Capítulo 1

3272 Palavras
Capítulo 1   Era tarde da noite quando Marco e Sophie voltavam de uma festa, as horas iam realmente altas enquanto eles caminhavam por aquelas ruas desertas de volta para casa. Não havia ônibus e nem sequer um táxi por aquelas bandas, não parecia ter uma viva alma naquelas ruas silenciosas, não parecia ter mais nada e nem ninguém além deles e suas vozes sibilantes em meio à escuridão:   ― Você é um i****a Marco, minha mãe vai me m***r e a culpa é sua! Meu Deus! Vinte ligações perdidas! Já vou me arrependendo dos meus pecados por aqui, por que meu pai vai me m***r quando eu chegar em casa!   ― Ah, relaxa Sophie, você está sendo muito dramática! Seus pais sabiam que estávamos indo para uma festa, e sabiam também o horário que iria terminar, se pararem pra pensar bem, vão ver que estamos chegando muito mais cedo do que seria normalmente. Além do mais, não somos mais crianças, temos dezoito cada um e sabemos bem o que fazemos.   ― Ah, sim! Porque magicamente nos tornamos donos do poder absoluto ao completarmos dezoito anos! Certo? Ai, d***a! Se você pelo menos tivesse deixado eu atender as ligações poderíamos estar indo embora confortavelmente no carro dos meus pais agora.   ― Você reclama demais sabia? O que poderia nos acontecer de m*l? Como pode ver, não tem mais ninguém na rua além de nós dois.   Marco havia falado cedo demais, eles ouviram certo barulho alguns metros atrás, viram algumas sombras se movimentando, não ficaram curiosos para saberem o que era, eles apertaram o passo e não demoraram a correr, não foram muito longe:   ― Que pressa é essa? Vão à algum lugar? – disse um homem grande como um armário com quem se chocaram em meio à fuga – Não é um pouco tarde para crianças como vocês estarem na rua? – disse ele se aproximando dos jovens.   ― Olha cara, na boa, a gente só quer ir pra casa. . . - começou Marco.   ― Mas já? Logo agora que a festa tá começando? – sorriu o homem maliciosamente.   Sophie olhou em volta, surgiam mais alguns homens dos becos escuros daquele lugar:   ― Olha, por favor, o que você quer? Dinheiro? Celular? Olha, pode pegar, leva, a gente só quer ir embora, só deixa a gente ir! Por favor! – pediu Sophie.    E o homem que até então não havia reparado tanto em Sophie se aproximou da garota um tanto interessadamente:   ― Que é isso gracinha. . . eu jamais faria algo de m*l a uma menina tão linda como você. . . – disse ele acariciando seus cabelos.   Sophie soltou um suspiro assustado, Marco não pensou duas vezes em empurrá-lo para longe da amiga:   ― Fica longe dela!     E rindo da valentia do garoto, aquele homem que mais parecia um ogro disse:   ― Que moleque valente! O que foi? Vai engrossar? - disse ele com um soco que o lançou ao chão.   Sophie correu para ajudá-lo, mas foi segura por dois homens surgidos das trevas dos becos próximos dali:   ― Não, não princesa, aonde você vai? A festa não acabou ainda! – disse um deles de maneira sádica e c***l.   ― Marco, levanta! Marco, pelo amor de Deus, Marco! – gritava ela.   E não era para menos, Marco estava sendo socado de maneira c***l quando um dos gritos de Sophie chamou a atenção de seu agressor e o fez voltar-se para ela:   ― Ah, mas não precisa ficar assim gatinha. . . já acabou, veja! Eu já terminei com ele. . . E meu assunto agora, é com você. . . – disse ele se aproximando da garota – Calma, não precisa ter medo, nós não vamos te machucar. . . se você for boazinha, claro! – disse ele segurando o rosto da garota.   Sophie debateu-se com todas as forças, e esforçando-se para afastar-se do rosto daquele homem nojento ela cuspiu-lhe na cara, ele sacou uma faca, a garota foi imobilizada, seus olhos brilhantes na escuridão foram tomados pelo medo quando ele aproximou a lâmina de seu rosto:   ― O que foi gracinha, vai chorar? – disse ele após um t**a no rosto da garota.   Naquele momento houve um estampido vindo do meio das trevas daquele beco, tudo o que se pôde ouvir em seguida foi o som da lâmina fumegante que caía retinindo ao chão, acompanhado da voz de alguém a dizer:   ― Se você tocá-la novamente, ou se aproximar mais um milímetro que seja, ao invés da faca, será a sua cabeça no chão. . . O que foi que eu já disse sobre predar as pessoas no meu território? Se toda a cidade é meu território? Sim, é sim. O que eu posso dizer?  Sou espaçosa. Meio egoísta às vezes.   E pela primeira vez naquela noite, Sophie viu nos olhos daqueles homens a mais pura expressão de medo:   ― d***a. . . é ela!!!   ― Sim, sou eu mesma. – disse um vulto saindo lentamente de onde se encontrava - O que foi gracinha. . .? Vai chorar?   E naquele momento irrompeu das trevas um vulto n***o envolto num sobretudo de mesma cor, era uma mulher, uma garota na verdade, a julgar pela pouca estatura e a sarcástica voz jovial. Ela trazia um bastão prateado em suas mãos e armas em coldres nas pernas, sua identidade era ocultada por uma máscara de raposa que trazia no rosto. Seus longos e lisos cabelos negros presos ao meio por uma fita prateada esvoaçavam enquanto ela habilmente manejava suas armas colocando seus inimigos em fuga:   ― Esses idiotas. . . – dizia ela enquanto via o último (que não fora desacordado) fugir. – Parece que nunca aprendem!   ― Obrigada! – agradeceu Sophie ajudando Marco ainda fraco a se levantar.   A misteriosa garota de bastão e sobretudo preto cuja identidade se ocultava pela máscara do célebre animal, voltou-se para os amigos:   ― Vocês estão bem? Ele não fez nada com você, fez? – perguntou a Sophie.   ― Não, tudo bem, você chegou a tempo, obrigada.   ― Tudo bem. Peguem isso, creio que esses pertences sejam de vocês. Agora saiam daqui e vão para casa. Não demora muito e a polícia estará aqui, vocês precisam ir, e pelo que parece talvez também procurarem um médico, embora seja forte, ele está muito ferido. Pelo visto meu trabalho acabou por aqui, se cuidem!   ― Espere. . . – disse Marco segurando um gemido – Quem é você?   ― Depende do ponto de vista. Alguns me vêem como um anjo da guarda, já outros como se fosse o próprio demônio. Mas sou só uma sombra que vaga à noite. Meus amigos me chamariam de Raposa n***a. Mas eu não tenho amigos. – ela respondeu caminhando para as trevas de onde saíra – Meu trabalho acabou por aqui. Voltem para casa, crianças!   ― Uau, uma super-h*****a! – disse o rapaz impressionado.   ― Não. Os heróis fazem o que fazem por um motivo nobre, e eu apenas pela sede de mandar uns desgraçados desses pro buraco mais sujo que eu encontrar! – disse ela abandonando seu típico tom de sarcasmo pelo de mais profundo desprezo – Agora parem de brincar com a sorte e voltem para a casa, a rua não é lugar para crianças. Eu sei o que animais como eles são capazes de fazer com pessoas indefesas, e no caso das meninas, nem todas tiveram a mesma sorte que você hoje garota. – disse a mascarada sumindo na escuridão – É melhor tomarem mais cuidado da próxima vez, talvez eu não esteja aqui para salvá-los. Os dois amigos não viram mais aquela garota, só ouviram ao longe o que parecia ser o ronco de uma potente moto (e esta, n***a como a própria noite) que eles viram passar pela avenida principal ao saírem do beco. Alguns dias se passaram desde então, e os dois amigos decidiram passar o final das férias da maneira mais tranquila possível, nada de festas até altas horas e nem badalação, eles tinham aprendido sua lição naquele dia, Sophie estava traumatizada, e Marco ainda cuidava de uns ferimentos, já estavam melhores no primeiro dia de aula:   ― Oi “Sophi!” Como você está hoje? Se sente melhor?   ― E você vem perguntar pra mim? Marco Antunes, eu é quem deveria estar perguntando isso pra você! Como vai essa força aí? Ainda com essa tala e a tipoia no braço?   ― Sim, mas eu tiro amanhã. O pior já passou e agora está tudo em ordem! Eu não me importaria se fossem nos dois braços desde que você estivesse bem! – disse o garoto com uma piscadela.   ― Só faltou a capa, hein? – riu a garota – Mas sabe, obrigada. Com toda aquela loucura eu me esqueci de te agradecer. Obrigada por ter me ajudado naquela noite, Marco.   ― Que é isso! Já esqueceu que fomos salvos por aquela garota? Eu não fiz nada além de levar uma surra daqueles desgraçados. – riu o garoto – A Gatuna é quem nos salvou.   ― Gatuna  não, Raposa . – corrigiu-o Sophie – Nome esquisito né?   ― Pode até ser, mas ela foi demais! Parecia até uma versão feminina daqueles heróis dos quadrinhos! Meu Deus, que garota! Eu não sei de onde ela veio, mas gostaria de saber quem ela é!   ― Sinceramente? Eu também. Ela pareceu realmente preocupada com a gente naquela noite, mesmo por baixo de toda aquela dureza e sarcasmo. . .   Os dois continuariam com a conversa se o professor não houvesse entrado na sala e silenciado a todos para apresentar a mais nova aluna de intercâmbio da escola, Márcia Bruna Van Basten:   ― Seja muito bem vinda à nossa escola, senhorita Basten. Espero podermos atingir todas as suas expectativas aqui.   ― Agradeço a gentileza, senhor. E creio que assim será. – sorriu a garota timidamente.   E orientada pelo professor a garota sentou-se em seu lugar. Houve um burburinho durante a aula, todos estavam curiosos com a nova garota:   ― . . . Van Basten? Alemã, é?   ― . . . Não, não pode ser, veja a pele e os cabelos, ela tem traços americanos. . .   ― . . . Um nome composto? É de família importante?   ― . . . Eu não sei, pelo menos nunca ouvi falar. . .   E os comentários se seguiam. A nova garota parecia se esforçar para prestar atenção na aula embora aparentasse muita inteligência. Márcia era uma garota de olhos de coloração quase cinzenta, era de estatura mediana e longos cabelos negros e lisos que lhe davam pelo meio das costas quase na cintura. Era uma linda e inteligente garota tímida recém transferida para aquele colégio. Pelo seu típico jeito calado e reservado Marco e Sophie perceberam que ela não faria amigos com tanta facilidade, e que se tornaria alvo fácil de uns colegas naquele lugar:   ― Pobre garota, vai ser engolida viva aqui! – disse Sophie penalizada.   ― Só se a gente deixar. – sussurrou Marco - Não custa nada dar uma força pra caloura, né?     ― Tá certo, vamos ver o que podemos fazer. . .   E o tempo passou. Depois daquela aula houveram mais duas antes do intervalo. Ao soar o sinal os dois amigos perceberam que Márcia havia ficado na sala enquanto todos saíam, ela retirou seu lanche da mochila e alguns quadrinhos j*******s em seguida, Marco e Sophie julgaram que ela ficaria bem até que eles voltassem do refeitório e viessem para se apresentarem à nova colega. Ledo engano, a garota m*l havia chegado à escola e estava sendo recepcionada com antipatia e a implicância das “veteranas”:   ― É sério mesmo que você lê isso?   ― Bem, é o que se faz com um mangá. A gente lê. É pra isso que ele serve.   ― Isso é coisa de criança!   ― Pois é, sobre a sua opinião. . . Observe eu me importar.   ― É muito corajosa pra quem acabou de chegar numa escola onde não conhece ninguém e já ir querendo sentar na janela. . .   ― E por que ela é nova na escola tem obrigação de ficar engolindo tudo o que vocês falarem? – interveio Marco - Tô achando que não, viu?   A que parecia a líder revirou os olhos e soltou um grunhido de tédio e reprovação, ela começou com uma ameaça que Sophie não as permitiu terminar:   ― Não tem ninguém aqui falando nada com vocês! Vocês tem sorte que. . .   ― Temos sorte que o quê Michelle? O que vocês vão fazer? Vão contar para o papai?   A conversa não rendeu. Sophie era a capitã do time de vôlei da escola e mais alta que as demais, e Marco não estava com seu melhor sorriso na cara. O grupinho de implicantes sorriu com ar de deboche e partiu sem mais delongas. Sophie, com seus olhos penetrantemente azuis e seus lindos cabelos dourados como o sol voltou-se para a garota sentada à mesa:   ― Não liga não, elas são idiotas.  Estão estudando o caso delas ainda, querem descobrir como elas puderam viver tanto tempo sem um cérebro.   Márcia deu uma boa risada, Marco entrou no assunto:   ― Tolerando as Super Chatas?   ― Nada que uma munição de criptonita não resolva!   ― Ou um bom preparo e um amigo arqueiro!   A garota achou graça, interagiu bem com seus novos anfitriões:   ― Sou Márcia.   ― Sophie.   ― Marco.   ― É um prazer conhecê-los. – sorriu Márcia – Agradeço o apoio, a cavalaria chegou bem na hora! – riu a garota – Elas são sempre tão amáveis assim?   ― Só quando respiram. – respondeu Marco.   Mais risadas. E os três passaram o restante do intervalo conversando, eles se sentiam bem com ela, e ela também com eles. Márcia sentiu que aquilo duraria. E ainda bem que sim, já no segundo dia de aula (e nas demais semanas que se passaram) ela vinha sofrendo os ataques e assédios de alguns colegas da escola, parecia ser proibido alguém ser dotado de inteligência, beleza, e bom humor no mesmo pacote naquele lugar. Certo dia, numa manhã de Sexta Feira após a aula de educação física, Marco teve que intervir em favor da colega que tentava resgatar um livro que fora tirado de sua mochila quando estava distraída olhando um mural exposto na sala:   ― Devolve meu livro, Miguel! Isso não tem graça! A aula já vai começar! Anda, devolve!   ― E se eu não devolver, o que você vai fazer, baixinha? – dizia o colega segurando o livro acima da cabeça.   ― Ela eu não sei, mas eu providenciarei um encontro romântico entre você e o chão agora mesmo, se não devolver esse livro sabe? – disse Marco encarando o colega.   ― Você é muito sem graça, sabia? Eu só estava brincando com ela! Seu estraga prazeres! – disse Miguel com um muxoxo de reprovação.   ― Ah, eu que sou o sem graça estraga prazeres? Por acaso fui eu que peguei o livro dela e fiquei igual um i****a provocando a menina? Não, me diz aí, você só tá a fim dela mesmo ou isso tudo é vontade de beijar o piso?   Miguel não respondeu, não apenas porque começar uma briga com o jovem rapaz de físico bem definido e um poderoso cruzado de esquerda seria burrice, mas porque sua pele clara ficou vermelha como um tomate e ele ficou sem resposta diante da primeira pergunta. Os olhos castanho claros de Marco o encaravam profundamente, ele não teve muito o que fazer, apenas devolveu o livro e partiu, enquanto o colega com os braços cruzados o observava se afastar da garota:   ― Quem é que precisa do de algum herói tendo você por perto? Há! há! há! Obrigada Marco, eu não sei o que esse povo tem na cabeça. – disse Márcia.   ― Eu até poderia te responder Marci, mas não quero ser m*l educado. – disse Marco com um sorriso.   ― Nossa, é tanta coisa r**m assim? – riu a garota – Espera aí. . . “Marci”?   ― Você não gosta? É um apelido pra você, assim como Sophie é “Sophi”. Entendeu? Mas se você não gostou eu posso falar com Sophie, e…   ― Não, não, tudo bem! É só que não ouço um apelido assim faz muito tempo. . .   ― Ué, seus amigos não te chamam assim? – perguntou Marco.   ― Eu não tenho amigos. Quero dizer, não por essas bandas. . . – respondeu a garota.   ― Pois pode se dizer que agora tem! – sorriu Marco – E como amigos, te ensinaremos a se defender melhor, caso contrário eles vão te engolir viva! Não se pode ser bonita, inteligente e ter bom humor por aqui. É crime, sabe?   Os dois amigos riam como duas crianças quando Sophie finalmente apareceu:   ― E aí, do que vocês estão rindo? – perguntou ela a seus amigos.   ― Conversa de nerd. – respondeu Marco – Você não entenderia. – riu ele.   ― Não liga pra ele não Sophi, é que estávamos falando sobre heróis. Eu disse que ninguém precisa de um tendo ele por perto! Você perdeu um salvamento daqueles!   ― Do que vocês dois loucos estão falando? – perguntou a garota confusa.   E Márcia começou a contar como o amigo resgatara seu livro das garras de Miguel até ser interrompida pela chegada do professor de álgebra. O tempo correu ligeiro naquele dia, logo o sinal da saída soou, e os amigos foram para um parque e depois uma sorveteria não muito longe da escola nem do caminho de casa. Se distraíram de modo que não viram o tempo passar, ficaram praticamente o resto da tarde naquele lugar, os bancos macios e o ambiente agradável os ajudaram bastante no processo de esquecimento, eles ainda conversavam sobre o ato de heroísmo do dia quando Sophie disse:   ― Ah, sim, é verdade! Outro dia mesmo eu estava comentando com ele que só faltava uma capa pra ele!   ― É mesmo? E qual foi o ato heroico da vez? – perguntou Márcia entre uma colherada de sorvete e outra.   Naquele momento Sophie pareceu levemente perturbada, como se lembrasse de algo, Márcia sentiu um pouco de tensão no ar, ela se desculpou com os amigos, sentira ter feito algo errado:   ― Gente, eu disse algo errado? Se sim, me desculpem! Olha, a gente encerra o assunto aqui e não fala mais nisso se vocês quiserem.         ― Não Marci, tudo bem, é só que nós sofremos um assalto uma noite dessas e… Bem, ele estava lá pra me ajudar. – disse ela aparentando estar sem jeito.   ― Levei uma surra miserável, você quis dizer.   ― Me protegeu.   ― Aquela garota nos protegeu.   ― Desculpem, mas do que é que vocês estão falando?   ― É sobre uma h*****a que apareceu naquele dia! Sim, ela salvou a gente dos caras que estavam me batendo.   ― h*****a? É, meu amigo... acho que você apanhou demais, viu?   ― É verdade Marci, ela apareceu bem na hora em que um deles veio pra cima de mim e…   A conversa foi interrompida por um noticiário de última hora na tv, ocorria um assalto numa das joalherias mais caras da cidade, haviam reféns lá. Os amigos se assustaram ao verem o horário, Márcia ajuntou seus livros atrapalhada como sempre, e disse:   ― Nossa, está ficando tarde! Se meus pais ligarem e eu não estiver em casa vão devorar minha alma! Vou indo nessa, gente! Tenho que ir caso não queira ser a próxima refém mostrada no noticiário e vocês tenham que ir me salvar! Até logo! – disse garota deixando o dinheiro da conta em cima da mesa.
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