Quando Candice voltou para casa, sentia como se tivesse passado dias fora, estranhou ao ver tudo silencioso. Ela só queria um banho e cama. Estava exausta, o dia tinha sido cheio de emoções e reviravoltas. Já a caminho do seu quarto cruzou com Bela que sorria.
Bela: Não vai me dá os parabéns, irmã? Disse sorridente.
Candice: Pelo que?
Bela: Eu finalmente estou mais próxima de conquistar o Afonso. Candice riu.
Candice: Você acha? Ao meu ver você acabou de afundar a sua chance, como acha que ele vai encarar o fato de você está dando em cima do noivo da própria irmã? Ele vai perceber que você é uma vagabunda.
Bela: Você está com inveja. Vejo que isso de querer me ajudar era tudo uma mentira.
Candice: Eu bem que tentei, Bela. Mas você não me desce. Disse.
Bela: Então a recíproca é verdadeira. Disse passando por ela e indo até a sala.
Candice: Se preparar, Bela. A casa vai cair para você. Disse mais para si mesma. Viu que os pais estavam no quarto assistindo algo que parecia ser um documentário. Saiu deixando os dois a sós. Há apenas alguns dias que Maria tinha parado de chorar pelos cantos e Raul via como um sinal de avanço, fazia de tudo para tirar a esposa de dentro de casa, tentando ao máxima distrai-la. Porém Candice pensava em como a notícia atingiria os pais, primeiro pela emoção de Alana estar viva e depois pela decepção ao saber o que Bela tinha feito, seria um grande golpe aos dois e logo agora que ambos pareciam estarem superando a perda. Aquilo não era justo, com ninguém.
Candice: Só quero que esse pesadelo acabe logo. Disse suspirando cansada.
Alana bem que tentou dormir, mas tudo que vinha na sua mente era os momentos com Bela, quando foi que a irmã se tornara tão c***l que ela não tinha percebido? Reviveu todos os momentos com a irmã, as lembranças da infância e só então percebeu o quanto a irmã tinha se afastado dela, na época do colégio, exatamente quando Afonso entrou suas vidas. Ela jamais se quer imaginou que Bela seria capaz de mentir daquele jeito. No início desconfiou que a irmã pudesse gostar do "garoto novo", mas com o passar do tempo, e com o fato dela nunca ter dito que estava interessada em Afonso, eles se aproximaram e o namoro vem rápido depois do primeiro beijo e Bela pareceu aceitar bem. Alana nunca imaginaria sofrer essa decepção com a irmã. Dulce a fez companhia e respeitou o silêncio da amiga, sabia que Alana tinha muito o que processar e talvez sofreria mais um golpe quando saísse o exame de sangue.
Nina por trabalhar no hospital e estar tão envolvida na história foi até o laboratório buscar o exame de sangue de Afonso.
Nina: Eu preciso o exame de sangue que pedi do paciente Afonso.
- Estamos terminando a análise ainda, estamos com outros exames em carácter de urgência.
Nina: Tudo bem, quando acha que fica pronto?
- Em uma ou duas horas.
Nina: Tudo bem. Respondeu.
Agora só restava esperar, mas quem disse que todos os envolvidos conseguiam dormir? Nada de sono naquele e cada sim por um motivo diferente.
Quando o dia amanheceu era nítido que Alana não tinha "pregado" os olhos a noite toda e Dulce não estava muito diferente.
Alana: Dul, obrigada por ter ficado aqui comigo, eu sei que não fui uma boa companhia, mas mesmo assim você ficou e respeitou meu silêncio. Dulce sorriu.
Dulce: Alana, você é minha amiga, quase uma irmã para mim. Eu estou aqui para o que precisar, eu entendo que precisava de espaço para pensar e digerir tudo, é normal. Não estou chateada, fico até feliz por poder estar com você eu pensei ter te perdido e estar aqui com você de novo me deixa feliz e grata.
Alana: Vem cá me dê um abraço. Disse emocionada e Dulce foi. - Como anda a situação com o Hugo? Perguntou sabendo dos sentimentos da amiga.
Dulce: Na mesma, eu não vou falar, Alana. Ele está feliz e bem com a Maya. Eu não vou chegar e dizer o que sinto.
Alana: Nossa, saudade da Maya, ela ainda não sabe né? Perguntou triste e Dulce negou. - Eu ainda acho que deveria dizer, colocar isso pra fora, você guarda isso para você há anos. Talvez se você falar com ele, pelo menos vai ficar livre para superar.
Dulce: Eu não acho uma boa ideia. Eles estão tão bem. Alana apertou a mão da amiga em gesto de apoio. Amava as duas, Maya e Dulce. Maya era sua sócia, sua parceira e Dulce sua quase irmã. Sabia dos sentimentos de Dulce por Hugo, e sentia muito, porque sabia que ele e Maya estavam apaixonados e ela não queria nem imaginar como seria vê Afonso apaixonado por outra mulher, com certeza era dolorido de mais, amar e não ser correspondido. Foi pensamos nisso que voltou seu pensamento para Bela.
Só que Alana e Dulce se enganavam se achava que estava tudo bem na relação entre Maya e Hugo. A relação já não era a mesma faz tempo e depois da morte de Alana, as coisas pioraram, seja por Maya que ficou sem saber o que fazer, porque além de ter perdido uma amiga, tinha perdido também sua sócia, a exposição de Alana seria logo e com tudo o que aconteceu, eles ficaram sem saber o que fazer, a galeria tinha investido muito nessa exposição e sem Alana nem faria sentido, foi então que conversando com outras pessoas do ramo, sugeriram que ela seguisse com a exposição como forma de homenagear Alana, porém como pedir as fotos a Afonso? Era nítido o quanto ele estava destroçado, mas por um lado bom, ela o convenceria que era uma boa forma de homenagear a memória dela, porém veio a tentava de suicídio dele e ela perdeu a coragem. Isso gerou ainda mais brigas no relacionamento dela com Hugo, porque ele não concordava dela pedir as fotos, não no momento em que o irmão estava. No ponto de vista dela, o noivo precisava entender que era a carreira dela também em jogo, e ela estava tentando homenagear uma amiga, o trabalho de Alana. Porém Hugo achava que não era o momento para isso, que ainda estava cedo mais para isso. E com isso as brigas se tornavam cada vez mais frequentes.
Hugo se dedicava ao irmão, com medo dele fazer mais alguma besteira e Maya ao seu trabalho, se tornando cada mais raros os momentos deles como um casal.
Foi então que após mais um jantar cancelado por ele, que não podia faltar uma reunião de uma última e pelos problemas do restaurante do irmão, que Afonso parecia ter simplesmente esquecido do restaurante. Ela foi até o apartamento dele.
Hugo: Oi amor. Disse surpreso ao vê-la ali. Não esperava, não depois de terem cancelado um jantar e mais uma discussão no telefone.
Maya: Hugo, precisamos conversar. Disse séria. E assim que ele se sentou ao lado dela no sofá, sabia onde aquilo acabaria. Eles conversaram e foram sinceros um com o outro. - Não estava mais dando certo. Disse for fim e ele assentiu.
Ambos sabiam que há tempos a relação não era mais a mesma, não tinha aquela paixão, estavam mais como amigos do que noivos. Isso porém não amenizava o fato que se gostavam e se respeitavam. Eles tinham uma história juntos e foi em nome dela história e por tudo que viveram juntos que resolveram terminar, que manteriam a amizade e sempre teriam uma carinho especial um pelo o outro. Claro que no início iria ser difícil para os dois, mas eles iam superar.
Por falar em superar, talvez fosse necessário outro casal passar por superação. Era nisso que Afonso pensava a cada vez que forçava sua mente a se lembrar do que tinha acontecido naquela noite. Ele não dormiu a noite inteira preocupado com isso. Ele se negava a acreditar que pudesse ter feito qualquer coisa que ferisse seus sentimentos por Alana, mas a cada vez que as lembranças de misturavam entre Bela sentada no seu colo e Alana sentada no seu colo, mas confuso ele ficava.
Ele encontrou uma Candice conversando animadamente com um homem, ela até sorria tímida. Afonso percebeu pelo uniforme dele que era paramédico. Candice viu Afonso se aproximar e acenou para ele.
Candice: Deixa eu te apresentar o noivo da minha irmã. Disse a Paul.
Paul: Olá, Paul.
Afonso: Afonso. Os dois se cumprimentaram com um aperto de não.
Candice: Ele quem resgatou a Alana.
Afonso: Eu acho que nunca saberei agradecer por isso.
Paul: Parem de me agradecer, eu só fiz o meu trabalho.
Candice: Não é bem assim, a Nina disse que você foi primordial para que ela não tivesse sequelas graves, por ter feitos os procedimentos emergênciais com eficiência e inteligência. Elogiou.
Paul: A opinião da Nina não vale, ela é minha amiga.
Candice: E a minha vale? Perguntou.
Paul: Principalmente a sua. Disse sorrindo.
Candice: Então eu digo que concordo com a Nina, você tem cara de inteligente, Paul. Aquilo para Afonso era estranho, ele nunca tinha visto a cunhada flertar com alguém e se sentia desconfortável ali, era óbvio que estava sobrando deu graças a Deus quando Nina chegou. Ela sorriu para o amigo e para Candice.
Afonso: Então, já tem o resultado do exame?
Nina: Sim, eu liguei para Candice avisando que já estava com o resultado em mãos e pedi que viesse antes do meu plantão acabar.
Afonso: E então?
Nina: Eu não abri, Afonso. Não achei certo. Você pode abrir e eu faço a avaliação médica. O analista disse que talvez fosse preciso fazer uma radiografia cerebral, então por isso eu fiquei aqui.
Afonso: Uma radiografia? Perguntou assustado. - Por que?
Candice: Pelo amor de Deus, você não pode estar doente. Disse também assustada. Não era possível que depois de tudo eles ainda passariam por um novo pesadelo.
Nina: O exame está lacrado como pode ver. Disse entregando o exame a ele. Afonso abriu com o coração acelerado. Ele pegou e começou a ler, mesmo sem entender nada direito.
Afonso: Tem um laudo atrás. Disse olhando a última folha.
Nina: Isso ocorre em caso de alguma anormalidade no exame.
Afonso: Eu não quero ver mais nada. Disse apavorado. Nina pegou o exame e começou a ler.
Nina: Você tem algum transtorno psíquico?
Afonso: Não, claro que não.
Nina: Mas já fez uso de medicação forte? Ou anti-depressivo? Perguntou o olhando atentamente. Candice arregalou os olhos.
Afonso: Não que eu saiba. Disse desviando os olhos.
Candice: Afonso! Repreendeu.
Nina: Eu preciso que não me escondem as coisas.
Afonso: Eu tentei suicídio uma vez. Disse baixo. Nina ficou surpresa e Paul sem reação. - Eu tinha acabado de perder minha noiva e meu filho. Pra mim não tinha sentido as coisas.
Nina: Afonso, quando isso aconteceu o que o médico que te atendeu disse?
Afonso: Ele me encaminhou para uma terapia e uma medicação de um remédio que me ajudasse a dormir, por há dias eu não dormia direito e só. Por que?
Nina: Tem certeza?
Afonso: Tenho, absoluta. Eu não fiz nenhumas das duas coisas se querem saber. Confessou.
Candice: Não tomou o remédio? Afonso negou. - Afonso! O Hugo vai te matar quando souber. Eu pensei que pelo menos tivesse indo a terapia.
Afonso: Eu não preciso de terapia, nunca precisei. Eu estava de luto o que queriam que eu fizesse? Que seguisse a minha como se nada tivesse acontecendo? Sabe o que era entrar naquele apartamento e ter todas as lembranças da Alana? No dia que ela me contou do bebê, era lá que estávamos. A cada passo que eu dava era como se ela estivesse ali, o riso dela ecoava na minha cabeça toda vez que entrava naquela cozinha ou no quarto. Era difícil, p***a! Eu sentia que ia enlouquecer de saudade. Não era falando isso para um desconhecido que ia me ajudar, não era tomando uma droga de remédio que ia passar a minha dor. Disse deixando duas lágrimas caírem e Candice o abraçou.
Candice: Passou....tá tudo bem agora. Ela está viva e bem. Disse o confortando.
Nina: Bom, se você não faz uso de nenhum medicamento. Então realmente foi dopado, não com o famoso boa noite cinderela, mais com um medicamento usado em pacientes depressivos e até esquizofrênicos.
Afonso: Que? Disse ficando pálido.