Carol: O céu tava ficando laranja, bem bonito. Ali no quintal, com o chão meio de terra e umas plantas espalhadas, era onde eu mais respirava. Sozinha, no canto do banco de cimento, com os joelhos abraçados e o silêncio… Aquele silêncio que às vezes grita dentro da gente. Ouvi o portãozinho de arame fazer aquele som de sempre clac clac e não precisei olhar pra saber que era ele. Cocada vinha devagar do jeito dele. Sem fazer alarde, sem pisar nos meus cantos. —Cocada: Tá atrapalhando se eu sentar? Ele perguntou, a voz macia, quase com medo da minha resposta. Balancei a cabeça devagar ele se sentou, deixando um espaço respeitoso nem perto demais, nem distante só… junto. A gente ficou um tempo sem falar passarinho fazia festa no fio, o vento dava aquele cheiro de terra molhada de o

