Capítulo 2

1735 Palavras
Os dois amigos não tardaram em sair também, eles se assustaram bastante ao acompanharem o noticiário e a matéria que seguia ao vivo na tv, os bandidos faziam exigências quando depois de algum tempo de espera, algo aconteceu. . . Os reféns estavam rendidos e presos por algemas na loja, o estabelecimento estava cercado, a noite havia caído e os assaltantes estavam nervosos ao telefone recebendo propostas de negociação da polícia quando todas as luzes se apagaram de uma vez, não apenas da loja, mas de todo o quarteirão. Eles ouviram sons estranhos pelos cantos da loja, o silêncio do suspense aterrador foi quebrado por uma voz que dizia:   ― . . .Mostra teus olhos e aflige o teu coração; vem como sombras, e então parta! Não dorme nem de noite nem de dia, fica no teto de tua casa, ele será um homem proscrito! Através das noites nove vezes nove ele minguará e definhará. . . Embora tua casa não se perca, mesmo assim será lançado pela tempestade. . .  Tomados de pavor e procurando desesperadamente em meio à escuridão de onde viria tal voz, eles engatilhavam suas armas enquanto as seguravam com ligeiro tremor:   ― Mas o que significa isso? – perguntou um deles.   ― Eu também não sei – disse uma voz vinda de seu lado – Só queria parecer dramática, me saí bem?   As luzes da loja se acenderam naquele mesmo momento, tudo o que o assaltante pôde ver antes de levar um soco na cara que o fez ir ao chão, foi uma garota mascarada parada e sorrindo bem ao lado dele:   ― Então meninos, alguém mais quer brincar de esconde-esconde comigo?    E as luzes se apagaram de novo. Do lado de fora só se ouviam os gritos e o som da confusão que vinha de dentro da loja. A porta do estabelecimento se abriu de repente, eram quatro os bandidos que foram sendo lançados um a um para fora. Haviam ficado apenas dois agora, estavam confusos, desesperados e desarmados naquela escuridão (além de uma mira impecável garota era rápida também):   ― Não seja i****a, se não podemos enxergar nada nessa escuridão, você também não pode!   ― Na verdade eu posso sim. . . Nunca ouviu falar que os animais enxergam no escuro? Fora isso também eu tenho um dispositivo de visão noturna que é uma beleza sabe? E pelas minhas contas, está dois pra mim e zero pra vocês. . .   ― Menina miserável! – gritou um deles.   ― Mas que boca mais suja, rapaz! Você é o próximo a ir passear lá fora! – disse ela com um chute que o lançou para além da porta. Havia um bilhete nas costas dele, a polícia leu: “Não atrapalhem, essa briga é minha. Grata.”   As luzes se acenderam novamente, agora estavam apenas a Raposa e o cabeça de toda a operação, os reféns haviam saído silenciosamente antes do penúltimo homem ser lançado para fora, estavam a salvo e acolhidos pela polícia; com as luzes acesas a h*****a pôde finalmente reparar nos 1,90cm de seu adversário e nos músculos que o acompanhavam:   ― Eita, caramba. . .   ― Agora somos apenas eu e você menininha. . . Você vai descobrir o que é lidar com um homem de verdade!   ― Ok, então podemos ir conversando até ele chegar. . .?   ― Ora, sua filha da. . .   Definitivamente não houve mais diálogo depois daquela resposta, ele investiu contra a garota que num golpe evasivo precisou relembrar o placar daquele jogo:   ― Olha, não é por nada não, mas, eu queria apenas lembrar que está três pra mim, e zero pra vocês, ok? Então sugiro que você nem se esforce muito, por que no final vai acabar não dando certo, e você vai ficar muito frustrado.   Ela teria se gabado um pouco mais se num repentino momento de distração e baixa de guarda ele não a tivesse pego pela gola do sobretudo e a lançado contra a vidraça da loja. Ela levantou-se em meio aos estilhaços no chão, ainda retirava uns pequenos pedaços de vidro da roupa enquanto dizia:   ― Tá legal. . . três a um! É durão né? Beleza! Gosto disso!   E sem mais delongas ou qualquer cerimônia ela entrou na loja. Por conseguinte o próximo a sair foi ele, caindo de bruços no chão. A briga ainda durou alguns minutos antes dele cair de frente às viaturas; seus pulsos estavam presos pelas algemas que ele usara para prender seus reféns, tudo o que puderam ouvir antes das luzes se apagarem novamente foi:   ― Vê se toma jeito, da próxima vez não vou ser tão gentil!   As luzes se apagaram acendendo-se poucos segundos depois, não havia mais ninguém na loja. Tudo o que puderam ouvir depois disso foi o ronco alto do motor de uma moto bem veloz ali por perto. A polícia conduzia os reféns até a delegacia para prestar depoimento numa viatura na frente, e os meliantes em viaturas atrás daquela; tudo poderia ter terminado daquele jeito naquela noite se o último apreendido não tivesse conseguido se livrar das algemas e, abrindo a porta, se jogado do carro em movimento, conseguindo fugir. Ele se embrenhou pelos becos e vielas ali perto, a polícia estava em seus calcanhares, logo a Raposa também estaria, ela não tardou em dar meia volta com sua moto ao ouvir pela frequência da polícia sobre a fuga do meliante que tanto lhe dera trabalho:   ― Deus! Sinceramente, qual é o problema dessas pessoas? Será que agora vou ter que fazer entregas também? Gente, eles só precisavam levar os caras para a delegacia! Eu cheguei na loja, bati neles, libertei os reféns, prendi os caras maus, e mandei eles completamente rendidos e dominados pra fora! Será que encaminhá-los para a delegacia sem mim é pedir demais? – dizia a garota m*l humorada.    Naquela altura da fuga o fugitivo tinha os pulmões em brasa, ele procurava desesperadamente um lugar para esconder-se após livrar-se das algemas, se não algo ou alguém que pudesse usar em seu favor. No meio daquela confusão ele acabou tropeçando e caindo, e junto com ele uma faca que parou um pouco mais à frente. Pronto, ele já tinha uma das coisas que precisava, e conseguindo despistar os policiais momentaneamente, escondeu-se para recuperar o fôlego. Não demorou muito e o encontraram, contudo, ele já tinha parte do que precisava, e seria questão de tempo, um tempo nem tão longo assim para encontrar a outra parte que o ajudaria se safar. Aquele parecia ser seu dia de sorte, ele nem bem havia virado uma esquina numa rua menos movimentada quando viu dois jovens vindo em sua direção, a polícia chegaria em breve e ele precisaria abordá-los o mais rápido possível. Não pestanejou:   ― Ei, vocês dois! Tratem de ficar bem quietinhos aí e fazer tudo o que eu mandar. . .   ― Mas o quê?! Calma aí cara, calma, a gente não tem nada!   ― Meus Deus! Marco!   ― Fique atrás de mim, Sophie! – disse o garoto entrando na frente da amiga.   O homem nem bem encurralara os garotos naquela rua, e eles ouviram o som de uma moto que parecia vir em alta velocidade na direção deles, um vulto correu pela escuridão, tudo o que puderam ouvir em seguida foi:   ― Você não aprende nunca, não é mesmo? E eu não vou ser gentil com você dessa vez.   O fugitivo procurava a direção de onde vinha aquela voz, houve uma pequena explosão alguns metros à frente de todos, eles olhavam fixamente para toda aquela fumaça esperando que alguém saísse de lá, mas tudo o que o fugitivo pôde ouvir antes de ser golpeado fortemente na nuca e sair cambaleando, foi:   ― Lado errado, amigo.   Não teve como reagir, ele largou a faca imediatamente, nisso, a garota aplicou-lhe uma sequência de chutes e socos, terminando por lançá-lo dentro de uma caçamba de lixo:   ― Agora sim você está no seu lugar! Prontinho, esse aqui não escapa mais! E só pra garantir. . . - dizia ela fechando a tampa da caçamba com correntes e um cadeado. – Pronto! Agora me digam, qual é o problema de vocês com becos e ruas escuras à noite? Qual é a parte do “se cuidem” que vocês não entenderam? Estão querendo chamar minha atenção ou só sofrem de perda da memória recente mesmo? – disse a garota mascarada caminhando em direção a fumaça da bomba que havia lançado – A polícia chega em cinco minutos, digam que ele está na caçamba ok? Adoraria ficar para um café, mas, não vai dar, preciso cuidar de umas coisinhas, tipo cortes e luxações pelo meu corpo e. . . Deus! O meu ombro! – disse ela levando a mão ao local – Deslocamentos, . . Ócios do ofício!   Marco e Sophie estavam estáticos, não conseguiam acreditar na forma tão natural como a garota agia de frente aquela situação, ela a chamou por um momento:   ― Ei garota, você. . .?   ― Se eu sangro? Sim, sangro sim, mas aí eu uso essa roupa legal, que é para os caras maus não me verem sangrar. – respondeu ela um tanto bem humorada.   ― Na verdade eu ia perguntar se você é louca. – disse Sophie ainda agarrada ao braço de Marco.   ― Se eu sou louca? Certamente! Você costuma ver alguém em sã consciência correndo pelas ruas à noite lutando contra marginais e colocando sua vida em risco? Não? É por que isso aqui não é uma coisa de pessoas normais fazerem, não é uma brincadeira, não é uma história em quadrinhos, pessoas morrem todos os dias! E se não quiserem fazer parte das estatísticas em que essas pessoas se encaixam, sugiro que parem de andar por estes lugares à noite. – disse a garota sumindo na penumbra.   Marco que até então havia ficado sem reação, sentiu seu braço arder um pouco, ao voltar-se para Sophie, notou que ela ainda segurava-o com um tanto de força, suas unhas começavam a machucá-lo:   ― Ei Sophie, está tudo bem agora, calma.   A garota que corou quase imediatamente desculpou-se um tanto sem jeito, a garota mascarada nem bem havia sumido na escuridão e a polícia chegou. Os dois indicaram o lugar onde o bandido havia sido jogado e trancado pela garota da máscara vulpina; eles fizeram a apreensão do homem ali inconsciente, os jovens ganharam uma carona até em casa. 
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