Samael Os dias no apartamento de frente ao de Charlotte eram uma mistura de monotonia e tentação incessante. Cada pequeno som vindo do outro lado da parede era uma lembrança de que ela estava ali, tão próxima e ainda assim fora do meu alcance — pelo menos em teoria. Era um exercício constante de paciência, algo que eu não possuía em abundância. O prédio era uma ruína moderna, com paredes finas e encanamentos barulhentos. Eu odiava cada segundo ali, mas, ao mesmo tempo, sabia que não conseguiria me afastar. O vínculo que compartilhávamos não me dava escolha. Era isso ou a morte, a nossa morte. Naquela tarde, estava sentado no sofá gasto do meu apartamento, contemplando a paisagem pitoresca do lado de fora. E então, ouvi a batida na porta. Levantei-me devagar, não porque estivesse surpr

