — Talvez se você não tivesse aparecido daquele jeito, a gente não estaria nessa situação. Os olhos dele se estreitaram levemente. — De que jeito exatamente? — perguntou, chegando ainda mais perto, a voz baixa demais. Ele passou a língua pelos próprios lábios antes de concluir: — De toalha? Marina sentiu o corpo inteiro estremecer. A tensão que já os cercava tomou forma. Erick estava perto demais… olhando-a de um jeito que queimava. E por mais que tentasse disfarçar, ele também estava afetado. — Você é muito convencido. — ela disse, recuando um passo. Ele avançou o mesmo passo. Até que suas costas tocaram a parede fria atrás dela. A respiração dela falhou. A dele, também. — O que você quer afinal? — Marina perguntou, quase num sussurro. Ele demorou três segundos para responder. Três segundos longos, que fizeram o coração dela bater no pescoço. — Você. Eu quero você. — a voz rouca, grave, sem escapatória. Marina sentiu o corpo inteiro reagir — um calor súbito, uma vertigem, um arrepio subindo pela espinha. Erick inclinou o rosto, chegando à curva do pescoço dela. Ela sentiu o hálito quente tocar sua pele. As pernas quase fraquejaram. — Diz que não me quer, que eu me afasto. — ele murmurou, a boca perigosamente próxima da orelha dela. — Erick… — Marina arfou, procurando ar, força, sentido. Ele aproximou ainda mais. — Diz que não quer ser beijada… e eu paro. Mas ela não disse. Ela não conseguiu. — Eu… eu… — tentou, perdida, tensa, entregue. E isso bastou. Erick a beijou — lento, profundo, ardente. E Marina correspondeu na mesma intensidade, como se tivesse esperado aquele toque desde o primeiro instante. O resto veio fácil. Natural. Inevitável. O corpo dela colou ao dele, as mãos envolveram seu pescoço, o beijo ficou mais urgente, mais quente, mais faminto. Erick segurou sua cintura com firmeza, puxando-a para mais perto, e um gemido suave escapou dela — o suficiente para deixá-lo sem ar. Quando Marina se afastou um segundo para respirar, ele murmurou, ainda ofegante: — Desculpa… eu vou parar. — Não. — ela disse, puxando-o de volta. — Não pare. E o beijou outra vez, sem qualquer hesitação. Marina o puxou de volta para o beijo, sem permitir que ele se afastasse. E naquele instante, tudo que existia ao redor desapareceu — a piscina silenciosa, a noite lenta, o vento leve que passava pela cobertura. Só eles. Só o som misturado das respirações. Só a urgência que parecia ter crescido por semanas. O corpo de Erick reagiu ao dela de imediato, como se reconhecesse cada toque. As mãos dele deslizaram pela cintura de Marina, firmes, decididas, trazendo-a tão perto que ela sentiu o coração dele bater contra o próprio peito. Ela arfou quando o quadril dele roçou no dela — quente, intenso, inevitável. Ele encostou a testa na dela, respirando descompassado. — Marina… — sua voz saiu rouca, quase um pedido, quase um aviso. Mas ela não recuou. Pelo contrário: agarrou o rosto dele com as duas mãos, puxando-o para outro beijo — mais profundo, mais entregue, mais cheio de tudo que vinha tentando controlar. Erick gemeu baixo, vencido. Em poucos segundos, estavam colados de um jeito que nenhuma palavra conseguiria explicar. As mãos dele percorreram suas costas, subindo e descendo como se memorizassem cada detalhe. O vestido leve dela não escondia o calor da pele, nem a tensão elétrica que os dois compartilhavam. Ela se apertou contra ele e Erick perdeu o último fio de controle. Ergueu Marina pela cintura, sentindo as pernas dela se enroscarem naturalmente em sua volta. O beijo deles se intensificou — profundo, molhado, urgente — enquanto ele a conduzia até a espreguiçadeira ao lado da piscina. Os dois caíram ali, juntos, ainda abraçados, os lábios não se separando nem por um segundo. Marina deslizou as mãos pela nuca dele, pelos ombros, pelo peito — cada toque arrancando um suspiro rouco de Erick. Ele correspondia com a mesma fome: a boca percorrendo seu pescoço, a mão firme em sua b***a, guiando-a, segurando-a, permitindo que ela sentisse o desejo dele sem disfarces. Quando ela sussurrou seu nome — baixo, trêmulo, quente — Erick fechou os olhos como se aquilo fosse o golpe final. — Diz que eu posso… — ele pediu, a voz tão baixa que quase se misturou ao barulho distante da água. Marina segurou o rosto dele entre as mãos, aproximou os lábios dos dele e sussurrou, ofegante: — Você pode. E então nada mais conteve os dois. A noite se tornou cúmplice. Os corpos encontraram o ritmo um do outro sem esforço, como se tivessem sido feitos para se encaixar. Erick a tocava com uma mistura perfeita de urgência e cuidado, como se ela fosse ao mesmo tempo um perigo e um lugar seguro. Marina se entregava, estremecendo a cada movimento dele, segurando-o firme como se o próprio ar dependesse daquilo. Houve gemidos abafados no pescoço. Houve mãos apertando costas, cintura, cabelos. Houve beijos que tiravam o fôlego e palavras sussurradas entre uma respiração e outra. O mundo desapareceu. Só restou calor, pele, suspiros — e aquela conexão que nenhum dos dois teve coragem de admitir em voz alta. Quando finalmente chegaram juntos ao ápice — quase ao mesmo tempo, quase em uníssono — Marina agarrou os ombros dele, arqueando o corpo, e Erick enterrou o rosto no pescoço dela, tremendo, completamente rendido. O silêncio que veio depois não era vazio. Era denso. Carregado. Erick permaneceu ali, deitado sobre ela, a cabeça repousada em seu peito, o coração batendo rápido demais contra a pele dela. Quando o silêncio finalmente tomou o lugar das respirações aceleradas, Marina sentiu o mundo voltar devagar — como se o calor que envolvia os dois fosse sendo empurrado para longe pelo vento frio da cobertura. Erick ainda estava deitado sobre ela, com a testa encostada em seu peito, tentando recuperar o fôlego. Ela passou os dedos pelos cabelos dele, sem pensar, como se seu corpo tivesse memorizado aquele gesto. Mas, conforme o coração desacelerava… a consciência voltava. A realidade veio como um choque gelado. Ela estava na cobertura do próprio hotel, nua. Com Erick. Depois de cruzar um limite que jamais deveria ter sido ultrapassado. Marina inspirou fundo, sentindo a culpa pegar fôlego dentro dela. O que ela tinha acabado de fazer? Com cuidado, escorregou das mãos dele, desfazendo o abraço. Erick ergueu o rosto, confuso no início — mas não disse nada. Apenas observou.
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