Renata
Quando finalmente o táxi para, saio do carro e pego minhas malas, estou tão animada para olhar a cidade, Andrei me ajuda a levar a maior mala, estamos em frente a um portão de ferro enorme todo preto, o muro é bem alto. Respiro fundo e vejo ele a pegar o celular, acho que ele está falando com a família, estranho o portão não ter câmeras.
— eu voltei para casa, podem abrir o portão. / Vejo ele a desligar o celular sem dizer mais nada, vejo o portão a abrir sozinho, que legal e sombrio.
— não sabia que era tão rico. / Falo olhando o jardim enorme.
— eu não sou, minha família é. / Diz entrando pelo portão, faço o mesmo e o portão se fecha atrás da gente.
— sei que deve estar curiosa para saber por que eu disse ao motorista que você é minha noiva. / Diz olham para mim.
— sim, estou muito curiosa para saber o motivo disso. / Falo olhando o jardim enorme cheio de árvores, não consigo ver a casa.
— será mais bem tratada aqui se todos pensarem que é da família de um romeno. / Diz calmo, até que faz um pouco de sentido.
— entendi mas como é que irei arrumar um namorado se todos pensarem que sou sua noiva? / Pergunto olhando ele.
— você quer arrumar um namorado aqui? / Diz me olhando de forma estranha.
— não pretendo mas vai que eu me apaixono por alguém. / Falo normalmente.
— eu entendi o que está tentando falar, mas é melhor todos nessa região pensarem que está na minha família, pelo seu bem. / Diz sério, por que sinto que tem algo de muito errado nisso.
— vamos ficar aqui parados ou vamos ir até sua casa? / Pergunto um pouco exausta da viagem.
— estamos no terreno da minha família mas a casa é bem em frente, estou esperando um dos meus irmãos vir nos buscar de carro. / Diz calmo.
— quantos metros tem esse terreno? / Pergunto curiosa.
— acho que se compara a 5 campos de futebol. / Diz normalmente e eu fico sem saber o que dizer.
Escuto um som a se aproximar, vejo um carro a parar em nossa frente, um homem de cabelo preto sai acompanhado de uma mulher jovem.
— que bom que voltou mano. / Diz a mulher que abraça Andrei.
— senti saudades. / Diz retribuindo o abraço.
— Quem é a garota? / Pergunta o homem me olhando.
— uma grande amiga, ela vai ficar um tempo aqui, Cezar. / Diz Andrei olhando o homem de cabelos pretos.
— você falou isso com nossos pais? / Diz o homem que se chama Cezar.
— irei falar com eles, podemos entrar no carro ou não? Foi uma longa viagem, queremos descansar. / Diz Andrei indo em direção ao carro.
— espera, quando chegarmos em casa vai me contar tudo que aconteceu na Inglaterra. / Diz a garota animada.
— irei contar tudo depois, Aline. / Diz Andrei entrando no carro.
Entro no carro junto com eles, todos estão em silêncio e ninguém diz nada, apesar disso todos parecem estar de bom humor, que família estranhamente normal.
Depois de uns 10 minutos o carro para em frente a uma mansão enorme, fico impressionada, não sabia que a família dele era tão rica.
— está impressionada com a nossa casa, Britânica? / Diz a garota me olhando pelo retrovisor.
— não, não estou. / Falo olhando ela.
— ela mora em uma mansão na Inglaterra com a família também. / Diz Andrei saindo do carro.
Eu sou filha de um médico e uma advogada, posso dizer que fui sim mimada, apesar disso não quis seguir o futuro que eles decidiram para mim, fui a filha rebelde que sempre fazia o que os pais não queriam, decidi virar fotógrafa para seguir meu sonho, mas também sou veterinária, estou aqui na Romênia para não depender mais dos meus pais.
Entramos na enorme casa, eles nos levam até a sala de estar, parece que vão apresentar a família, me sento no sofá enquanto Andrei leva minhas malas para o andar de cima.
Vejo um homem e uma mulher que parecem ter 30 e poucos anos aparecerem, acho que são os pais adotivos do Andrei, depois de alguns minutos todos estão na sala, todos são lindos e fortes, mas eu tenho que tirar esses pensamentos da minha cabeça.
— meu nome é Aurelious, sou pai do Cezar que é o homem que foi buscar você e Andrei no portão. / Vejo o belo homem de cavanhaque.
— meu nome é Aline, sou irmã biológica do Andrei. / Diz a garota que parece estar sempre feliz.
— Sou Constantin, sou um ano mais velho que Andrei, sou filho do Aurelious. / Diz o homem loiro de olhos âmbar, acho que seria mais fácil dizer que é o irmão adotivo do Andrei.
— me chamo Nicolae, sou irmão do Andrei. / Ele tem cabelos loiros escuros e seus olhos são verdes.
— meu nome é Constantia, sou gêmea do Constantin. / diz a loira, os nomes romanos são estranhos.
— meu nome é Daciana, sou esposa do Aurelious. Sou mãe do Constantin, do Nicolae, do Cezar, da Constantia e da Eliana que não mora mais aqui pois casou. / Diz a mulher loira que parece ser bastante simpática.
— é um prazer conhecer vocês, espero conseguir lembrar do nome de cada um. / Falo sorrindo.
— hora de explicar o porquê de ela ficar aqui, Andrei. / Diz Aurelious nos olhando.
— a pousada que ela ia ficar cancelou o contrato quando ela já tinha chegado aqui, ela e a família dela me ajudaram quando precisei, espero que a ajudem da mesma forma. / Ele está sério.
— quando tempo ela vai ficar? / Pergunta Daciana me olhando.
— ela vai ficar na Romênia por um ano, mas só ficará aqui até arrumar outro lugar. / Andrei está calmo enquanto fala.
— irá poder ficar aqui, mas essa casa e região tem regras e irá seguir elas. Até agora não ouvi sua voz, não irá se apresentar? / Daciana está me olhando esperando em falar.
— meu nome é Renata Bernardi, sou fotografa e estou aqui a trabalho, prometo ajudar e ser útil enquanto estiver aqui. / Falo meio sem jeito.
— meu irmão falou que você fez faculdade de medicina Veterinária. / Aline parece curiosa para saber mais sobre mim.
— ele falo é? / Pergunto olhando Andrei.
— irei levar você para o seu quarto. / Andrei pega minha mão e me puxa para o andar de cima.
— por que fez isso? / Pergunto sem entender enquanto sigo ele pelo corredor.
— minha família é complicada, amanhã irei explicar melhor as regras, vai descansar. / Andrei para em frente ao quarto e me entrega a chave.
— está bem, obrigada e boa noite. / Falo e vejo ele caminhar para longe.
Entro no quarto e fecho a porta, caio na cama exausta pela viagem, acho que amanhã arrumo o quarto, estou tão cansada que agora só quero dormir.