Após a consulta Nicole, percebeu que precisava contar para alguém não porque queria. E sim, porque precisava vencer o medo. Contou porque o corpo não aguentava mais segurar. Dois meses escondendo enjoo, tontura, sono pesado, falta de ar. Dois meses fingindo que estava tudo normal enquanto o mundo dentro dela crescia em silêncio. A bolsa de estudos virava obsessão. O trabalho, um fio por onde ela se segurava pra não cair. Ninguém podia saber. Ninguém. Até o dia em que ela apagou no banheiro da faculdade. Acordou no chão frio, com a cabeça latejando e uma mão desconhecida segurando seu ombro. — Ei… calma… você tá bem? — a voz era feminina, preocupada. Nicole piscou, confusa. Reconheceu o teto. O cheiro de desinfetante. O barulho distante de passos. — Água… — pediu fraco. A garota t

