Pré-visualização gratuita Capítulo 1 – O Encontro Fatal
A noite estava quente, carregada de eletricidade no ar, como se o próprio universo soubesse que algo estava prestes a acontecer. O exclusivo Clair de Lune, um dos clubes mais refinados de São Paulo, fervilhava com a elite da cidade. Risadas abafadas, brindes sussurrados e olhares carregados de intenções se cruzavam pelo salão luxuoso, onde a música baixa apenas amplificava a tensão sedutora do ambiente.
Olívia Martins não deveria estar ali.
Ela nunca foi o tipo de mulher que se sentia confortável em lugares como aquele. Advogada recém-formada, acostumada a batalhar para conquistar seu espaço, não via sentido naquele mundo de excessos e luxúria disfarçada de sofisticação. Mas Beatriz, sua melhor amiga e confidente desde a faculdade, não aceitaria um “não” como resposta naquela noite.
— Você precisa viver um pouco, Liv! — Beatriz insistiu horas antes, estendendo um vestido de cetim vermelho de alças finas. — Esse caso que você pegou está sugando sua alma.
Olívia bufou, cruzando os braços.
— Eu gosto da minha alma.
— E eu gosto da minha melhor amiga solteira e estressada, mas nem tudo pode ser perfeito, certo?
No final, Beatriz venceu. Como sempre.
Agora, Olívia estava ali, sentada no balcão, girando o copo de vinho na mão enquanto tentava ignorar os olhares masculinos que pareciam avaliá-la como uma presa rara. O vestido vermelho abraçava suas curvas de um jeito quase pecaminoso, e os saltos realçavam sua postura, mesmo que ela ainda sentisse que aquele não era o seu lugar.
Até que ela sentiu.
Não ouviu sua aproximação, mas a intensidade do olhar queimava sua pele antes mesmo que ela se virasse.
Theo Vasconcellos.
O nome dele carregava peso. Empresário implacável, um dos homens mais influentes do país, dono de uma fortuna incalculável e de uma fama ainda mais perigosa. Alguns o chamavam de gênio. Outros, de monstro. Mas todos concordavam em uma coisa: Theo nunca deixava algo — ou alguém — escapar de suas mãos quando decidia que queria.
E agora, seus olhos azuis estavam cravados nela.
Olívia sentiu um arrepio subir por sua coluna quando finalmente se virou, encontrando o olhar dele. Alto, imponente, vestido impecavelmente em um terno escuro que parecia ter sido feito sob medida para acentuar sua aura de autoridade. A barba cerrada realçava o maxilar forte, e seus lábios estavam curvados em um sorriso carregado de intenções.
— Você não parece pertencer a esse lugar — ele disse, a voz grave e rouca como uma promessa perigosa.
Olívia arqueou a sobrancelha.
— E você parece pertencer a todos os lugares.
Theo sorriu de lado, um brilho de interesse cruzando seus olhos. Ela não se intimidava facilmente. Ele gostava disso.
— Talvez. Mas hoje, o único lugar onde quero estar é ao seu lado.
A ousadia dele fez algo vibrar dentro dela, um calor desconhecido que ameaçava consumir seu bom senso.
Ela não era ingênua. Sabia exatamente o tipo de homem que Theo Vasconcellos era. Um predador nato. Um homem acostumado a ver as mulheres se renderem sem esforço.
— E se eu não quiser sua companhia? — desafiou.
Theo inclinou-se ligeiramente para frente, reduzindo a distância entre eles, e o perfume amadeirado e intenso dele a envolveu.
— Então, direi que você está mentindo para si mesma.
Os olhos de Olívia estreitaram-se.
— Arrogância não combina com sedução.
Ele riu baixo, um som rouco e perigoso.
— Quem disse que estou tentando seduzir você, pequena?
O modo como ele pronunciou aquele apelido fez seu estômago revirar. Como se a posse já estivesse implícita. Como se soubesse exatamente que, no final, ela cederia.
E contra todo o bom senso, Olívia pegou a taça de vinho e tomou um gole, mantendo os olhos fixos nos dele.
Ela não fugiria.
Não seria como as outras.
Mas ela não percebeu que, naquele exato momento, o jogo já tinha começado.
O Jogo da Sedução
— Dance comigo.
Não foi um pedido. Foi uma ordem envolta em veludo.
Olívia hesitou por um segundo. Uma parte dela queria negar. Queria dar as costas e ir embora. Mas a outra parte, a parte mais perigosa, queria ver até onde aquilo iria.
Ela pousou a taça no balcão e segurou a mão que Theo estendia para ela.
A eletricidade entre os dois foi imediata.
Ele a guiou até a pista de dança, onde a música era apenas um sussurro sensual ao fundo. Assim que a puxou para perto, Olívia sentiu a firmeza do corpo dele contra o seu. Forte. Quente. Perigoso.
Theo segurou sua cintura, os dedos pressionando sua pele nua onde o vestido não cobria. Seu rosto estava próximo demais, e ela podia sentir a respiração dele roçar contra sua têmpora.
— Você tem cheiro de pecado — ele murmurou.
Olívia sorriu, inclinando-se ligeiramente para trás para encará-lo.
— Você tem cheiro de encrenca.
— Um belo par, então.
Ela riu, mas o som morreu quando Theo deslizou os dedos para cima, subindo por suas costas nuas, traçando um caminho que enviou ondas de calor direto para sua pele.
— Não brinque comigo, Olívia — ele sussurrou.
— E se eu quiser brincar?
Theo estreitou os olhos, seu aperto na cintura dela se tornando levemente mais firme.
— Então, espero que esteja pronta para perder.
O Aviso
O jogo entre os dois estava claro. Mas o que Olívia não sabia era que, ao aceitar aquela dança, ela não apenas aceitou o desafio silencioso de Theo Vasconcellos.
Ela cruzou uma linha invisível.
Uma linha que a colocava em um mundo onde desejo e poder eram entrelaçados.
E onde homens como Theo nunca aceitavam um não como resposta.
A música diminuiu e, por um instante, o silêncio os envolveu. O olhar de Theo era feroz, carregado de intenções que faziam a respiração de Olívia ficar mais curta.
Ela sabia que deveria se afastar.
Mas, ao invés disso, ficou.
E quando Theo inclinou a cabeça, os lábios pairando a centímetros dos dela, ela soube que estava perdida.
Porque naquele momento, ela queria que ele a beijasse.
E Theo Vasconcellos nunca negava nada a si mesmo.
Um Olívia hesitou.
Cada célula em seu corpo dizia que entrar no carro de Theo Vasconcellos era um erro.
Mas, ao mesmo tempo, outra parte dela — a parte que havia se sentido viva como nunca antes nos braços dele — sabia que recusar poderia ser ainda pior.
Ela respirou fundo.
E então, sem dizer uma palavra, pegou a chave da mão dele.
Theo sorriu de canto.
E, naquele instante, Olívia soube que acabava de cruzar um limite do qual talvez não houvesse retorno.