O tempo passou como um rio tranquilo, daqueles que não levam embora as lembranças, apenas as moldam, as suavizam, as transformam em reflexo de saudade. A casa de pedra na Capadócia ainda estava lá, de pé, coberta de heras e com o mesmo perfume de lavanda que Laura sempre amou. Mas agora, quem cuidava dela era Esperança, uma mulher de trinta e dois anos, de sorriso sereno e olhos que lembravam o céu após a chuva — cheios de ternura e mistério. A vida havia sido generosa com ela. Filha de Malu e Enzo, cresceu cercada de amor e histórias. Ouviu, desde pequena, as memórias que moldaram as mulheres de sua família — a força de Laura, a coragem de Malu, e a fé que atravessou gerações. Cada palavra contada na varanda, cada lágrima que escorreu sem aviso, cada risada entre o aroma de café e pão

