CAPÍTULO 3

2251 Palavras
Tempo atuais Eu dormir chorando e pensando em como sair dessa vida. Não fazia sentido morar com esse homem, que se diz querer cuidar de mim. Lembrei de quando ouvir essa história de tutela. Não era possível isso. Eu estava presa, e não sabia como sair, não sabia onde e como arrumaria um emprego para me livrar disso. Porém, eu não me daria por vencida. Eu iria até o fim pela minha liberdade. Wilson não ganharia essa. Não mais. Me levanto e tomo um banho me visto com uma das minhas roupas cafonas para minha idade. Eu parecia uma senhora com essas roupas largas sem graça. Assim que eu tiver meu primeiro emprego, eu vou dar uma repaginada na minha vida e no meu guarda-roupa. Só não vou cortar o meu cabelo, porque gosto deles longos, mas o resto, ninguém que me conhece vai me reconhecer. Desço e Wilson está sentado no sofá lendo o seu jornal. Ele me olha com um sorrisinho. — Bom dia! Ele diz e eu nem respondo. Ele realmente não tem noção do ódio que sinto dele. Ainda mais depois do tapa na cara que levei ontem. Onde você pensa que vai? Ele se levanta e vem até a porta. Olho para ele com mais raiva. Você não cansa? Você não vai conseguir. Não digo nada e saio. Vamos ver quem não vai conseguir. Vou andando até o centro. Eu tenho que encontrar alguma coisa para mim. Eu tinha que conseguir a minha liberdade. Nem que eu morasse em um cubículo, mas eu não vou mais morar com esse ser. Não quero homem nenhum tomando conta da minha vida. Andei a cidade toda e nada. Todos que conhecia Wilson me viraram as costas e eu não sabia o que iria fazer. Talvez se eu voltasse ao Brooklyn. — Isso, eu vou ao Brooklyn. Talvez lá eu consiga algo. Wilson e Thomas não tinham o costume de irem lá. Essa deve ser a minha oportunidade. Chego no Brooklyn e vou andando de loja em loja, e como eu pensei. Wilson não tinha domínio aqui, porque as pessoas foram muito mais gentis, porém, não arrumei nada. Não era possível. Eu teria que mais uma vez voltar para casa de Wilson e ouvir os seus comentários e ver o seu sorriso. Vou andando de volta. Passo por New York e vejo uma escola de Balé. Paro e olho as crianças aprendendo a dançar. Fico fascinada. Era tudo que eu queria. Eu gostaria de está no lugar da professora, ou até mesmo dessas aluninhas, pois não tive aula de dança, o pouco que eu sei, eu vi em vídeos. Fico horas ali vendo até ver que elas pararam de dançar e estavam pegando suas coisas para irem embora. Resolvo ir também, pois está escurecendo. Mais um dia perdido. Eu não comi nada o dia todo. E por incrível que pareça, eu não estou com fome. E quando chegar em casa, essa falta de fome só aumenta. Eu prefiro dormir ao sentar à mesa com Wilson e ouvir o mesmo nojo de conversa. Depois de andar muito, cheguei na casa dele. Eu nunca entendi o motivo de Thomas e eu morarmos com que o seu pai depois que casamos. Eu sei que Thomas me disse que o seu pai não podia ficar sozinho. Ele não queria deixar o pai só. Eu nunca fiz objeção para isso, mas agora vejo que foi a pior merda. Dupla merda, pois ainda tinha essa tutela i****a. Entrei e não o vi. Dei graças a Deus. Porém, assim que cheguei nas escadas, ele estava descendo. — Resolveu aparecer? Conseguiu alguma coisa? Ele indaga com um sorriso largo. Não respondo. Não compensa. Esse i****a não vai conseguir o que quer. Imaginei. Agora, chega dessa palhaçada de procurar emprego e volte a se preocupar com o seu lar. Essa casa precisa de alguém que faça as coisas. Você é dona dela, então se preocupe com ela. — Essa casa é sua. Se preocupe com ela você. Eu não sou sua empregada. — Daniella, você não vai conseguir emprego. Não adianta. Você pode rodar toda cidade e não vai conseguir. Sua vida é aqui, e você não precisa de nada mais. Tudo que tem aqui é o suficiente para você. — Boa noite, Wilson! Subo não querendo ouvir as baboseiras que ele diz. Não vou discutir com ele mais. É perda de tempo. Tudo que quero é minha liberdade desse inferno. No outro dia, estava novamente a procura de algo. Wilson novamente estava me esperando na sala com o mesmo discurso, porém, eu não dei ouvido mais uma vez. Fui novamente para o Brooklyn, e eu já estava quase desistindo quando vi uma boate com uma placa precisando de uma dançarina. Uma esperança cresceu em mim, e eu já fui entrando no lugar. Era um ambiente todo escuro. Literalmente escuro. Aas paredes vermelhas com preto. Um globo de luzes estava desligado no teto. Cortinas enfeitavam uma parte. Vejo uma sinuca no meio do salão e sofás de canto espalhado por todo ambiente. Um bar amplo estava a minha esquerda. Tem pequenos palcos com barras de pole dance. Vejo um homem jovem limpando o balcão. Resolvo ir até ele e perguntar da vaga. Eu quero muito essa vaga. — Boa tarde! Digo me aproximando. — Boa tarde! O homem responde. — Eu vi a placa lá fora... — Markos... Ele grita me interrompendo. Fico esperando o tal Markos aparecer, pois supus ser com ele que deveria conversar sobre a vaga. Markos... Ele grita de novo. A sua voz é bem potente. — Tales, eu já disse que não é para me interromper quando tiver alguém chupando o meu p*u. O tal Markos chega falando com raiva, e levantando as suas calças. Olho para mesmo que está sem camisa e os cabelos desgrenhados. — Essa moça quer saber da vaga. O homem que se chama Tales fala apontando a sua cabeça para minha direção. O tal Markos me olha de baixo em cima e depois dá uma gargalhada. Fico esperando a piada na cabeça dele acabar, para me apresentar. — Você está de brincadeira? Markos questiona não se dirigindo a mim, mas a Tales. O que é isso? Uma pegadinha? Ele me olha ainda sorrindo. — Por que uma pegadinha? Resolvo me manifestar. — Não estou procurando uma virgem. — Não que seja da sua conta, mas eu não sou virgem. Ele me olha com arrogância. — Alguma irmã de caridade? Faz parte de alguma igreja ou doutrina? — Não. Mas, porque isso? — Suas roupas, são ridículas. — São as únicas que tenho. Porém, o senhor não vai me dar o emprego por causa das minhas roupas? Indaguei tentando entender. — Você já se prostituiu antes? Franzo a testa. — Não. — Quantos namorados teve? — Um. — Já fez de tudo no sexo? Eu estou odiado essas perguntas. — Por que isso? — Porque meus clientes são exigentes. Fico sem entender o que essas perguntas tem a ver com o cargo. Fora que antes de você ir para algum cliente, eu sou o seu primeiro cliente. Ele diz rodando meu corpo. Passa a mão na minha b***a e eu me viro e dou um chute no meio das pernas dele. Aiiiiiii... Ele grita com as mãos nas suas joias. — Nunca mais encosta em mim. Digo com raiva. E ele vai andando até o sofá. — Sua desgraçada. O que você pensa que está fazendo? Ele indaga se sentando com dor. — Eu que te pergunto o que você acha que está fazendo? Estou com raiva pelo atrevimento. — Tales, traga uma bolsa de gelo. Ele diz ainda entre dentes. Suas mãos estão segurando o que acha que é mais precioso em seu corpo. — Olha, eu preciso do emprego, mas nunca vou aceitar que você ou qualquer outro encoste a mão em mim. Falo e ele me olha com um olhar que não sei decifrar. — Você ficou louca? Ele se ajeita pegando a bolsa de gelo das mãos de Tales. — Você é que ficou louco de encostar em mim. Não faça isso de novo, porque da próxima vez... — Da próxima vez o que? Sua maluca. Ele se levanta gritado e parando na minha frente. Eu não tenho medo. Não mais. Homem nenhum me assusta. Sua respiração está forte. Estamos olho no olho. Seus olhos são muito bonitos. São de uma cor escura. Talvez um castanho escuro. Ele parece penetrar na minha alma. Seus olhos não saem dos meus e eu me sinto intimidada, porém não demonstro. Me deixa entender. Você veio aqui para a vaga de prostituta e não quer que ninguém encoste em você? — Vaga de prostituta? Indaguei confusa. — Sim. Você sabe onde você está? Ele volta a se sentar. Vejo que ele tem uma tatuagem no ombro esquerdo. E outra de lado. — Sim, em uma boate. Lá fora o cartaz diz precisar de uma dançarina. — Claro. Você acha que eu posso colocar um letreiro falando que aqui se trata de um bordel? Fico em choque. Você acha que eu posso colocar uma placa procurando prostituta? Não é possível. Eu achando que teria um emprego. Bufo. — Obrigado, mas eu não quero essa vaga. Falo andando para fora. — Espere. Ele diz. Paro e olho para ele. Pelas suas roupas, acredito que você precise de emprego. Reviro meus olhos. — Preciso, mas não vou me prostituir. Ele suspira forte. — Você disse que é dançarina. Não parece. Aqui não temos dançarinas. Os palcos são para as prostitutas encantarem meus clientes. — Eu já entendi que aqui não é meu lugar. — Você pode deixar eu falar? Ele está meio irritado. Não digo nada. Posso te oferecer o emprego de dançarina e nas horas vagas você ajuda no balcão. — Você disse que não tem a vaga de dançarina. Porque quer me ajudar? Indago porque não faz sentido. — Como disse, vejo que você precisa. Ele fala apontando para minhas roupas. Espero que você não venha dançar com as roupas de 1930. — Como será meu trabalho? Dias e horários e o meu salário. — Vamos ao meu escritório. Ele sai andando na frente. Tales me olha sem expressar nada. — Eu só quero que o Senhor tenha em mente que eu não vou em momento algum, virá prostituta. Digo entrando no escritório dele. Vejo uma garota sem roupa deitada no sofá. — Estava te esperando, chefinho. Ela diz toda melosa. — Saia. Ele diz sem um pingo de consideração. — Já estou indo. A Garota se levanta e sai sem nenhum protesto. — Vamos ao nosso acordo de trabalho. Ele se senta e faz gesto com a mão para eu me sentar. Me sento. Você só será prostituta se você quiser. Seu emprego por hora é de Dançarina. Você sabe dançar? — Não sou profissional. Não tive aulas de dança nem nada do tipo. Tudo que eu sei, aprende de forma caseira. Ele passa as mãos na cabeça. — Eu quero um teste antes de te contratar. Não quero amadores aqui. Não gosto disso. — O Senhor quer um teste agora? — Não. Não com essas roupas. Não quero imaginar minha avó dançando. Reviro meus olhos novamente. Vá em sua casa e traga uma roupa de dança. Droga, não tenho nenhuma. Ele mexe em sua gaveta e tira um bolo de dinheiro. Aqui. Ele me dá dinheiro. — Não posso aceitar. Eu não tenho como te pagar. — Tem sim. Ninguém aqui sai me devendo. Sua voz severa me deixa com receio de aceitar. Se você não passar no teste de dançarina, vai trabalhar no bar até me pagar. Me pagando, você poderá seguir sua vida. Pego o dinheiro. O bordel funciona o dia todo, mas bar e boate somente a noite. Você trabalhará até duas horas da manhã. Pega as dezenove horas diariamente e sairá as duas horas da manhã. Vou te pagar pelo serviço de dançarina dois mil dólares. Me animo com o valor. Alugaria algo aqui no Brooklyn mesmo, pois é um bairro barato e outra não teria que encontrar com Wilson nunca mais. Algum problema? Ele me tira dos meus pensamentos. — Sim... Quero dizer, não. Está tudo bem. Eu vou em alguma loja e vou comprar algo para dançar. Daqui a pouco estarei aqui. Ele assentiu. — Se passar no teste, quero que comece hoje mesmo. — Tudo bem. Me levanto com esperança. A minha vida vai mudar. Iria sair, mas fiquei com uma dúvida. Me desculpe, mas eu tenho uma dúvida. — Fale. Ele está sem paciência. — O senhor vai redigir um contrato de trabalho? — Não costumo fazer isso. Pelo que você viu, ninguém aqui precisa de indicação para trabalhar em outro estabelecimento. O único que poderia me pedir alguma carta de recomendação é Tales, e pode se dizer que a faxineira. — Mas eu preciso de um contrato assinado. Eu preciso mostrar a juíza que tenho um emprego. — Seus pais ficaram felizes em você mostrar que trabalha a noite em uma boate? Ele indaga irônico, mas eu não quero saber o que ele pensa. Eu só quero o emprego e nada mais. — Não importa. Eu só preciso de um contrato de trabalho. — Vamos ver primeiro como você vai se sair na dança. Depois veremos isso. Assinto e saio. Eu tenho que dar o meu melhor no palco. Eu preciso realmente desse emprego para enfim conquistar a minha liberdade.
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