Capítulo 11

1348 Palavras
Eu voltaria para minha casa, ou melhor para casa dos meus pais, mas sentia um aperto enorme enquanto arrumava as malas eu sabia que não era bem vinda, não pelo meu pai, a forma como ele fingiu que eu não existia no café era doloroso demais, eu imaginei que comigo aqui amoleceria o coração dele, mas vejo que fez piorar tudo, ele deve me odiar. — Mamãe disse que vamos ficar para o almoço, então não precisa arrumar as coisas com pressa. — Helen diz se encostando no batente da porta. — Conhecendo nossa mãe e minha madrinha, sairemos depois do jantar. — Ou só na próxima semana nunca se sabe quantas desculpas elas podem inventar, e nosso pai agora que está sem trabalhar, não temos desculpas para voltar. — Eu preciso, quero arrumar um emprego, tenho que ajudar nas contas da casa, e quando melhorar a situação alugar um lugar para mim. — Eu ficaria o mínimo de tempo possível na casa dos meus pais. — Não se preocupe com isso agora. — Helen diz se aproximando e me abraçando. — Acabou de chegar Liz, temos que fazer tudo que eu planejei, tenho uma lista de coisas de irmãs que quero fazer. — Uma lista? — Ela me olhou desconfiada. — Sim, a primeira é ir ao cinema, assistir algum filme meloso para maiores de 16+. — Eu ri do sorriso alegre dela. — Não vou te levar para assistir filme mais de 16+. — Eu quero muito assistir e só tem cinema na cidade ao lado, e não posso dirigir sozinha. — Ela fez um pequeno bico. — Quer mesmo que eu seja expulsa de casa não quer? — Ela deu um meio sorriso triste. — Só queria passar mais tempo com você. — E a danadinha estava me manipulando. —Vou ler a sinopse do filme e ver as críticas se eu ver que tem algo inapropriado, não vamos assistir. — Ela abriu um largo sorriso. — Você é a melhor irmã do mundo, vou falar para as meninas que você vai nos levar. — Ela disse entre pulos. — Achei que era para passar mais tempo comigo, mas vejo que serei eu a motorista. — Isso estava bom demais para ser verdade. — As meninas vão te adorar vai ver. — Ela saiu saltitante, era gostoso de ver alguém feliz com tão pouco, continuei arrumar as malas, mesmo que minha mãe insista vou pegar o meu carro e ir para casa, Marcos tinha deixado claro que eu não era bem vida, e não posso ficar abusando da bondade da minha madrinha. Depois de arrumar as malas decidi andar, queria sentir um pouco do ar puro do campo, coloquei minha bota que não uso há muito tempo, sentia até meus pés perdidos com espaço que eu tinha. Desci as escadas feliz por saber que ainda peguei o finalzinho da estação e que o pé de jabuticaba deve estar cheio. — Liz! — Escuto meu tio me chamar, falei quase nada com ele no casamento, apenas o comprimentei de forma rápida. Ele sorri, meu tio era um coroa bonito, ele ainda tinha muita vaidade, e eu ficava feliz em ver que ele apesar da doença ainda continua o mesmo. — Anda fugindo do seu padrinho? — Claro que não, sabe que adoro falar de livros com o senhor. — Ele sorrir, ele era o leitor da família, e como eu passava as ferias aqui acabei pegando seu hábito, não tão elogiado pela minha tia. — Tenho lido muito, agora que os garotos assumiram de vez a empresa, tenho muito tempo livre. — Ele fala, e eu sei que isso era uma tristeza para ele, mas devido ao problema no coração ele não deve se estressar e é impossível administrar uma empresa sem ser estressar. — E a ideia de se aposentar e ir conhecer o mundo? — Ele sempre disse que compraria um barco e navegaram até a borda do mundo, Lucy adorava pensar nas aventuras que ele viveria. — Tenta tirar sua madrinha daqui, ela reclama de viajar de carro, reclama de viajar de ônibus, e de avião nem pensar. E sem ela eu não vou a lugar nenhum. — Vocês são o casal mais fofo que existe neste mundo. — E eles eram, minha madrinha e meu padrinho eram o casal mais fofo do mundo, eles nunca se separam, não lembro de vê-los brigando. Sempre achei que eu e Marcos seríamos assim, namorados de infâncias melhores amigos, até ficar velhinhos, eu realmente acreditava haver felicidade aqui, se fossemos como eles, mas a verdade é que não éramos, jamais seríamos. — Sua mãe terá ciúmes se ouvir falando assim. — Sentiria que minha mãe sempre sentiu ciúmes da relação que tenho com meus padrinhos. — Ela tem que deixar de ter esse ciúme todo. — Ele se aproxima e me dá um abraço. — Eu devia ter ido te ver naquele dia. — Eu não queria falar sobre isso, mas era inevitável. — Mas sua madrinha não me deixaria ir sem fazer perguntas, e você pediu segredo. — O senhor fez muito por mim, não tem ideia. — Eu corri para ele quando meu mundo desabou em são paulo, quando eu fui deixada na rua às 04:00 da manhã , sem dinheiro em meio a um tempestade, apenas com algumas peças de roupas que dona silva, que trabalhava para o senhor Luiz jogou pela janela dentro de um pequena bolsa. — Fiz muito pouco,você sabe que se seu pai souber como aquele bastado a tratou, ele o mataria, Marcos e Luan nem pensariam duas vezes. — Por isso pedir sua ajuda, é racional não sairia por aí com uma arma na mão. — Meu tio me olha como se não estivesse certo disso. — Ele só a expulsou como disse? Apenas isso? — Ele sabia, eu podia ver em seu olhar que ele só queria uma confirmação. — Eu falei, ele entrou na casa bêbado, falando para mim que eu devia ir embora que a casa não era mais minha. — Meu tinho me avaliou, mas eu não deixaria eles saberem, jamais deixaria. — Sabe que não precisa mentir para mim, eu nunca colocaria sua palavras em dúvida Liz, jamais. — Eu queria chorar, então me virei para olhar a janela. — Podemos falar de livros mais tarde?! — Perguntei ainda sem encara-lo. — Estou ansiosa para comer Jabuticaba. — Não voltarei a ter perturbar com esse assunto, mas sempre estarei aqui quando precisar conversar. — Eu o olhei e depois o abracei, ele não tinha ideia do quanto eu sentia saudade dele, de como ele me ajudou, quando eu estava tentando lidar com tudo desabando à minha volta. — Vamos lá, tenho certeza que um dúzia de jabuticaba vai animar seu dia. — Ele sorrir. — Vou ler um livro esperar o almoço. — Ele fala se afastando. Caminhei sentido o ar entrar em meu pulmões, são paulo podia ter tudo, mas isso é diferente, até mesmo o sol é diferente amo demais esse lugar, olhei para os pés de jabuticaba cheias, e roxinhas, me sentir como uma menina corri para comer, assim tirada do pé. Então escuto a voz de Marcos antes mesmo que eu pudesse colocar uma na minha boca. — Sério? — Ele fala descendo no cavalo, e sorrindo. — Eu fiquei longe durante a festa. — Falei deixando claro que fui muito paciente. — Leonor devia ter salvado o máximo que podia. — Ele sorrir. — Ela ainda faz aquela geleia? — Ele se aproximou de maneira rápida, e por um momento pensei que me beijaria, mas ele apenas pega uma fruta e morde. — Sim, mas acho que com o casamento ela deve ter esquecido, mas se pedir tenho certeza que teremos uns 40 potes amanhã de amanhã. Marcos estava flertando comigo, eu tinha certeza disso, mas o conhecendo como o conheço, ele estava querendo provar algo. — Eu tenho que ir. — Falei me afastando, então ele coloca seu corpo na minha frente. — Minha presença te incomoda?
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