Eu estava andando de cavalo quando a vi, uma parte minha sabia que ela estaria ali, seria quase impossível não está, sempre amou jabuticaba, e ela estava linda como sempre por um momento apenas a admirei, era insano imagina como ela mexe comigo. Decidi ir até ela, queria incomodá-la queria que ela sentisse um pouco que fosse do que eu sinto, Liz merece sofrer nem que seja um pouco do que eu sofri, ela tinha que sentir, toda a humilhação, cada olhar de pena que me deram, todos os deboches que eu ouvir. Eu poderia fazer ela pagar, poderia fazê-la achar que está ganhando e então tirar tudo dela, assim como ela fez comigo.
— Sério? — Falei me aproximando dela, ela parecia desconfiada, como se não esperasse que eu descesse do cavalo.
— Eu fiquei longe durante a festa. — Ela fala abrindo seu sorriso, sim ela tinha se comportado durante a festa, mas logo depois estava aos prantos no quarto.
— Leonor devia ter salvado o máximo que podia. — Falei me aproximando, percebi que ela estava um pouco nervosa, ela não queria estar a sós comigo, eu a incomodava.
— Ela ainda faz aquela geleia? — Então decidi provocá-la, andei de maneira rápida na sua direção, mas apenas peguei o fruto do pé, a deixando ainda mais incomodada, podia ver o desconforto em seu rosto.
— Sim, mas acho que com o casamento ela deve ter esquecido, mas se pedir tenho certeza que teremos uns 40 potes amanhã de amanhã. — Fixando o olhar em sua boca, era bom ver como ela ficava nervosa, seu rosto ficou vermelho, e ela se ajeitou.
— Eu tenho que ir. — Ela fala indo indo um pouco para trás, como se quisesse fugir do meu olhar.
— Minha presença te incomoda? — Perguntei me aproximando mais um pouco, ela me olha com seus grandes olhos arregalados, mas logo se recompõe.
— Queria ter essa autoestima Macos, eu só não posso ficar aqui perdendo tempo, enquanto tenho minhas malas para arrumar, preciso ir para a cidade, tenho muito o que resolver. — Ela fala me dando um leve empurrão e eu a deixei passar.
— Como se minha mãe deixasse a sua ir embora hoje, e seu carro já cuidaram para retirá-lo? —Eu sabia que não, o pessoal ainda estava organizando tudo que foi retirado para que a cerimônia fosse feita, e claro minha mãe sabia que se desse um carro a Liz ela iria sozinha para a cidade.
— Tenho que ir ver sua mãe, para pedir que alguém vá me ajudar. — Ela falou, olha para o pé de jabuticaba. — Vou pegar algumas.
— Boa sorte, estão todos ocupados, minha mãe fez os pobres tirar tudo do lugar e agora, precisam colocar tudo em ordem, fora o caos que está pela casa.
— Tenho certeza que minha madrinha irá entender que preciso voltar para a cidade, ainda preciso procurar emprego e me instalar. — Ela fala de maneira rápida enquanto estica a mão enchendo de jabuticaba.
— Eu posso levá-la, claro se isso não for um incomodo para você? — Ela para e me encara. — Eu a incomoda Liz?
— O que quer Marcos?
— Penso que podemos deixar o passado no passado, podemos ser amigos, sei que podemos ser bons amigos, não acha?
— Minha madrinha pediu isso, não é? Ela quer que nós damos bem. — Eu sorri, claro que Liz me conhece, ela sabe que sou um tanto rancoroso.
— Sim, e não vejo porque não atendê-la, não sentimos mais nada um pelo outro, as mágoas ficaram no passado. — Ela me avalia, e então sorrir.
— Então quer ser meu amigo?— Ela obviamente não acreditava em terço das minhas palavras.
— Se assim você quiser? Só amigos? — Eu me aproximei, mas ela dá um passo para trás.
— Sejamos sinceros, Marcos, o que realmente quer? — Liz me conhecia tão bem, mesmo depois de todo esse tempo, mas eu já não a conhecia, seja lá o que a cidade fez com ela, eu conseguia sentir a mudança, havia uma tristeza ali, uma que nunca eu tinha visto em seu olhar. Liz não era mais uma menina do interior, ela estava diferente, e mesmo sabendo que isso aconteceria, sentir uma raiva me consumir, ela conseguiu o que queria, ela com certeza não era a minha Liz.
— Nada, a verdade só estava sendo cortês, mas está tão acostumada a moeda de troca lá da onde vem, que se esqueceu que aqui, as pessoas são gentis. — Eu me passei por ela e fui até o meu cavalo. — Esse nariz em pé que adquiriu pode não ser bem vindo por aqui.
— Não se faça Marcos. — Ela fala vindo até minha direção com aquele nariz em pé. — Primeiro me trata m*l, depois me beija, aí fica de graça com Bianca durante a festa. — Ela faz uma careta. — Aí pela manhã me trata com total formalidade, e agora claramente estava me paquerando. — Ela parava de falar e eu não conseguia não sorrir, isso era com certeza característica da minha Liz. Ela fecha a cara e começa a andar em direção a casa.
— O que foi? — Perguntei indo até ela.
— Está tirando sarro enquanto estou obviamente tentando ter uma conversa. — Ela continua a andar, mas percebo que estava ficando brava, e decido que eu iria mais longe, podia passar o dia inteiro ali.
— Não é bem uma confessa, estava me acusando só não entendi do que exatamente. — Ela se vira para me olhar.
— A idade te fez um descarado Marcos, sei que não me deve nada, mas ao menos respeite a minha inteligência.
— Agora eu vi. — Falei virando de costas. — Está me ofendendo, e ainda quer sair como vitima.
— Sempre assim, quando ver que perde a briga, vira as costas e sai. — Eu parei e olhei para trás.
— Você sempre sabe de tudo não é? É tão inteligente, tão incrível! A Perfeita Liz, como poderia eu um mero mortal ganhar uma discussão com você? — Ela me encarou e então deu as costas e saiu. — E sou eu que fujo! — Falei alto, ela se virou e vi que estava vermelha de raiva, mas ela se virou sem dizer nada e caminhou rápido até chegar na casa.