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Dante. Meu padrinho, meu inferno.

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Sinopse

Nina foi deixada ainda bebê nos portões de um convento. Cresceu entre orações, silêncio e promessas feitas a Cristo. Criada pelas freiras como símbolo de pureza e fé, ela acreditava que seu destino era permanecer sob o véu da santidade — até Dante aparecer.

Dante era um homem que carregava o pecado nos olhos e o inferno nas costas. Marginalizado, misterioso, com um passado sombrio e uma aura perigosa, ele se tornou o protetor e padrinho de Nina. As freiras a alertaram: “Ele é diferente... um homem do mundo, não de Deus.” Mas Dante a tirou do orfanato, deu-lhe seu sobrenome e passou a cuidar dela como se fosse sua posse mais valiosa — sem jamais tocá-la.

Com o tempo, Nina cresceu. E, com a adolescência, veio a descoberta do desejo. Um desejo proibido, intenso, impuro. Aos quase dezenove anos, foi informada que deveria partir com Dante. A justificativa era nobre: sua saída garantiria doações ao convento e o sustento das outras crianças. Mas o verdadeiro motivo estava gravado nos olhos de Dante — e queimava dentro dela.

Na casa dele, sozinha e longe da fé que a protegia, Nina começa a enfrentar o conflito entre a menina devota e a mulher que desperta. Ela descobre, entre sombras e silêncios, que Dante também a deseja — mas se contém por respeito... ou por medo de si mesmo. Em noites densas, ela o flagra em momentos íntimos, gemendo seu nome no escuro. E em meio a silêncios cortantes, discussões selvagens e olhares carregados de tensão, ela percebe que não está mais lutando contra um homem... e sim contra o próprio destino.

Dante não é um anjo caído. É um demônio de olhos verdes, que a persegue, a protege e a enlouquece. E Nina, agora, precisa escolher entre o céu que lhe prometeram… ou o inferno que habita nos braços dele.

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Capítulo 1 - Pureza em perigo.
Nasci num dia qualquer, esquecido por todos, menos por Deus. Fui deixada ainda bebê nos degraus frios de pedra do convento, enrolada em uma manta fina demais para o inverno c***l daquela madrugada. Não havia bilhete, nem nome. Apenas um crucifixo antigo preso ao meu pescoço — como se alguém, mesmo ao me abandonar, pedisse que eu fosse lembrada pelo céu. Cresci entre os muros altos e silenciosos da igreja, onde o som dos sinos era mais familiar que o riso de uma criança. As freiras me deram um nome, Nina, e disseram que eu era uma bênção caída do céu. Eu sorria com suas palavras, mas, por dentro, havia um buraco que nem os salmos conseguiam preencher. Era solitária, mas obediente. Devota, mas cheia de perguntas que ninguém parecia pronta para responder. Na infância, fui cercada por cuidados e orações. Mas foi na adolescência que minha alma começou a inquietar-se. Algo dentro de mim queria mais do que hóstias e silêncio. Queria respostas, emoções, vida. E foi nesse tempo que Dante apareceu — como uma sombra elegante entre as colunas sagradas do convento. Ele era diferente de tudo que eu conhecia. Alto, silencioso, sempre vestido de preto, como um luto eterno que nunca explicava. Seus olhos verdes, frios e atentos, pareciam ver além do véu das palavras. As freiras cochichavam sobre ele. Diziam que era um homem perigoso, que carregava pecados demais no corpo para estar tão perto da pureza. “Esse homem não pertence à luz”, alertava Irmã Judith. “É o tipo de tentação que o demônio veste de protetor.” Mas ele me olhava com um cuidado que nenhuma delas compreendia. Nunca me tocava. Nunca cruzava o limite da santidade. Ainda assim, cada vez que vinha ao convento, trazia presentes, livros e pequenas promessas de um mundo que existia além da clausura. Dante dizia pouco, mas quando falava, parecia que o mundo parava para ouvir. Foi ele quem decidiu que eu não seria adotada por qualquer família. Disse que eu precisava de alguém que conhecesse os dois lados da vida — a dor e o cuidado. E assim, mesmo contra o desejo das freiras, tornou-se meu padrinho. Meu guardião. O único homem que tinha permissão de entrar na minha vida... e, aos poucos, no meu coração. A presença dele era um sussurro constante. Nos primeiros anos, eu o via como um salvador. Mas, conforme crescia, algo dentro de mim mudava. Meu olhar buscava o dele com mais frequência. Meu coração batia estranho quando ele chegava. E as palavras das freiras começaram a ganhar outro peso. “Dante é sombra, Nina. E sombra engole a luz.” Mas eu não me sentia engolida. Sentia que, com ele, eu finalmente existia. Eu devia ter uns quatorze anos quando criei coragem de me aproximar. Ele estava sentado nos fundos do convento, embaixo da parreira seca, com um cigarro entre os dedos e o olhar fixo no horizonte como se carregasse o mundo nas costas. A fumaça desenhava formas no ar, e o cheiro amargo invadia o pátio sagrado como uma heresia. Mesmo assim, caminhei até ele com o terço apertado entre os dedos. — Por que sempre fuma aqui? — perguntei, baixinho, como quem teme quebrar algo sagrado. Ele me olhou de lado, arqueando uma sobrancelha. A luz do entardecer cortava seu rosto e realçava as cicatrizes discretas em sua pele. Ele parecia mais pedra do que homem. — Porque aqui é o único lugar onde ninguém me manda embora — respondeu, sem me encarar por completo. — As irmãs dizem que faz mal... — arrisquei, sentando a certa distância. Ele soltou uma risada seca, abafada. — As irmãs acham que eu sou o m*l. Hesitei. — Você é? Dessa vez ele virou-se devagar, seus olhos verdes pousando nos meus como lâminas que cortavam sem pressa. Meu corpo reagiu antes da alma. Um arrepio gelado percorreu minha espinha e meu coração bateu mais forte — não de medo... mas de algo que eu não sabia nomear. — E você? — ele retrucou, baixando a voz. — Acha que eu sou? Engoli em seco. O silêncio entre nós era grosso, pesado. Minha vontade era de fugir, mas meus pés estavam enraizados. — Eu não sei... Só queria entender por que todo mundo fala que você é perigoso. Ele largou o cigarro no chão e o esmagou com a bota. — Porque eu sou. — O tom era firme, quase ríspido. — Eu sou o tipo de homem que já fez merda demais pra ser chamado de anjo. O tipo que fala pouco porque se abrir a boca de verdade, assusta. E o tipo que... — ele me encarou de novo, mais intenso — ...não devia estar perto de uma menina como você. — Eu não sou mais tão menina assim — murmurei, sem pensar. A tensão aumentou no ar. Ele fechou os olhos por um instante e respirou fundo. — Não fala assim comigo, Nina. — Assim como? — Desse jeito inocente achando que pode brincar com fogo sem se queimar. — A voz dele saiu rouca, carregada. — Eu te protejo porque prometi isso quando tirei você daquele inferno. Mas não força, garota. Eu não sou padre, não sou santo, e não sou feito de gelo. — Então por que não me olha de verdade? Ele cerrou os punhos. Seu maxilar travou como se estivesse lutando contra si mesmo. — Porque se eu olhar, vou ver demais. E ver demais em você... é perigoso pra mim. — Ele se levantou devagar, imenso na sua presença, e ficou à minha frente. — Vai pra dentro, Nina. Antes que eu esqueça quem você é. Meus joelhos tremiam. Mas não consegui dar um passo. Só consegui encará-lo, em silêncio. Ele se inclinou levemente, seus olhos cravados nos meus, a respiração dele misturando-se à minha. — Você ainda não entende, né? — sussurrou. — Não sabe o efeito que tem. Mas um dia vai saber. E quando souber... vai ser tarde demais. E então ele se afastou, deixando atrás de si o cheiro de fumaça, o gosto do proibido... e um vazio queimando dentro de mim. Dante era como um anjo caído. Não daqueles de asas brancas e sorriso doce, mas um ser arrancado do céu à força, coberto de sombras e cicatrizes, com os olhos mais intensos que já vi. Havia beleza nele — uma beleza crua, perigosa, como espinhos ao redor de uma rosa n***a. Sua presença silenciava os corredores do convento. As freiras desviavam os olhos. As novatas sussurravam orações. E eu... eu o observava em silêncio, como quem contempla um pecado e deseja ser perdoada só por sentir. Ele era um homem marcado. E sua maldição era visível aos olhos. Estava nas mãos grandes, calejadas, que já haviam feito o que não se fala. Nos ombros largos, carregando culpas que ele nunca nomeava. E no olhar — oh, aquele olhar. Como se soubesse de todos os segredos do mundo, menos dos próprios. Eu, com meus quase dezenove anos e uma alma presa entre véus e promessas, não entendia o que sentia por ele. Só sabia que não era casto. E isso me assustava. Naquela tarde, Irmã Clara me chamou à capela. Seu rosto estava grave, mas sereno. Sentei ao seu lado, sentindo um pressentimento frio subir pelas costas. — Nina, minha querida — ela começou, com voz doce, mas firme —, chegou a hora de partir. — Partir? — minha voz falhou. — Dante virá buscá-la ao amanhecer. Vocês devem ir. Será o melhor para todos. Senti o mundo girar. Minhas mãos tremeram sobre o colo. — Eu não posso ir. Fiz uma promessa a Cristo... a minha vida pertence a Ele. — Às vezes, obedecer a vontade divina é aceitar a dor — disse, acariciando meu cabelo. — Dante é o seu caminho, Nina. E ele... é o sustento de muitas vidas aqui. Com sua partida, o convento continuará recebendo as doações que mantém o orfanato. Outras crianças terão alimento, cama... e fé. Meu coração se apertou. Estava sendo ofertada. Como um sacrifício voluntário. Eu seria arrancada da minha clausura e entregue ao mundo. A ele. — Por que eu? — perguntei, em pranto. — Porque você é a única que ele respeita. A única que ele não ousa tocar. E, por isso mesmo... é a única capaz de amansá-lo. Ela abriu a mão e, como num gesto sagrado, colocou sobre a minha palma um rosário dourado. Os olhos dela brilhavam como se chorassem sem lágrimas. — Este rosário será sua armadura. Ele protegerá o que há de mais puro em você. Leve-o sempre junto ao peito. Abracei aquele presente como quem segura a última certeza do mundo. E me despedi da capela como quem se despede da infância. Naquela noite, não consegui dormir. Meu coração batia aflito, como tambor de guerra. Caminhei descalça até o corredor onde Dante dormia. A madeira do chão rangia sob meus pés. Meu terço pendia do pescoço, e eu apertava o crucifixo com força. A porta de seu quarto estava entreaberta. A luz baixa escapava por ela como um pecado revelado. Eu ia chamar. Ia apenas agradecer. Dizer que rezaria por ele. Mas parei. O som. O som me atingiu como uma bofetada em silêncio. Um gemido abafado, úmido, lascivo. Uma voz feminina — rouca, entregue. Meu corpo congelou. Dei um passo à frente, sem querer, e vi. A mulher ruiva estava sobre ele, o cabelo escorrendo pelos ombros nus, os s***s expostos, o quadril se movendo como dança profana. Os gemidos dela se misturavam ao silêncio da noite, criando uma música impura. E ele... meu padrinho, meu protetor, o homem que dizia me guardar — estava ali. Entregue. Voraz. Diferente. Como se ali, e só ali, ele fosse livre. Meu estômago revirou. Minhas pernas falharam. Dei três passos para trás, sentindo o rosário pesar no peito. "Fuja" — sussurrou a minha alma, como um anjo desesperado. Corri. Atravessei o corredor como quem foge do próprio nome. Fechei a porta do meu quarto com força, mas o som... o som dela continuava dentro de mim. Caí de joelhos no chão e comecei a rezar. Cada palavra era uma lágrima. Cada ave-maria, um grito silencioso. — Senhor... faz com que ele mude de ideia. — sussurrei entre soluços. — Se ainda houver pureza em mim, que seja suficiente para que eu fique. Para que ele me deixe. Mas no fundo, muito no fundo, eu já sabia. Dante jamais me deixaria para trás. E isso... era o que mais doía. O amanhecer chegou sem piedade. A luz pálida do sol invadiu meu quarto antes mesmo que eu pudesse abrir os olhos. Não dormi. Só esperei. Com o terço entre os dedos e o coração feito estilhaços. Cada badalada do sino parecia zombar da minha esperança. Ele não mudou de ideia. Ele viria. E eu teria que ir. As freiras me prepararam em silêncio. Me deram uma pequena mala com algumas roupas simples e uma Bíblia de capa gasta. Irmã Clara me abraçou forte, com olhos marejados e alma resignada. Era como se estivesse me entregando à vida… ou à morte. Desci as escadas com passos lentos. A entrada do convento estava aberta, e lá estava ele — encostado no carro preto, como uma sombra aguardando sua presa. Vestia uma jaqueta de couro escura, cigarro nos lábios, olhar impaciente. O mesmo Dante da noite anterior. Intocado. Indiferente. Eu parei a poucos passos dele. — Eu não vou — sussurrei, com firmeza. Ele soltou a fumaça devagar, me observando com olhos semicerrados, antes de apagar o cigarro com um estalo da sola da bota no chão de pedra. — Não é escolha sua — disse, ríspido. — É a minha vida — rebati, erguendo o queixo. Ele deu um passo à frente. A proximidade dele era sufocante. O cheiro amadeirado misturado com fumaça me fez lembrar daquela cena... da mulher ruiva... do som. — Não fode comigo, Nina — ele rosnou. — Já tá tudo certo. Eu cuido de você. Eu pago por esse lugar, mantenho essas freiras e as crianças vivas... e você vem comigo. — Não sou moeda de troca! — gritei. — Não sou uma dívida que você paga com boa vontade! Ele sorriu de lado, cínico. — Você não sabe nada da vida, garotinha. Ainda acha que pode escolher? — A voz dele era baixa, mas carregada. — Tá achando que vai viver pra sempre entre véu e ladainha? O mundo lá fora não perdoa anjo nenhum. Se eu não te levar, vão te engolir viva. — E você não vai? — rebati, com lágrimas queimando meus olhos. — Você também não vai me engolir, Dante? Ele me encarou por longos segundos. Os olhos dele ficaram mais escuros. Vi raiva, vi desejo, vi dor. — Entra no carro. Agora. Fiquei imóvel. — Eu disse, entra no carro — repetiu, mais alto, a voz grave ecoando pelas paredes de pedra. Segurei a alça da mala com força, os dedos doendo. O coração aos gritos. Mas as pernas... obedeceram. Entrei no carro. Ele bateu a porta com força, contornou o veículo e assumiu o volante. Não disse mais nada. O motor rugiu como um animal sendo acordado. E quando olhei pela janela... lá estava. O convento. A cruz de pedra no alto da torre. As janelas onde rezei, os corredores que conheciam meus passos, o chão frio onde deixei tantas lágrimas. Ficou tudo pra trás. Minha última visão foi a da porta de madeira se fechando devagar, como se até o céu me dissesse adeus. O carro avançou. E com ele, minha pureza foi levada ao mundo de Dante. Um mundo onde o pecado tinha olhos verdes... e esperava por mim.

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