Capítulo 2

571 Palavras
Erik Nyström A sede da Carbone era silenciosa demais para um lugar que comandava o submundo. Discreta por fora, mas com corredores revestidos de mármore, câmeras invisíveis e o tipo de segurança que nunca deixava de observar. Eu conhecia cada detalhe. Nunca esquecia os caminhos que me levavam até os Ricci. O corredor principal exalava madeira encerada e tensão contida. Meus passos ecoavam secos sobre o piso, o sobretudo escuro acompanhando o ritmo do meu andar preciso. Não havia pressa — eu chegava sempre no tempo exato. Nem antes, nem depois. Domenico estava encostado à janela quando entrei. Damiano, sentado à cabeceira da longa mesa de reuniões, não levantou os olhos de imediato. Giorgio não estava presente, o que indicava que aquela missão era nova, mas não tradicional. Uma decisão da geração atual. A máfia Carbone em movimento. — Erik. — Domenico me cumprimentou com um leve aceno de cabeça. — Ricci. — respondi, com o mesmo tom neutro. Sentei-me na cadeira ao lado da ponta. Nenhuma formalidade a mais. Nenhuma saudação desnecessária. Os outros membros da mesa apenas assentiram em silêncio. Eu não precisava saber os nomes. Só os rostos e suas ordens. Damiano finalmente fechou o arquivo à sua frente. — Temos um alvo — disse, direto. — Um empresário ligado à Camorra. Cobre negócios em Milão, mas movimenta dinheiro da antiga família Bianchi. Ergui os olhos para ele. Camorra. Sempre eles. — Nome? — perguntei. — Fabrizio Pacco. Cinquenta e dois anos. Usa uma construtora como fachada para lavagem de dinheiro. É próximo do novo braço da organização na Bélgica. Se o derrubarmos agora, cortamos o elo que eles ainda têm com o norte da Itália. Domenico cruzou os braços, o olhar tão afiado quanto o meu. — Ele viaja com seguranças, mas tem uma rotina previsível. Estamos rastreando há três semanas. Você entra, faz o necessário, e desaparece. Assenti. Nenhuma pergunta a mais era necessária. Eles sabiam disso. Eu não aceitava missões pela metade, nem lidava com falhas. Damiano passou uma pasta até mim. Abri. Fotos, horários, esquemas. Mapeamento completo. Organização era o que os Ricci faziam de melhor. Por isso eu ainda trabalhava para eles. — Há uma possibilidade de ele comparecer ao leilão beneficente do Palazzo Ferretti na sexta — acrescentou Domenico. — Se for, pode ser a oportunidade ideal. Fiquei em silêncio enquanto analisava o conteúdo. Um padrão de movimentação. A segurança trocando turnos a cada quatro horas. Um carro blindado, mas previsível. Ele era vaidoso, e homens vaidosos se tornam descuidados com o tempo. — Considera feito. — fechei a pasta, levantando-me. — Erik. — a voz de Damiano me chamou antes que eu cruzasse a porta. Virei-me com calma. Ele estendeu um pequeno envelope preto. — O convite para o evento anual da Carbone. É daqui a duas semanas. Na Villa Ricci. Olhei para o convite sem mover uma expressão sequer. — Você sabe que eu não vou. — Damiano deu de ombros, o traço de um sorriso contido nos lábios. — Sei. Mas caso mude de ideia… ficaremos felizes em vê-lo lá. Peguei o convite com dois dedos e o guardei no bolso interno do casaco. Sem promessas. Sem recusas. Apenas silêncio. E então, saí. Não olhei para trás. Não precisava. As palavras de Damiano ainda estavam pairando no ar, leves demais para o mundo em que vivíamos. Eu tinha um alvo. Uma missão. E qualquer coisa fora disso… era ruído.
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