Narrado por Maggie
"Que o meu coração saiba reconhecer quem me faz bem"
Vejo o Ethan a sair da sala de aula, mas vem acompanhado, óbvio que nem me chego perto.
Vou em direção ao meu cacifo, abro e troco os livros.
— Uau! — ele fala por trás de mim espantado. — Foste tu que fizeste?
Eu dou um pulo de susto.
— Queres matar-me? — pergunto ao colocar a minha mão no meu peito.
— Que ideia! — ele diz, não tirando os olhos de dentro do meu cacifo. — Claro que não. Foste tu que desenhaste tudo isto? — ele pergunta atônito, apontando para dentro do meu cacifo.
— Fui eu sim. — falo um pouco envergonhada.
Ele passa os seus dedos por um dos desenhos.
— Caraca, Maggie, a perfeição dos detalhes é impressionante! — ele fala como se tivesse hipnotizado pelos meus desenhos.
— Achas?
Ele olha finalmente para mim.
— Eu não acho, tenho a certeza, são perfeitos.
Eu sorrio.
— Obrigada, isso é muito importante para mim.
— Estou deveras muito impressionado! — ele sorri para mim, aquele sorriso tão bonito.
Ele dá um passo atrás e pergunta.
— E o nosso sorvete?
Reviro os olhos divertida, por alguma razão estranha para mim, sinto-me bem perto dele.
— Tu não vais desistir desse sorvete, pois não?
— Não mesmo! — ele fala determinado.
Respiro fundo.
— OK, Ethan, eu aceito, mas por favor, nada de gracinhas. — o advirto séria.
— Tens a minha palavra, Maggie. — ele fala sério também.
Não sei porque merda eu confio nele, mas confio e isso é muito perigoso, porque eu não costumo confiar nas pessoas e muito menos dos mais ricos, que a maior parte das vezes querem é gozar com quem tem menos posses que eles.
Continuo sem entender o porquê de um garoto como ele, com tantas garotas lindas atrás dele, mas ele faz questão de tomar um sorvete com a mais estranha da escola.
Mas tenho a certeza, que o Ethan não é assim, mas, a ver vamos.
Na Sorveteria
Narrado por Maggie
"O Amor cabe até onde não tem cabimento"
— Eu devia estar louca quando aceitei o convite do Ethan. — barafusto, enquanto ando de um lado para o outro no meu quarto.
Lou olha para mim com a maior paciência do mundo.
— E agora Lou? — pergunto desesperada.
— Afinal qual é o problema, Mag?
— O problema é que eu vou me sentir super m*l ao lado do Ethan. Ele é, é… Ah tu sabes. E eu sou… eu, não tenho graça nenhuma.
Ouço a campainha tocar lá embaixo e olho para a Lou em pânico.
— Eu não vou, vai lá e diz que eu estou doente, fugi para as Arábias, ou fui para a lua e só volto para o ano, ou talvez nem volte.
Lou agarra-me nos braços.
— Por favor, acalma-te e escuta. Eu não vou mentir, se não queres ir, tu mesma vais dizer isso na cara dele.
Ela sai do quarto e eu ouço a campainha tocar outra vez.
— Vai depressa, senão eu vou dizer para ele subir ao teu quarto! — ela fala já no corredor.
— Mas que merda! — resmungo baixo.
Desço as escadas, pronta para dizer ao Ethan que estou m*l disposta e que não vou.
Lou já lhe abriu a porta, e ele está a entrar no momento que eu estou a descer.
— Oi, Maggie. — ele cumprimenta todo feliz.
— Oi, Ethan. — falo sem saber o que fazer.
Por um lado quero muito ir, mas por outro estou cheia de vergonha.
Não acho que seja a companhia indicada para um garoto como ele.
— Então, vamos tomar o nosso sorvete?
— Ahh, eu, quer dizer…
Ele me interrompe.
— Maggie, deixa-te de coisas, é só um sorvete, prometo que venho trazer-te a casa m*l tu queiras.
Olho para a Lou, que sorri.
Volto a olhar para ele.
— Ok, Ethan, mas não posso mesmo demorar, a minha mãe sai à meia noite do hospital e eu disse que a essa hora já estaria em casa há muito tempo.
— É como tu quiseres, m*l queiras voltar eu trago-te a casa, sem problema.
Pego na minha bolsa e vou então.
Saímos para a rua, fecho a porta à chave e nos despedimos da Lou que vai para a sua casa.
Vamos a pé até a sorveteria, já que não fica muito longe.
A noite está tão agradável, não está um calor insuportável, mas também não está frio, está uma temperatura amena.
A sorveteria fica no calçadão que dá para a praia.
A praia tem holofotes ligados, já que estão alguns garotos a jogar à bola na areia e algumas garotas a ver.
O ambiente é bem agradável.
Nos sentamos cá fora, já que a noite está tão bonita.
— Que gelado tu gostas? — ele pergunta.
— Gosto de chocolate, morango e caramelo. — falo contente.
— Boa escolha.
O empregado vem ter connosco e o Ethan pede os gelados.
Morango, chocolate e caramelo para mim, framboesa, chocolate e baunilha para ele.
— Coloque por favor, dose extra de pedaços de chocolate por cima.
O empregado sorri e diz que sim.
Trás os nossos gelados e é realmente muito bom.
— Deixa lá provar esse teu gelado que tem um aspecto delicioso.
Eu tiro uma colherada do meu gelado e ia lhe dar a colher para a sua mão, mas ele abre um pouco a sua boca e eu meto a minha colher na boca dele. Eu acho aquele gesto extremamente sexy.
Eu a colocar uma colher de gelado na boca do Ethan Smith, devo estar a delirar.
— Uau, que bom! — ele tira uma colher do gelado dele. — Prova, vê se gostas.
Eu abro a minha boca e ele mete a colher devagar.
— Humm, é realmente muito bom.
Ele sorri para mim.
— ETHAN?? O QUE SE PASSA AQUI?
Eu estremeço dos pés à cabeça apenas de ouvir a voz dela.
Jesus amado, eu não mereço esta assombração sempre no meu pé!
— Estás louca, Daisy! — ele fala irritado.
— Não, o único louco que eu estou a ver aqui és tu. O que tu fazes aqui, na companhia dessa ai? — aponta para mim e faz cara de enojada.
— Mas quem tu pensas que és para falar com a Maggie desse jeito? — ele se levanta.
— Ethan, por favor, deixa estar, eu não quero confusão. — falo baixo.
Ai que vergonha, essa garota só me arranja complicações.
— A única que está a arranjar confusão é ela! — vira-se para a Daisy. — Olha aqui, Daisy, eu não tenho que te dar satisfações dos meus atos, que eu saiba o teu namorado é o meu irmão, não eu. Por isso baza daqui e nos deixa em paz.
Ela está com cara de parva a olhar para nós.
— Devias ter vergonha de te apresentares com essa coisa aí, Maggie sebosa. — ela diz já em andamento.
— Vergonha devias ter tu, por teres uma boca tão suja. — ele fala alto para ela ouvir.
Tenho vontade de rir pelo o que ele lhe disse, mas por outro lado queria um buraco para me esconder.
— Desculpa por isto, a Daisy está a perder a noção do perigo, doida. — ele diz.
— Não faz m*l, tu não tens culpa.
Acabamos o gelado.
— Podes me levar a casa, por favor? — peço.
— Claro. — ele diz ao levantar-se.
Já no caminho para a minha casa, ele diz.
— Gostei muito de sair contigo. — ele fala a olhar para o chão.
— Eu também gostei.
— Teria sido perfeito, se a maluca da Daisy não tivesse aparecido. — ele faz uma careta.
— A Daisy passa a vida a fazer da minha vida um inferno, eu já nem estranho. — falo aborrecida.
— Mas tu não deves deixar ela fazer e dizer o que quer. Quem ela pensa que é? — ele indaga chateado.
— Ela é rica, Ethan, pensa que pode tudo.
Ele me olha de frente e diz.
— Mas isso não lhe dá nenhum direito de falar com as pessoas como ela quer.
— Eu sei, mas a Daisy é assim mesmo, não vale a pena.
— Tinha uma imagem dela bem diferente, mas agora sei que ela é uma doida varrida.
Chegamos à porta da minha casa.
— Obrigada pelo sorvete. — agradeço me virando para ele.
— Repetimos?
— Talvez, quem sabe.
Abro a porta da minha casa e me viro ligeiramente para trás.
— Até amanhã, Ethan.
— Até amanhã, Maggie.
Entro e fecho a porta atrás de mim.
A minha mãe ainda não chegou do hospital, ainda são agora 23h00. Subo as escadas sem sequer acender nenhuma luz.
Entro no meu quarto, dispo-me, tomo um duche e visto o pijama, deitando-me logo de seguida.
Fico ali a olhar para o teto, a pensar na minha saída com o Ethan e no aparecimento daquela doida varrida da Daisy.
Ela ficou chocada por me ver com ele, também, não era para menos.
Eu mesma ainda estou chocada por ele querer sair comigo.
Mas tenho a impressão que ela vai me chatear por isso.